Economia

Um ano após paralisação, caminhoneiros têm cenário pior


Exatamente um ano após o início da paralisação nacional dos caminhoneiros, que durou 11 dias e inverteu a curva de recuperação da economia, o cenário está pior para a categoria. Isso porque o preço do diesel voltou a subir e a tabela do frete, apesar de ter criado espécie de piso salarial para os autônomos, não teve impacto na geração de empregos, situação agravada pela estagnação econômica, o que reduziu a demanda pelos serviços dos profissionais.

No Grande ABC, as perdas com a greve chegaram a R$ 2,4 bilhões, o que representa 10% do valor PIB (Produto Interno Bruto) Industrial, segundo estimativa do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

De acordo com o economista e coordenador do Conjuscs, Jefferson José da Conceição, a paralisação mostrou elementos de fragilidade das economias nacional e regional. “O primeiro deles é a dependência deste modal de transporte no que tange ao frete de mercadorias, que é resultante do sucateamento das estradas de ferro e do baixo grau de utilização do transporte fluvial. A revitalização das estradas de ferro favoreceria em muito a diversificação e a complementariedade de modais. Tal revitalização seria importante para incrementar diretamente a competitividade do Grande ABC, já que a conexão entre São Paulo e Santos passa por nossa região”, afirmou.

Segundo ele, apesar de os caminhoneiros mostrarem a sua força e terem algumas reivindicações atendidas, como a “maior transparência nos preços da Petrobras e criação do cartão caminhoneiro (que reduz as variações de preços para os motoristas), também é verdade que, hoje, os preços do combustível se aproximam do patamar da época da greve”, disse.

PLEITOS - O principal pleito da categoria era a redução do valor do diesel. À época, a política de preços da Petrobras com reajustes diários impactava no combustível, que custava média de R$ 3,89 o litro na região, na semana da greve, e no planejamento dos profissionais. O ex-presidente Michel Temer (MDB) cedeu à pressão e reduziu o preço do óleo, além de subsidiar parte de seu valor. Porém, o atual governo optou por não continuar com essa política.

Atualmente, a média do preço do combustível da região é de R$ 3,53 o litro, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Combustíveis), mas pode chegar a custar até R$ 3,75, ou seja, se aproxima do patamar de um ano atrás. “Ficou cada vez pior. Apesar de o diesel ter ficado mais barato por um tempo, os preços voltaram a subir. Além disso, a economia não está girando, o que prejudica o nosso setor”, afirmou o caminhoneiro Reis de Oliveira, 46 anos.

Outra reivindicação atendida foi a tabela de frete, que estabelece valor mínimo para o transporte, dependendo da distância e do tipo de carga. Até julho, a ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres) vai definir novos valores, já que a categoria afirma que a atual não cobre os custos do modal.

“A mudança foi só nos primeiros meses, agora já voltou a ser o que era. Tem gente que não cumpre a tabela de frete e coloca o preço abaixo dela, e quem tem caminhão financiado acaba aceitando carregar por menos para pagar as parcelas. Além disso, a tabela foi um tiro no escuro, porque as transportadoras grandes estão comprando caminhão e contratando motorista e nós, autônomos, estamos sentindo bastante isso”, contou o caminhoneiro Rafael Trevisan, 33.

PERDAS - Segundo o diretor do Setrans (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Grande ABC) Fábio Brigídio, a economia passa por momento de estagnação. Por conta disso, a maioria das empresas está operando com frota própria e há menor circulação de autônomos. “O nosso setor anda de mãos dadas com o da produção. Quando cai o consumo, cai a produção e não tem o que transportar, o que faz a frota ficar ociosa”, disse.

Tanto que, passado um ano da greve, setores ainda amargam prejuízo. Segundo o presidente da Aeceasa (Associação das Empresas da Ceasa do Grande ABC), João Lima, as perdas do período não foram recuperadas. “O que se perdeu ficou para trás, até porque teve muita carga que estragou. A greve deixou grande prejuízo para o País”, afirmou. “Agora vivemos sob a pressão de acontecer alguma outra paralisação o tempo todo”, disse.

Brigídio citou que de aproximadamente 1.000 empresas de transporte localizadas na região, 70% estão parcelando impostos, principalmente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). “Tudo isso por conta da greve e da baixa atividade econômica. A perda é muito e grande, quanto maior a frota, maior a perda, porque o custo do transporte é muito alto”, justificou.
 

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