Cíntia Bortotto

Gestão de pessoas na era da consciência


Uma das preocupações da era da consciência é colocar a tecnologia a serviço da humanidade. As pessoas têm buscado trabalhar em empresas que tenham o propósito conectado com o seu. Claro que todas as empresas precisam de lucro para sobreviver, mas a pergunta que tem sido feita é: com tanta tecnologia, depois que se garantia o lucro combinado com o acionista, qual mais é a contribuição dessa organização com a sociedade?

Sim, pessoas têm mudado de emprego por conta disso. Processos seletivos de trainees em grandes corporações ficaram esvaziados há alguns anos porque o desejo de muitos dos formandos não era trabalhar em grandes empresas que buscam o lucro acima de qualquer coisa. Eles queriam algo que os conectasse. A economia colaborativa e várias das soluções que veem dela, tais como Uber, Airbnb, Wikipedia, entre outros, tem tanta força que remodelam indústrias.

Neste novo contexto, como gerir pessoas? O que temos percebido é que modelos muito hierarquizados, que trabalham em silos, com burocracia não funcionam neste mundo novo. Eles normalmente não colocam a experiência do cliente no centro da estratégia da empresa, o que a coloca em desvantagem em relação à concorrência. Assim sendo, à gestão cabe, entre outros pontos, estimular a adaptação ao mercado, necessidades do consumidor e ter um comportamento flexível, adequado à volatilidade dos dias atuais.

A visão holística que não separa mais ‘ser humano profissional’ de ‘ser humano na vida pessoal’, como era no passado, ajuda a entender e motivar os colaboradores que, sim, são completos, complexos, enfim, humanos, com toda a singularidade e beleza que cada um tem.

Isso não torna a vida do líder mais fácil, ele tem que estar próximo e entender seus colaboradores, saber como são, do que gostam e o que os deixa mais motivados e consequentemente produtivos. Ele sabe que funciona como um elo. A inteligência emocional é muito exigida dos líderes atualmente. Eles não podem se sentir inseguros, ou isso atrapalhará modelos mais ágeis que atuam em rede com parte do trabalho sendo feito por empregados da empresa, parte do trabalho sendo feito por terceiros, parte por PJs (Pessoas Jurídicas), parte por colaboradores intermitentes, ou seja, essa pluralidade de possibilidades de relações de trabalho faz com que o ambiente fique mais complexo. A exigência de confiança e delegação, ou seja, empowerment, torna-se condição sine qua non atualmente.

Mas delegar sem acompanhar e não permite a este líder cumprir todo o potencial de seu papel. Este tipo de acompanhamento diminui o risco do ‘microgerenciamento’, o que normalmente não é algo que agrada às novas gerações. O líder neste novo contexto gere pessoas de forma participativa, escutando, trabalhando em equipe, de maneira colaborativa, envolvendo diversos pontos de vista. Por mais complexo que isso seja, ele é habilidoso para lidar neste cenário.
 

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