Memória

O tropeirismo e o Ciclo do Açúcar


Pela Borda do Campo passava a produção paulista

É errado dizer que cidades como Santo André e São Bernardo “do Campo” são quatrocentonas. Afinal, a Vila de Santo André da Borda do Campo (1553-1560) teve vida efêmera.

Também não é correto afirmar que São Caetano tenha apenas 140 e poucos anos, contados a partir da chegada dos primeiros imigrantes italianos, em 1877. Desde a primeira metade do século XVIII, os beneditinos já estavam por aqui.

De qualquer modo, é correto afirmar que o espaço hoje conhecido como Grande ABC marcou, sobremaneira, os primeiros tempos brasileiros. Por aqui, desde sempre, se registrou a passagem de viajantes e mercadorias, inclusive pela lendária trilha do Peabirú, interligando os Oceanos Atlântico e Pacífico.

Na entrevista que gravamos com o professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do IHGSP (Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo), e que pode ser assistida no DGABCTV, temas como o Ciclo do Açúcar e Tropeirismo são abordados. Fica fácil de entender. Acompanhem.

AMANHÃ

De tantas em tantas léguas, os pousos

No caminho, o Grande ABC

Da aula do professor Jorge Cintra

No IHGSP nós fizemos um curso, que será relançado, da História de São Paulo no Brasil. São Paulo como um todo. Convidamos o Adilson (Cezar), do IHGGS (Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba), para falar de Sorocaba; a Marly (Therezinha Germano Perecin), do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba), para falar de Piracicaba – e ela fala de Piracicaba como um exemplo do nosso caipira.

Cito as duas cidades por elas terem institutos históricos. Então os expositores falam de modelo de cidade, que são as Festas do Divino, as navegações pluviais. Sorocaba é o tropeirismo.

O tropeirismo vem do Rio Grande do Sul. Passa por todo o Sul a história das tropas. Elas entram por Sorocaba, chegam a São Paulo, vão para Minas Gerais, vão para as fazendas. Das fazendas trazem o açúcar que vai para Santos.

Partimos do particular, mas a ideia é focalizar o Brasil.


DIÁRIO - Neste contexto, temos o Grande ABC, uma região formada por sete municípios, que faz parte da Região Metropolitana de São Paulo. Ponto de passagem histórica e por onde passou dom Pedro há quase 200 anos. Este fato é que tem trazido o IHGSP, e particularmente o professor Jorge, à região.

Exatamente. Hoje viemos à região para a continuidade do estudo que estamos fazendo sobre o trajeto de dom Pedro.

O projeto maior é o das tropas. Isto é um facilitador, porque dom Pedro veio por onde passavam as tropas.

Nós estamos em pleno Ciclo do Açúcar. O açúcar vinha de Porto Feliz, Araritaguaba (freguesia), Itu, Mogi Mirim, Jundiaí, passava por São Paulo, onde esses caminhos se concentravam. E de São Paulo seguiam para Santos. Esse é o caminho das tropas e o caminho do açúcar, antes do caminho do café. A atividade ressuscitou São Paulo. 

A Capitania de São Paulo estava em baixa. Ela foi desmembrada. Retiraram, de São Paulo, Minas Gerais – o ouro de Minas, com o governo sempre ficando com a melhor parte; depois descobriu-se ouro em Goiás – Goiás é tirado de São Paulo; ouro em Cuiabá – perdemos o Mato Grosso; São Paulo perde, um pouco mais tardiamente, Santa Catarina e o Paraná; finalmente, a Capitania de São Paulo, esvaziada, é subordinada à Capitania do Rio de Janeiro.

São Paulo ficou sendo, tecnicamente, uma capitania subalterna, de segunda categoria. Resultado: não se exportava nada. Era uma economia de subsistência: a galinha, o arroz, o feijão e mais nada.

Aí vem um governador operante, o Morgado de Mateus: “precisamos mudar isso”. Como é que vamos fazer essa mudança. Ele escolheu o produto açúcar, “e vamos exportar”.

O porto vai ser o de Santos. Nem Ubatuba, nem Parati. “Vamos concentrar em Santos”.

Era preciso as duas coisas, importação e exportação, para baratear custos. E também a logística. O açúcar de Itu vale menos no mercado internacional porque chegava molhado e empelotado. Ao longo do caminho chovia. Havia o sereno. Era formada uma casca, uma crosta no açúcar, que empelotava. O que fazer: serão construídos pousos ao longo do caminho.

HISTÓRIA

O governo paulista passa a desenvolver um plano de fixação de suas populações em áreas exploradas da capitania, e começa a fornecer incentivos à lavoura e à indústria. 

O plantio da cana-de-açúcar é estimulado nas áreas a sudeste da capital, e grandes fábricas de tecelagem e fundição são instaladas. 

Em 1792, a abertura da Calçada do Lorena, importante obra de engenharia do período colonial, ligando as cidades de São Paulo e Santos, forneceria condições adequadas para o transporte de açúcar e de outros gêneros alimentícios produzidos no interior da capitania. 

São Paulo é beneficiada por sua posição geográfica estratégica, como encruzilhada natural das vias de circulação entre o interior e o litoral da colônia. Afirma então seu papel de centro comercial, através do qual se fazia o escoamento da produção, rumo ao porto de Santos.

Cf. Bruno Izaías da Silva, graduado em História pela UNIVÁS (Universidade do Vale do Sapucaí), 2008; “Ciclo da Cana-de-Açúcar”, in InfoEscola.

Memória na TV

Entrevista da semana: professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

No ar: www.dgabc.com.

Aulas anteriores

1) O Grande ABC redescoberto

2) São Paulo ganha um instituto histórico

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