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Alimentação sem equilíbrio


Alimentar-se bem é hábito e exige planejamento. E em todas as etapas da vida se faz necessário, inclusive na adolescência. É nesse período que acontece o chamado ‘estirão puberal’, quando a média de crescimento pode atingir entre oito e 11 centímetros por ano – segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a puberdade tem início aos 10 anos.

“Após o bebê completar 1 ano de vida, a puberdade é a etapa onde o desenvolvimento é mais intenso e rápido, por isso a importância em ingerir bons combustíveis, que são os alimentos, que proporcionam minerais, vitaminas e que permitem ao corpo realizar as inúmeras reações hormonais que esse período exige”, explica o médico hebiatra (especialista em adolescentes) Maurício de Souza Lima, de São Paulo.

No entanto, na prática, muitos jovens ainda não dão devida importância ao valor nutricional que colocam no prato diariamente. Muitos abusam dos populares fast foods, ricos em sódio, gorduras saturadas e açúcar. Ou seja, milhões de calorias versus zero nutrientes. Menos da metade da população jovem brasileira incluem verduras no almoço e jantar. Os dados são do Erica (Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes), organizado pelo Iesc (Instituto de Estudos em Saúde Coletiva) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O levantamento revela ainda que, a cada dez adolescentes, apenas três se exercitam ao menos por uma hora a cada cinco dias.

Em sua primeira fase, o projeto apresentou resultados relevantes, como, por exemplo, que a maioria dos avaliados (73,5%) passava duas horas ou mais por dia em frente a telas de TV, computador ou videogames. Esse tipo de costume pode levar a uma pior alimentação por conta do consumo de lanches e petiscos em frente às telas e a menor tempo dedicado a atividades físicas.

“Matar a fome comendo hambúguer e batata frita em constância não é o melhor negócio. Só se torna saudável quando é exceção. O grande problema é a frequência com que fazemos isso. No caso dos refrigerantes, que acompanham a dupla, chamados de bebida carbonatadas, roubam o cálcio dos ossos, podendo contribuir a eventuais problemas no futuro”, adverte Lima.

O estudo também observou que quase 10% dos avaliados apresentavam pressão alta; 13,1% tinham asma; mais da metade (54,3%) não praticavam atividade física em seu tempo de lazer; mais de 80% consumiam sódio acima do limite diário recomendado; e 20% haviam feito consumo recente de bebida alcoólica.

Outro tópico da pesquisa é a ingestão de frutas pelos adolescentes, sendo que menos de 20% comem o alimento frequentemente. “Uma dica legal é consumí-las em forma de suco, sempre mantendo o equilíbrio”, explica o hebiatra.

Segundo o especialista, não há segredo para se alimentar bem. “Arroz, feijão, uma carne e salada. Uma boa combinação para nutrir o corpo”, comenta.

ALERTA - O número de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos que são considerados obesos em todo o mundo aumentou dez vezes nas últimas quatro décadas. Dados levantados em estudo liderado pelo Imperial College London, da Inglaterra, e pela OMS apontam que, se as tendências atuais continuarem, haverá mais jovens com obesidade do que com desnutrição moderada e grave até 2022. 

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