ABC da Economia

Rede FabLab da região


A experiência do programa ‘InnoBAdora’ da cidade de Barcelona, na Espanha estimula a sinergia entre vários tipos de trabalhos tecnológicos colaborativos em uma rede que congrega jovens em início de carreira, desempregados e estudantes. Em texto que apresentei no Observatório da USCS, discuti a possibilidade de programa semelhante no Grande ABC, destacando a importância do poder público na estimulação de atividades produtivas.

O Grande ABC, a partir de 2011, enfrenta um impasse produtivo com severas consequências para sua população. Observemos que até 2017 (dados consolidados a partir da Pesquisa Emprego e Desemprego da Fundação Seade/Dieese), o PIB regional apresentou forte queda – cerca de 40% no período, com atualização IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no Banco Central –, mais ainda com significativa participação na indústria metalmecânica e, contrapondo-se, com rendimento médio em declínio.

Outro indicador importante comprova que o número de desempregados saltou de 9,9% da PEA (População Economicamente Ativa) em 2011 para 17,7% em 2017. Além disso, tivemos ainda um aumento no número de habitantes em cerca de 200 mil pessoas, ou seja, quase 8% neste período.

O enfrentamento desses desafios, em economias nas quais a lógica burguesa é claramente dominante, apresenta o poder público e suas estratégias como um dos suportes para a reversão deste quadro. Não queremos enfatizar a importância do protagonismo municipal em um país com relações produtivas tão particulares como o Brasil, mas, em suas competências, identificamos o olhar regionalizado como uma das alternativas às soluções que se resumem às generosas políticas de subsídios.

Os desafios para a permanência e transformação da base produtiva de sua economia, de acordo com características e dinâmicas da reprodução das relações capitalistas específicas da realidade do Grande ABC, é mais uma das faces das tensões entre capital e trabalho.

Uma experiência que merece ser observada com atenção é a de Barcelona, a qual resumidamente estimula novas dinâmicas de produção a partir de desempregados, empreendedores, jovens em início de carreira e instituições de ensino e pesquisa. Ou seja, trabalha-se a partir dos conhecimentos adquiridos e nem sempre aproveitados de vários setores da sociedade.

O InnoBAdora, que é um programa catalão, promove a sinergia de projetos de inovação socioeconômica. Em resumo, são comunidades incubadas que criam iniciativas de trabalhos comuns e compartilham suas experiências. Entra algo que é sempre bem-vindo ao capital, ou seja, a inovação – que nesse caso permito-me não relacioná-la com aumento de produtividade – somando-se às expertises de diversos grupos sociais.

Neste contexto, e ainda retornando ao Grande ABC, a implantação de uma rede intermunicipal de espaços para manufatura digital, os FabLabs, que aproximem estudantes, escolas, empreendedores e desempregados, pode representar uma oportunidade ímpar em uma região que possui tradição industrial tão presente.

Sobre a distribuição territorial, recomendamos aderência ao número de habitantes de cada município, de modo que atinjamos nove FabLabs no Grande ABC: dois em Santo André; dois em São Bernardo e um em uma das demais cidades (São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), implantados em até seis meses, funcionando em rede e preferencialmente localizados próximos à conexões de mobilidade.

Esses locais seriam escolhidos pelas municipalidades a partir de espaços que atendam esses requisitos, transformando-se em um produtivo ponto de encontro e troca de experiências. Seria também importante uma agenda comum entre os municípios de modo que se garanta implantação em prazos integrados e estabelecendo-se uma Rede FabLab ABC.

A configuração básica recomendada, com utilização de softwares livres, a partir do FabLab que estamos montando na USCS (Universidade Municipal de São Caetano), por exemplo, inclui duas impressoras 3D (para produção de próteses, peças, elementos de construção, entre outros), uma fresadora router CNC, com dimensões de 2 x 3,50 metros, que trabalhe com madeiras, plásticos, MDF, chapas em geral e uma laser de gravura, com três eixos, 1,50 X 0,50 metros, com corte ótico (a laser), para trabalhos em acrílico, tecidos, chapas. O investimento total previsto é de cerca de R$ 1,8 milhão, para os nove FabLabs, com dimensões mínimas de 100 m² e com custeio total mensal de cerca de R$ 130 mil; ou R$ 200 mil por FabLab com custeio de cerca de R$ 14 mil mensais.

A USCS já está montando seu FabLab no Campus Conceição, que será profundamente utilizado pela Arquitetura e Urbanismo e pelas Engenharias e cursos tecnológicos pretendendo, além de sua ação acadêmica, propiciar uma experiência modelo neste tom que apresentamos.


* Pesquisador do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e gestor de Arquitetura e Urbanismo. 

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