Setecidades

Falta d’água ameaça seis cidades da região


 Os cerca de 2,7 milhões de habitantes do Grande ABC correm o risco de ficar sem água até 2035, segundo estudo da ANA (Agência Nacional de Águas) produzido em conjunto com Ministério do Desenvolvimento Regional.

Conforme relatório elaborado pelo órgão, cidades da região – com exceção de Rio Grande da Serra – constam no mapa de áreas com indícios de risco hídrico, ou seja, podem não ter disponibilidade suficiente de água ao longo dos próximos 16 anos para o pleno atendimento de suas demandas caso nenhuma obra de saneamento seja feita até lá para ampliar a produção.

As contas se baseiam no índice de segurança hídrica elaborado pela ANA. O documento aponta a quantidade de moradores em risco ao levar em consideração a oferta de água do município, com base na vulnerabilidade dos mananciais que atendem a área e no potencial dos estoques de água.

No levantamento, três municípios da região aparecem com o risco mínimo de oferta de água: São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires. Outras três cidades aparecem com grau baixo: Santo André, São Bernardo e Diadema. Ou seja, nenhuma cidade oferece garantia para abastecimento de sua população no período analisado.

Embora o volume dos principais reservatórios do Estado esteja acima do registrado em 2015, ano marcado pela maior crise hídrica de São Paulo, o levantamento mostra que a região pode sofrer novo colapso de abastecimento devido à instabilidade hídrica de seus mananciais. “O estudo tem como base o processo de mudança climática, que em algumas regiões tem diminuído devido a baixa precipitação de chuva, o que afeta diretamente alguns reservatórios”, aponta Carlos Perdigão, coordenador da superintendência de planejamento de recursos hídricos da ANA.

No caso do Grande ABC, a situação, segundo o mestre em tecnologia ambiental João Carlos Mucciacito, tem sido agravada após a transposição entre os sistemas Rio Grande e Alto Tietê, realizada há pouco mais de três anos pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que permitiu, até janeiro, o envio de 100 milhões de metros cúbicos de água da Represa Billings para abastecer cidades daquela região, o equivalente a 100 trilhões de litros. “O Estado precisa realizar novas transposições e investimentos na Billings, caso contrário, ficaremos sem água”, afirma. O especialista cita, ainda, os recentes problemas de abastecimento enfrentados por municípios da região.

Para combater o problema, o Plano Nacional de Segurança Hídrica propõe a realização de série de obras nos próximos anos. A conta é que a cada R$ 1 investido em segurança hídrica, outros R$ 14,56 poderão ser gerados em benefícios para a população brasileira, como a minimização de perdas econômicas causadas por cheias e secas.

 

Sabesp discorda de risco apontado por estudo

 

Responsável pelas principais obras de abastecimento do Estado, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) disse não concordar com a perspectiva de risco apontada pelo citado relatório, já que medidas vêm sendo tomadas justamente para garantir o abastecimento da população a médio e longo prazos.

No caso de municípios da região, a companhia diz que a segurança hídrica está garantida por obras como o Sistema Produtor São Lourenço e a Ligação Jaguari-Atibainha, que constavam inclusive no Plano da Macrometrópole, com horizonte de 2035, e foram antecipadas. Exemplo dessa segurança é que em 2018 ocorreu uma seca tão severa quanto a de 2014 e 2015 e em São Paulo nem se percebeu o fenômeno no que se refere ao abastecimento. “Ou seja, as intervenções realizadas e as obras criaram resiliência em todo o processo”, aponta a companhia.

A Sabesp reforça que o Sistema Metropolitano de Abastecimento é integrado e, portanto, todos os investimentos realizados para a segurança hídrica na Região Metropolitana beneficiam também os municípios do Grande ABC.

Especificamente nos municípios de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, a companhia informa que os investimentos somam R$ 133,7 milhões nos últimos três anos.

Visando justamente acabar com os problemas no abastecimento de água da cidade com projeção de investimento em sua rede, a Prefeitura de Santo André apresentou projeto de lei pedindo autorização da Câmara para firmar parceria com a Sabesp com o objetivo de repassar os serviços de oferta de água e coleta de esgoto a Sabesp. Há a perspectiva de aporte voltado para a melhoria da rede de água do município na ordem de até R$ 700 milhões para obras.

 

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