Economia

Mercedes flexibiliza licença-maternidade


Prevista em lei, a licença- maternidade de quatro meses, a partir do nascimento do bebê, permite afastamento remunerado da trabalhadora com carteira assinada para que ela consiga entender melhor as mudanças na rotina com o bebê e se adaptar a elas. As funcionárias das montadoras da região, no entanto, têm direito a mais dois meses por causa de acordo coletivo da categoria, totalizando seis meses. A Mercedes-Benz, que possui fábrica em São Bernardo, porém, anunciou flexibilização com a opção de a funcionária ficar mais quatro meses, só que trabalhando em meio período.

Ou seja, no total, as colaboradoras que obrigatoriamente ficam os 120 dias em casa podem optar por estender este período por mais 60 dias fora do trabalho ou voltar por meio período por mais 120 dias. Caso ela escolha a segunda opção, pelos quatro meses seguintes ao afastamento vai trabalhar somente quatro horas por dia.

“O nosso intuito é melhorar a qualidade de vida das mulheres e ajudar neste período importante da vida. Neste período, a mãe volta a se ambientar e mantém o contato com o filho. Conforme cada área, ela pode escolher se quer trabalhar à tarde ou de manhã”, destacou o vice-presidente de RH (Recursos Humanos) da empresa alemã, Fernando Garcia.

O executivo pontuou também que o benefício é disponibilizado às empregadas que adotam filhos. “O que a gente quer transmitir para as nossas colaboradoras é que a contribuição da mulher é muito bem-vinda e, para as que não trabalham aqui, é que somos uma empresa que favorece e respeita a mulher”, afirmou.

Garcia contou que o projeto nasceu após conversas com as trabalhadoras. “Estamos sempre atentos a novas ideias e, sempre que é possível implantar uma alternativa simples e que traga qualidade de vida, conversamos e pensamos em um modo de fazer isso”, disse.

A funcionária e integrante da CSE (Comissão Sindical da Empresa) Cris Neves destacou que a demanda partiu principalmente das trabalhadoras do chão de fábrica. “Na linha de produção, um posto depende do outro e ela não pode se ausentar por muito tempo, o que agora essa flexibilização permite”, contou.

Segundo ela, a novidade foi bem recebida pelas trabalhadoras. “Se a opção for a metade da jornada, ela dobra o período de adaptação, e já dá para o bebê ir se acostumando na creche ou com a pessoa que vai cuidar dele. O bacana disso é que existem duas opções, então a trabalhadora pode escolher ficar os últimos dois meses em casa, isso depende da rotina de cada uma”, afirmou Cris, que é mãe de um jovem de 17 anos.

A assistente administrativa Jamille Silva, grávida de sete meses, é uma das funcionárias que poderão optar pelo novo benefício. “Essa novidade é, sem dúvida, muito benéfica. É uma possibilidade de ficar mais tempo com o bebê sem ficar tanto tempo afastada da Mercedes-Benz”, afirmou.

A Mercedes também dispõe de auxílio-creche para crianças até 3 anos de idade, bolsa-escolinha e berçário, ou uma ajuda de custo para a criança que ficar com a família, além da possibilidade de horário flexível e política de home office.


Montadoras concedem seis meses

Na região, todas as seis montadoras oferecem licença-maternidade de 180 dias, ou seja, seis meses. Essa reivindicação hoje já é realidade para 75% das trabalhadoras do setor metalúrgico na região, ou seja, aproximadamente 7.500 do total de 10 mil da base.

Conforme a coordenadora do coletivo de mulheres do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) Andreia Souza, a luta pelo benefício nasceu no Grande ABC, sendo que os dois meses adicionais são concedidos para a maioria das trabalhadoras há cerca de dez anos. “Conseguimos o benefício em duas empresas da região e, depois disso, levamos a proposta para a federação como pauta de reivindicação na campanha salarial. Nós, mulheres, sentamos na mesa de negociação junto com os companheiros, explicando a necessidade de a criança ser amamentada com leite materno até os 6 meses de idade. Os patrões enxergaram isso com bons olhos, até porque, tem a contrapartida de levar um selo de Empresa Cidadã pela atitude”, declarou.

Hoje têm direito aos seis meses de licença as metalúrgicas do setor de autopeças e de fundição. No setor de eletrônicos e máquinas, o benefício é condicionado ao tempo de casa e, no grupo de metais não ferrosos, ele é uma recomendação. Com as montadoras, houve negociação com cada uma delas.

A Volkswagen afirmou que a licença é de seis meses, conforme o programa Empresa Cidadã. A montadora também concede curso de orientação às gestantes, que incluem colaboradoras e mulheres de colaboradores, com psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta e enfermeira. Além disso, a empresa tem sala de apoio à lactante, destinada a retirada e estocagem de leite materno durante a jornada de trabalho, o que viabiliza o aleitamento materno mesmo com o retorno ao trabalho.

A Ford concede seis meses sem planos de mudança no momento. A Toyota também, porém, o RH da montadora japonesa será estudando melhores maneiras de retorno das mulheres ao trabalho após o benefício. A GM (General Motors) optou por não participar e a Scania não respondeu. 

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