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De olho em mudanças rumo à depressão


Sentir-se triste, desanimado e se isolar, às vezes, fazem parte da natureza do ser humano e (quase) aprendemos a administrar tudo ao longo da vida. O que foge da normalidade e é preciso ficar em alerta é a intensidade que esses sentimentos dominam, em especial, os adolescentes, justamente em período no qual as pessoas atravessam fase de descobertas, indagações e muitas reflexões.

Segundo relatório mais recente da Opas/OMS Brasil (Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde), estima-se que, do total da população mundial (por volta de 7,6 bilhões de pessoas), cerca de 300 milhões de indivíduos sofrem do transtorno chamado depressão. Estudos apontam que 50% desses doentes perceberam início da complicação antes dos 18 anos.

“O que vivemos é um fenômeno social. Temos jovens que levam o transtorno à última consequência e tiram a própria vida. Esse é o segundo motivo pela morte de adolescentes no mundo”, afirma o psicólogo Rafa Dutra, também professor da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) na área de psicologia educacional e co-fundador do Instituto de Psicologia do Grande ABC. “Por isso, não podemos encarar como um problema individual. Precisamos enxergar o que esses jovens estão nos dizendo sobre a sociedade que eles se negam a viver”, elucida o profissional.

O mundo voltado ao trabalho, competitividade e à individualidade talvez mostrem características que as atuais gerações não aprovem, com o resultado sendo o adoecimento. Valores sociais, como cooperação e a solidariedade, parecem ficar de lado na medida em que muitas pessoas se sentem sozinhas.

Os sintomas da depressão são relativos, principalmente pelo fato de que existem jovens que são quietos por natureza e, não necessariametem, lidam com problemas. Segundo relatório da Opas, “indivíduo com episódio depressivo leve terá alguma dificuldade em continuar trabalho simples e atividades sociais, mas sem grande prejuízo ao funcionamento global. Já durante episódio depressivo grave, é improvável que a pessoa afetada possa continuar com atividades sociais, de trabalho ou domésticas”. Dutra diz que é preciso que os pais e amigos fiquem de olho quanto a mudanças das características, comportamentos radicais e até alterações no ambiente escolar. “O isolamento é ponto importante porque, nessa fase, estão em movimento de enfrentamento do mundo, compreensão e questionamentos intensos. Isso, por vezes, gera afastamento dos pais, mas não é regra.”

FAMÍLIA - Outro alerta fica por causa do pouco contato que as famílias podem ter entre seus integrantes, o que afeta de maneira ainda mais intensa crianças e os jovens. “Os pais trabalham o dia todo e as crianças também ficam grande período na escola. De noite, o grupo está cansado e pouco conversa. Quando não, ficam imersos nas telas de celulares. No caso contrário, quando pais e responsáveis têm bom vínculo com a criança ou adolescente, o diagnóstico de qualquer problema é feito rapidamente, porque mudanças no comportamento são mais facilmente percebidas.”

O diálogo entre familiares e a pessoa que passa por complicações ajuda a resolver momento de tristeza, e, inclusive, a prevenir que ela desenvolva um quadro depressivo. Quando essa ajuda domiciliar não é suficiente, deve-se procurar a área médica, como os psicólogos e/ou psiquiatras, para início de terapias, por exemplo. Em casos graves, o uso de medicação é recomendado, mas sob avaliação.

É importante que as pessoas saibam que, em todos os municípios, há os Caps (Centros de Atenção Psicossocial), capazes de atender crianças, adolescentes e adultos. Outra ajuda ocorre por meio de centros de psicologia existentes em determinadas universidades.

Sessões de terapia e início de atividades físicas, por exemplo, são capazes de reverter casos de depressão. Ficar de olho em mudanças e responder a elas se mostram essenciais. 

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