Setecidades

Limpeza do Córrego Taióca se torna jogo de empurra na região


 A limpeza do trecho do Córrego Taióca em área que passa dentro da comunidade da Chácara Baronesa, na divisa entre Santo André e São Bernardo, virou jogo de empurra entre as administrações municipais e estadual. Um dos córregos que desaguam no Ribeirão dos Meninos e, depois, no Rio Tamanduateí, o corpo d’água recebe esgoto in natura e grande quantidade de lixo. Santo André atribuiu a responsabilidade de limpeza ao Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), que afirma aguarda a remoção das famílias para executar melhorias.

Ocupação irregular que teve início nos anos 1980, a comunidade está em área integrada ao Parque Estadual Chácara Baronesa e aguarda, há dez anos, pela retirada das famílias e atendimento em projetos habitacionais. As moradias do local – casas de alvenaria e barracos de madeira – não contam com coleta de esgoto, nem abastecimento de água.

Muitos dos barracos estão construídos na beira da água, mesmo em locais onde já foi feita desocupação. “A fiscalização não tem sido suficiente e muitas famílias acabam voltando”, afirmou o líder comunitário David Marinho, 27 anos. “Em alguns locais, devido ao aumento da ocupação, as tubulações não dão conta da quantidade de esgoto e acabam rachando, apresentando vazamentos, o que deixa as pessoas expostas ao contato com esse material”, completou.

Um dos piores trechos está na Rua dos Cravinhos, em São Bernardo. Embora haja caçamba para coleta de lixo no local, moradores jogam todo tipo de entulho – até colchões – dentro do córrego.

Bióloga e professora de gestão ambiental da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes explicou que o Córrego Taióca faz parte da sub-bacia Billings-Tamanduateí e a sua recuperação é essencial para garantir a qualidade das águas na região. “Não adianta investir na limpeza do rio se não há a preocupação com os córregos”, detalhou a docente, que também é coordenadora do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos), que anualmente mede a qualidade da água da represa.

Marta pontuou que diversos estudos apontam que cuidar de rios e córregos tem impacto direto na saúde da população do entorno. “Não dá para esperar que as pessoas saiam para se fazer a limpeza. Esses moradores estão mais sujeitos a problemas gastrointestinais, doenças de pele e respiratórias”, concluiu. “É possível que essas pessoas passem de poluidoras a amigas e protetoras do córrego, mas é preciso a atuação do poder público”, finalizou.

Em nota, a Prefeitura de Santo André informou que a limpeza do Córrego Taióca é responsabilidade do Daee. A autarquia estadual, por sua vez, informou que está realizando o levantamento dos rios e córregos afluentes do Tietê, Tamanduateí e Pinheiros que necessitam de desassoreamento para iniciar as ações. “O departamento aguarda o início da remoção das famílias às margens do córrego pela Prefeitura para executar a limpeza nos trechos onde não é possível posicionar os equipamentos”, pontuou.


A Prefeitura destacou, ainda, que aguarda recursos do governo federal para complementação de 650 metros de canalização do córrego e abertura e pavimentação das marginais, bem como ciclovia.

Comentários


Veja Também


Limpeza do Córrego Taióca se torna jogo de empurra na região

 A limpeza do trecho do Córrego Taióca em área que passa dentro da comunidade da Chácara Baronesa, na divisa entre Santo André e São Bernardo, virou jogo de empurra entre as administrações municipais e estadual. Um dos córregos que desaguam no Ribeirão dos Meninos e, depois, no Rio Tamandua...

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:
Voltar