Palavra do Leitor

Economia desce, endividamento sobe


 A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) divulgou recentemente que o percentual das famílias endividadas chegou a 63,4%. Isso equivale dizer que, aproximadamente, três em cada cinco famílias estão no vermelho. Esse crescimento atingiu o maior percentual desde setembro de 2015.

O crescimento econômico é baixo, o desemprego é elevado e a inflação é maior que o crescimento. As previsões para o PIB deste ano não ultrapassam 2,7%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Já a inflação deve fechar em 4,1% pelo IPCA e o desemprego da População Economicamente Ativa em 11,4%.

Temos ainda o alto endividamento das famílias. A reforma trabalhista resolveu o problema? Não. Qual é a saída? A economia precisa se aquecer. As pessoas têm que ter renda disponível para consumir, o que aumentará a receita das empresas, o nível de contratações e, consequentemente, o consumo. É o ciclo econômico básico.

Justamente quando a economia vai mal, tudo tende a piorar. Isso se dá porque quando a economia começa a entrar em queda, as pessoas compram menos. Então, os ofertantes por venderem menos acabam contratando menos funcionários e o ciclo se reinicia, porque quanto menos pessoas são contratadas mais decai o consumo das famílias.

O governo federal parece não compreender que uma política de expansão da economia é o caminho. Afinal, conforme a renda do indivíduo aumenta, eleva-se também seu consumo. Na outra extremidade, as famílias mais pobres acabam se endividando para obter bem-estar mínimo.

Pela última Pesquisa dos Orçamentos Familiares do IBGE, os que se encontravam dentro dos 10% mais pobres possuíam uma propensão a consumir de 152,1% de sua renda, ou seja, se endividam próximo à proporção da metade do que ganham. A saída do crescimento está na redistribuição de renda: os mais pobres, quando têm os rendimentos elevados, consomem mais. Se por um lado, propostas de candidatos políticos foram ridicularizadas ao priorizarem o saneamento das finanças familiares das camadas menos favorecidas como caminho para o aquecimento da economia, hoje os dados parecem indicar o quanto essas medidas são razoáveis.

A população precisa de renda disponível. A economia necessita de um input: o governo tem que ter política fiscal expansiva, investindo e reaquecendo a economia. Isso tudo se inicia com uma boa gestão tributária, que combata a sonegação e aumente o potencial de investimento. É preciso que os governantes entendam que sem redistribuição de renda talvez não haja mais renda.

Victor Lins Mendes é cientista político e diretor jurídico do Sinafresp (Sindicato dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo).

PALAVRA DO LEITOR
Ford
Espero realmente que até o fim de agosto o governo do Estado anuncie quem vai herdar o espaço onde está instalada a fábrica da Ford, em São Bernardo. Minha família fez carreira na montadora e, embora eu nunca tenha trabalhado lá, nutro um apreço muito grande pela Ford. Estou triste, evidentemente, pela saída da empresa, mas aguardo que o futuro comprador mantenha pelo menos o número de empregos gerados pela Ford. Nossa região vai agradecer.
Luís Cláudio Messias
São Caetano

Vazamento
Deixo meu protesto à Sabesp e à Prefeitura de São Bernardo a respeito do vazamento de esgoto na Avenida Lauro Gomes, na altura da comunidade que fica à margem do Ribeirão dos Meninos, próximo aos fundos do Carrefour. Há pelo menos uma semana o vazamento está presente, causando mau cheiro e até atrapalhando o trânsito, já que os veículos reduzem bruscamente a velocidade com receio de atolamento dos carros ou de sujar os automóveis. Não é a primeira vez que o problema surge, mas nas outras oportunidades foi resolvido com mais velocidade.
Joana de Paula Conceição
São Bernardo

Gasto da Câmara
Inicialmente gostaria de parabenizar o jornalista Fábio Martins pela matéria “Gastos das Câmaras têm média de R$ 65 per capita” (Política, 8/7), na qual é apresentada uma planilha com relação ao ano de 2018 das sete cidades da região. Com relação a São Caetano, com o valor de R$287,44, superior em 3,8 vezes a média para uma Câmara inchada de 19 vereadores, quando deveria ter no máximo nove ou 11, como em um passado recente, para uma população atual de 161 mil habitantes. O resultado é que projetos absurdos como aquele de se instalar uma usina de compostagem de lixo no bairro da Fundação, na área do Matarazzo. Outra foi a retirada da taxa do lixo do IPTU, colocada junto com a taxa de água e esgoto, com o argumento oficial de que foi barra beneficiar a população, quando na verdade foi para aumentar a arrecadação.
Luiz Carlos Leoni
São Caetano

Recado a Rodrigo Maia
Significado de república ao presidente da Câmara Rodrigo Maia: “República – forma de governo em que o Estado se constitui de modo a atender o interesse geral dos cidadãos, na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos”. Portanto, a reforma da Previdência não foi por causa dele. Foi desejo do povo, que foi aos milhares às ruas pedindo as reformas. Se não tivéssemos nos manifestado Rodrigo Maia podia dançar minueto, tango ou sapateado naquela Câmara que a reforma jamais seria aprovada, porque parlamentar vota de olho no povo. Fora que a reforma da Previdência foi feita por várias mãos ligadas ao Executivo, embora Maia queira para si os louros.
Beatriz Campos
Capital

Inimigos da Nação
De acordo com o noticiário e últimas pesquisas, a quase totalidade da população e da mídia como um todo, incluindo-se as redes sociais, torcem vigorosamente pelo implemento das reformas propostas pelo Palácio do Planalto, menos os chamados parlamentares da oposição, que não só são radicalmente contrários como fazem de tudo para que tal iniciativa não se concretize. Assim fica difícil tirar o País do abismo para onde eles, de alguma forma, ajudaram a empurrar. A triste verdade é que sem o famigerado mensalão nada anda naquele meio promíscuo do Senado Federal. Só para dizer o mínimo.
Eleonora Samara
Capital

Constituição
O presidente Jair Bolsonaro, num rompante, mencionou designar o seu filho Eduardo como embaixador nos Estados Unidos, o mais importante cargo na diplomacia brasileira. Na condição de presidente dispõe de um batalhão de hábeis expertises, mas, sem consultar ninguém, fez a ignóbil declaração. Bolsonaro deve respeito à Constituição, à nossa lei maior, e tal nomeação é uma inaceitável transgressão que não pode acontecer.
Humberto Schuwartz Soares
Vila Velha (ES)

Hotel cinco estrelas
O Senado Federal está votando um projeto de lei que obriga presos ressarcir ao Estado o valor gasto durante reclusão. Há um notório senador petista do Pernambuco que já colocou a boca no mundo contra essa medida. Não demora e estará promovendo uma vaquinha para pagar a estadia do condenado mais honesto e pobre do planeta e que se encontra hospedado em uma suíte presidencial de luxo na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. E, cá entre nós, deve custar os olhos da cara, como se usa dizer. Com ironia, por favor.
José Marques
Capital

Emendas
O governo ter de liberar R$ 2,7 bilhões em emendas parlamentares para conseguir a aprovação da reforma da Previdência é ou não a velha política? Quem fiscaliza onde são gastas estas emendas parlamentares, ou é só para o deputado fazer bonito com o seu eleitorado? Temos o direito de ter as prestações de contas destas verbas. E tem gente que ainda concorda com o aumento do fundo Partidário para R$ 3,2 bilhões? Que desfaçatez.
Tania Tavares

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