Desvendando a economia

A influência das expectativas


Com frequência temos visto, nos noticiários econômicos dos últimos tempos, que a retomada do crescimento da economia depende da melhora das expectativas e da confiança dos agentes econômicos, em especial do setor empresarial, em relação ao ambiente econômico do Brasil. Mas de que forma essas expectativas e confiança podem influenciar o desempenho da economia, com efeitos diretos sobre crescimento e renda, entre outros reflexos?

Esse efeito ocorre porque a atividade econômica depende, em grande parte, do comportamento do setor privado da economia, especificamente de suas decisões de realizar investimentos ou não, de ampliar a produção ou não, de contratar mão de obra ou não.

No sistema econômico atual, vigente na grande maioria dos países do mundo, em que pesem as diferenças regulatórias e dinâmicas, as decisões do setor privado sempre são realizadas tendo como objetivo a obtenção de retornos positivos ao capital privado, frente às incertezas e os riscos inerentes a segmentos e locais de atuação de cada agente privado. O setor privado não se tomará decisões de investimentos ou expansão da produção se julgar elevada a possibilidade de não obter ganhos com os investimentos ou o aumento da produção.

É neste ponto que se insere a influência das expectativas e da confiança. Se houver expectativa de que nos próximos meses e anos a economia tende a se expandir, o setor produtivo buscará adotar decisões no sentido de expandir investimentos e produção. O contrário é verdadeiro.

Neste mesmo sentido, a medida em que o ambiente econômico se mostra favorável à atividade produtiva, ele apresenta trajetória de crescimento e o governo adota propostas sólidas e festivais para o fomento à economia, os tomadores de decisão do setor produtivo tendem a apresentar maior nível de confiança sobre o comportamento futuro. Isso os torna mais dispostos a adotar um comportamento expansionista.

Feitas essas considerações, o que visualizamos no cenário brasileiro atual é uma economia que não consegue retomar a atividade produtiva, mesmo com elevado nível de capacidade ociosa, após retrair mais de 7% entre 2015 e 2016. Em 2017 e 2018, a economia cresceu pouco mais de 1% em cada ano.

No primeiro trimestre de 2019, o PIB apresentou desempenho menor do que o mesmo período em 2018. O boletim Focus das três últimas semanas, publicado pelo Banco Central, apontou pela primeira vez no ano expectativas de crescimento de menos de 1% neste 2019, após começar com expectativas entre 2,5% e 3%.

A política econômica centrada especialmente no esforço de aprovar a reforma da Previdência, cujos impactos fiscais se darão em longo prazo sobre o caixa do governo, tem mostrado pouca efetividade em realizar ações que consigam fomentar a atividade produtiva e de serviços. Pelo contrário. A redução dos recursos a serem alocados em ciência e tecnologia tenderá a ter impactos negativos sobre a produtividade ao longo do tempo, enquanto a baixa eficiência do setor produtivo aponta como um dos entraves para o crescimento da economia brasileira.

Neste sentido, o papel do governo, ao conseguir emitir sinalizações claras e eficientes, é adotar medidas efetivas que apontem para a melhora do ambiente econômico. Do contrário, contribuirá para a redução das expectativas e do nível de confiança dos agentes responsáveis pela tomada de decisão no setor produtivo.


* Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista

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