Cíntia Bortotto

Dia da Mulher: diversidade – será mesmo?


Na última sexta-feira comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Acordei e fui lindamente cumprimentada por minha filha, já como um presságio de alguém que sabe que o que a espera é diferente do que espera meu filho. Sim, infelizmente como mãe, cidadã e mulher tenho que admitir: é diferente.

Minha constatação é feita por números e fatos: em conselhos de administração, segundo o relatório Board Index de 2018 da Spencer Stuart, mulheres representam apenas 9,4%. Elas são mais de 51 % da população brasileira hoje. Também ocupam menos posições de liderança, e quando são negras veem esta taxa chegar a quase zero. Se tenho fatos? Sim tenho, ainda tenho pedidos por preferência por gênero masculino na abertura de vagas e se não claramente falado, fica bem claro nas entrelinhas, quando enviamos candidatas melhores que não passam nos processos sem justificativas claras.

Ainda vejo salários mais altos sendo pagos para homens que ocupam o mesmo cargo e as mesmas responsabilidades que mulheres. No Brasil, segundo o IBGE de 2018, o rendimento médio das mulheres era de R$ 1.764 versus R$ 2.306 dos homens, sendo que elas – 21,5% – têm escolaridade superior completa versus 15,6% dos homens.

Sim, em algum momento vou ter de contar a dura realidade para a minha filha, de que ela terá de se esforçar mais do que a média e ainda mais por ser mulher. Que ao chegar cansada do trabalho ainda terá de fazer várias atividades que ‘são da mulher’ por convenções sociais. E, se não fizer será ainda mais difícil. Que estudará muito e ainda assim será preterida por razões que não dependem necessariamente dela, mas que são muito mais complexas.

Enquanto o dia dessa conversa não chega, tento fazer o meu melhor para que o mundo já seja um pouco diferente quando ela ingressar na universidade ou no mercado de trabalho. Um mundo onde a diversidade de gênero ou qualquer outra seja inclusivo, respeitoso e igualitário em oportunidades.

Que não tenhamos de ver notícias de feminicídios nos jornais, mas celebrações de conquistas conjuntas entre diferentes e que, no fundo, são verdadeiramente e humanamente iguais.

Às minhas queridas leitoras mulheres e meus respeitosos leitores homens, uma boa semana!

Siga confiante e boa sorte! 

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