Cíntia Bortotto

Saber ouvir: uma joia rara


Por não saber ouvir, as pessoas deixam de assimilar boas informações e ideias, tomam decisões erradas, afastam-se de seus próprios interesses. Aprender a ouvir é o primeiro mandamento para aprender a aprender.

Uma das melhores maneiras de aprender a resolver problemas é buscando opiniões. Selecione pessoas de sua confiança e que tenham maior qualificação – pela cultura, ou idade, ou sabedoria, ou experiência em situações similares. Procure-as e peça sugestões sobre seus problemas. É provável que você tenha agradáveis surpresas – como existem soluções. Muita gente não pensa em usar esse recurso, seja por presunção de saber tudo, seja por não acreditar na capacidade dos outros. Perde grandes oportunidades porque, na maioria das vezes, a solução de um problema pode estar bem ao lado, na cabeça de um colega, parente ou conhecido. Inteligência é saber usar bem os outros, saber aprender.

Frequentemente estamos tão ocupados e ansiosos que somos incapazes de perceber o que os outros estão dizendo. Pior: fingimos ouvir e nem nos damos conta de que não ouvimos. Com isso, deixamos de perceber coisas de extrema importância, como o sentimento das pessoas que nos cercam, suas angústias, seus desejos e problemas. É importante parar de correr, olhar as pessoas no rosto, perguntar-lhes coisas e efetivamente atentar para o que estão dizendo. Esse é o melhor caminho para orientar nossos passos no mundo social que nos cerca – e que é o ambiente no qual desenvolvemos nossa carreira.

Perguntar é melhor se você fizer perguntas pertinentes e interessadas. Demonstrar real interesse pela fala do outro. Não fizer nada enquanto o outro está dizendo coisas importantes.

Nos últimos tempos, com os ares da gerência participativa e da democracia que se alastrou pelo mundo organizacional, tem surgido um vício que deve ser combatido: o ouvir demais! Muitos dirigentes, no afã de criar e manter um clima adequado no trabalho e aproveitar as boas ideias das pessoas, passaram a ouvir mais do que deveriam – e a decidir menos do que deveriam por suas próprias ideias. Como é que alguém pode perceber se está ouvindo demais? Não é fácil, pois tudo é uma questão de medidas sutis – e ouvir é, em sim, positivo. Algumas perguntas básicas ajudam na avaliação: Você tem chamado pessoas de qualificação visivelmente menor que a sua a colaborarem na solução de problemas que exigem refinado julgamento intuitivo? Você tem tido a nítida sensação de que se discute muito e as ideias nunca são sensacionais? Você tem recebido um número muito grande de ideias inexequíveis que vêm exigindo longas explicações de sua parte para não desmotivar o autor da sugestão? Tome cuidado com tudo isso. Ser participativo não é, necessariamente, chamar os outros a colaborar e ouvir ideias deles. Acredite na sua capacidade de julgamento, principalmente se houver uma lacuna significativa de conhecimento e experiência entre você e o pessoal. 

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