Palavra do Leitor

Viva o ufanismo


Artigo

Em 13 de abril celebramos o Dia do Hino Nacional Brasileiro. Em 19 de abril, o Dia do Índio. Em 21 de abril, o Dia de Tiradentes. Em 22 de abril, o Descobrimento do Brasil. Este artigo, publicado em mês tão exuberante em datas cívicas, não pode fugir do compasso. Os mais velhos (eu pertenço a esse grupo) lembram-se de livro que nos fazia ter orgulho da condição de brasileiro: Por Que Me Ufano do Meu País. Afonso Celso, o autor, começava por realçar nossa grandeza territorial, este Brasil imenso que vai do Oiapoque ao Chuí.

Depois Afonso Celso exaltava a beleza do Brasil: o Rio Amazonas, a Cachoeira de Paulo Afonso, a Baía da Guanabara, a Floresta Tropical na sua pujança inigualável. Mesmo quem não tinha visitado esses lugares ficava com os olhos marejados de encantamento com a descrição que o escritor fazia de nossas plagas. Então, Afonso Celso começava a falar das riquezas naturais, do subsolo ainda inexplorado, do Brasil como celeiro do mundo. Ele não se esquecia de timbrar na amenidade e variedade do clima. Quase de joelhos, agradecia a Deus o fato de estar nosso País livre de vulcões, terremotos e outras catástrofes.

E vinha depois o elogio da miscigenação, raças que se fundiram – índios, negros e portugueses –, cada uma com suas virtudes, gerando o mestiço brasileiro. Refutando a versão de que degredados povoaram o Brasil, disse Afonso Celso que vieram para este solo heróis expulsos de outras terras pelos sonhos de liberdade. Também exaltou o nosso Afonso, como característica nacional, o procedimento cavalheiroso com outros povos. Não se esqueceu de reverenciar os fatos de nossa história – os bandeirantes, palmares, a Independência, a missão civilizatória dos jesuítas, o grande monarca que foi Dom Pedro II. Com tanta injeção de civismo, outro não podia ser o resultado: éramos todos patriotas, cantávamos com a alma o Hino Nacional, estávamos dispostos a qualquer sacrifício que a Pátria nos pedisse, preferiríamos morrer antes de algum dia nos tornarmos corruptos. Depois Afonso Celso foi ridicularizado. Criou-se, a partir do título do seu livro, a palavra ufanismo com o sentido pejorativo que Aurélio e Houaiss registram: vanglória desmedida, patriotismo excessivo.

Será que Afonso Celso exagerou? Será que a dose de intensa brasilidade, que seu livro infundiu, trouxe prejuízo ao País? Não partilho da visão negativa que se oponha a Afonso Celso. Abundância de brasilidade não causa dano. Ausência de brasilidade, isto sim é lástima. Houvesse brasilidade sincera, não teríamos falcatruas, compra e venda de votos, traição aos interesses nacionais. Resgatemos o ufanismo de Afonso Celso: ‘Moro num País tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza’. (Jorge Ben Jor).

João Baptista Herkenhoff é juiz de direito aposentado (Espírito Santo) e escritor. 

Palavra do Leitor

Metrô – 1
Acompanho essa novela, que teve início em 2012, com promessa de entrega do capítulo final para 2014 e 2015, e que até agora não decidiram como será o desfecho sobre a Linha 18. Será que o governador João Doria tem noção de como ficam alguns trechos por onde irá passar a Linha 18 em dias de chuva para querer mudar o projeto para BRT? Já imaginaram o corredor do BRT alagado? Se os ônibus convencionais, que são altos, sofrem com enchentes, imaginem o BRT! Moro na divisa entre Santo André e São Bernardo, na Vila Valparaíso, e, sinceramente, não teria coragem em utilizar esse modal em dias de chuva. Se quiser fazer algo para servir à população, primeiro escute-a para entender um pouco das necessidades dela.
Euripes S. de Aquino Junior
Santo André

Metrô – 2
Sobre a ligação do Grande ABC à Capital, o governo do Estado não tem caixa para bancar qualquer um dos dois investimentos, Metrô ou BRT (sigla em inglês de ônibus de alta velocidade). Terá que recorrer a empréstimos junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ou a instituições financeiras do Exterior. E para que isso se concretize é preciso que o Congresso aprove o empréstimo. Isso demanda tempo, diante da burocracia existente no Poder Legislativo da Nação. Estou quase certo de que João Doria irá mesmo escolher o tal de BRT e ‘empurrando com a barriga’ até o fim de seu mandato. Não sou pessimista. Sou realista e conhecedor dos trâmites da máquina estatal e das maracutaias de muitos dos nossos políticos.
Arlindo Ligeirinho Ribeiro
Diadema

Abandonada
São Bernardo virou realmente calamidade! Diariamente aparece nas notícias. Depois das enchentes, o abandono de Rudge Ramos, bairro onde bombas não funcionaram e as vítimas não conseguem tirar o fundo de garantia. Agora a água turva (Setecidades, dia 23)! A Prefeitura continua como sempre: calada! Basta chegar a São Bernardo via Imigrantes para ver a calamidade! Vindo da baixada já se encontra fila com começo a centenas de metros antes da Estrada Samuel Aizemberg. Nessa via falta asfalto entre os buracos, a sinalização horizontal inexiste, lombadas não estão pintadas e o trânsito é horroroso. Chegando ao viaduto sobre a Castelo Branco (também intransitável) vê-se indicado desvio. Este viaduto foi entregue há meses, mas está mais interditado por obras que aberto. O planejamento desse viaduto deve ter sido feito por crianças, de tão malfeito!
Serge Rene Vandevelde
São Bernardo

Onda de assaltos
Estamos passando por onda de assaltos à mão armada no bairro Valparaíso, em Santo André. Bandidos agem com violência para roubar celulares, bolsas, carros etc. Tenho vizinhos que foram agredidos de forma violenta. Há praça situada na Rua Mirassol com a Rua Navajos na qual muitos assaltos acontecem, tem frequentadores usuários de drogas e onde houve caso até de tentativa de estupro. Infelizmente cidadãos do bem estão enjaulados em suas casas, enquanto os bandidos estão livres. E as autoridades que deveriam ser competentes pouco se importam. Até quando?
Ronaldo Felippe da Silva
Santo André

Mimimi
A chiadeira das ONGs estrangeiras contra o desmatamento no ‘Brazil’ pode se resumir em uma frase: ‘Farms here, forest there’. Grupos estrangeiros financiando ONGs para inibir o agronegócio brasileiro, com o qual eles não querem nem podem competir. Tá na hora de acabar com a blague dos anos 1970 de que ‘brasileiro é tão bonzinho’.
Cláudio Juchem
Capital

Sabesp
Estou indignada com o descaso da Sabesp em relação à população. Tenho em meu lar meu marido tetraplégico (acamado) e também minha mãe acamada devido a AVC (Acidente Vascular Cerebral). Dia 23 a Sabesp fechou a água e até ontem à noite não havia reaberto. Liguei diversas vezes, tanto no 195 (protocolo 19531738630419) quanto na ouvidoria (protocolo 1427086) e a resposta é sempre a mesma, ou seja, colocam gravação dizendo que a água voltaria pela manhã. Mas ao ligar à tarde a gravação dá como previsão a noite. Sem água na caixa e com grande quantidade de lençóis e roupas estou aqui, sem saber o que fazer.
Conceição Aparecida Rosa
São Bernardo

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