Setecidades

O tempo anda quente por aqui


O tempo ainda está quente. Embora a temperatura esteja mais amena, o calor dos trópicos ainda se faz sentir no coro do brasileiro. Bem própria de como deve ser no outono, contudo, a temperatura segue bem comportada e não promete grandes surpresas tórridas.

É assim que as estações do ano funcionam. Pelo menos é o que entendemos a respeito delas desde que o habilidoso professor do passado distante nos ensinou, se não me falha a memória. Bons tempos aqueles em que nada sabíamos acerca dos tropeços da vida e das estações. Por esta razão, creio que éramos felizes.

Mas tudo mudou e o clima esquentou. Esquentou e continuará esquentando para todo mundo, a despeito do inverno que se aproxima no Hemisfério Sul. Não há mesmo previsão de frio, tendo em vista os ânimos exaltados das pessoas que vivem a era da incerteza, com o coração sempre apertado e farto das notícias ruins, que trafegam livremente por seus átrios, frágeis estruturas incapazes de se desligar dos vários canais de comunicação de que dispõe a sociedade. Verdadeiros mananciais de onde brotam, sem piedade, mensagens de desalento, dia a dia.

Mas ainda há esperança. Este, aliás, é termo que dificilmente cairá em desuso, vindo a desaparecer do dicionário, como aconteceu com tantos que outrora povoaram o discurso de famosos escritores. É, pois, função da esperança cuidar para que não falte no peito dessa gente toda ensejo qualquer que lhe permita ver um santo descer de sua nuvem para fazer um milagre e calar de vez a estupidez atroz que detém o poder sobre esta rica e espoliada nação. E o mais grave é que esse poder não tem capacidade para perceber que engorda um monstro, sobre o qual perderá o controle em futuro não muito distante. E que também será engolido por ele.

Mas ao povo simples, cabe apenas se refestelar com uma vida inteira dedicada unicamente às privações e às frustrações, tudo digerido com naturalidade, já que aceita como sina a existência dura, amenizada pelo futebol e pela televisão, que ilude ao exibir uma vida de fartura e luxo, privilégio de poucos. É assim que a gente humilde se alimenta da beleza que os canais televisivos propagam por meio das novelas, dos programas ordinários de auditório e dos comerciais.

E então, devagar, o navio naufraga, levando consigo os que sempre sonharam e ainda sonham com um futuro melhor.

Mas a escalada do horror não para por aí. Agora, por exemplo, uma pequena parcela da população já começa a acordar para a realidade de que prioridade para as pessoas que detêm o poder nesta pátria de meu Deus é mesmo a derrocada da educação, o aniquilamento completo da cultura, da arte, do conhecimento, de tudo que está ligado à evolução do ser humano.
 

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