Márcio Bernardes

Homenagens póstumas com boas lembranças


O telefone de Pepe vai tocar menos. Coutinho sempre ligava para lembrar o velho amigo do café habitual de finais de tarde na padoca perto da Vila Belmiro. E raramente o encontro não acontecia. O café era pretexto. Eles se encontravam para papear, debater as últimas notícias, falar de futebol que era o assunto predominante.

O posto de gasolina do Lalá também perdeu um debatedor ilustre. Ali se reúnem há anos antigos jogadores do Santos para uma conversa fiada, amiga e descontraída.
Em breve os próximos cafés e encontros serão no céu, como lembrou Pelé, sobre as tabelinhas com Coutinho, que faleceu nesta semana.

Vi Coutinho, ou Antonio Wilson Vieira Honório, jogar ainda quando eu era menino. Privilegiado é quem viu mais tempo do que eu. Porque todos são unânimes em dizer que Coutinho nunca foi um simples parceiro do rei do futebol. Ele tinha o mesmo talento e por muitos anos brindou os espectadores com espetáculos inolvidáveis.

Mais do que vê-lo jogando, tive a chance de encontrá-lo pessoalmente várias vezes. Aqui em São Paulo e em Santos. O papo, as lembranças, reminiscências e histórias são espetaculares. Estão guardadas na memória e no meu coração.

A partir de agora as peladas no céu serão muito mais categorizadas.

Cartola apaixonante

Era impossível pura e simplesmente brigar com Eurico Miranda. Mesmo não concordando em quase nada com ele. Porque ele também era um cara muito legal. Lembro de uma história da Copa de 1998. Após um jogo da seleção brasileira em Nantes, peguei o trem de volta para Paris tarde da noite. Era uma cabine ampla e com passageiros brasileiros predominando. Eurico acende um cigarro e deixa o ambiente poluído. Não podia fumar dentro do trem. E todos estavam incomodados. Reclamei com ele. Recebi de volta um resmungo, um desafio e ainda tive que ouvir do sorridente cartola: “você é um paulista muito chato, mas eu gosto de você. Senta ai e vamos conversar”. O ambiente ficou poluído, a madrugada chegou mais gostosa e os assuntos, claro, sempre futebol, foram inesgotáveis.

A partir de agora no céu, se o papo for Vasco da Gama, melhor, mas as polêmicas e discussões terão um debatedor carismático: Eurico Miranda.

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