Cotidiano

É sempre bom ver televisão


A televisão tem sido, há décadas, aparelho indispensável nas casas deste meu rico e idolatrado morro, em cujo barracão a gente alegre e distraída samba toda a sua angústia ano inteiro, a vida toda, aliviado só por se imaginar personalidade do meio artístico, seja passista, mestre-sala ou porta-bandeira. O sonho da pessoa humilde diante da TV.

Sempre fez parte da família a tela, antes em preto e branco, que leva para o seio do lar toda sorte de diversão, que faz brilhar os olhos do telespectador afoito pelo circo que lhe preenche a alma. Gente capaz até de deixar o bom e velho arroz com feijão esfriando para se sentar à frente dela e degustar de seus programinhas ordinários, por horas. Claro que normalmente o prato de comida acompanha a diversão, embora, acabe por perder o sabor perante a atenção que não desgruda da novela, do futebol ou do jornalismo tacanha que exerce bem o seu papel de desinformar.

E muito tempo se passou desde a televisão surgiu e se apoderou da vida das pessoas, criando uma prática que consumiu a inteligência de gerações. O povo, quase nada habituado à leitura, se lambuza de futilidades sem notar as intenções e as tramas nos bastidores dos entretenimentos e dos jornais. É gente bem paga no comando do meio de comunicação que vem sustentando, agora a duras penas, uma hegemonia sobre os demais veículos. São eles que determinam o que deve descer goela abaixo do telespectador, sempre de olho no poder ainda maior que financia o movimento das massas.

E foi todo esse aparato que criou um estado de normalidade na vida da população. Por ser presença constante nos lares brasileiros, a televisão exerce ainda, sem piedade, uma influência sobre o indivíduo, levando-o a sonhar, a consumir, a desejar, a gostar e odiar, a apoiar, a eleger...

E o pobre se torna mesmo impotente diante da magia televisiva. Jamais lhe ocorre, por exemplo, considerar a necessidade de filtrar o que lhe chega, cheio de brilho e intensidade. Talvez não sobrasse nada, se o fizesse. De qualquer forma, seu olhar míope sempre tomou como diversão e informação aquilo que tange o seu caminho, que direciona os seus olhos para o que é conveniente que assista e que assimile bem.

Mas nem tudo está perdido. Agora mesmo, neste século XXI, uma aurora promete mudar o rumo dos fatos e nos fazer enxergar que há uma saída! Um novo horizonte nos acena, enfim, com a salvação que vem para livrar esse povo da supremacia televisiva. Apesar de também se utilizar do mesmo aparelho, esse novo recurso oferece diferentes programações, de acordo com o gosto de cada um. Imagine! Logicamente que me refiro à internet, que carrega consigo muita coisa boa e muito lixo também. A diferença é que com este é possível escolher! Com a televisão, só lhe resta a opção de mantê-la desligada.

É bom ver que rapidamente vem descobrindo esse universo de sonhos, o telespectador, aquele apreciador contumaz de um programinha à frente da tela cada vez maior, de alta definição. Já sabe, afinal, que não depende mais da TV aberta para o seu entretenimento. Boas novas, sem dúvida!

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