Economia

Eleição e cenário externo levam dólar a R$ 4,15, maior valor do ano


O dólar comercial encerrou o pregão de ontem com alta de 1,77%, o que o levou a ser cotada em R$ 4,1555, maior valor do ano. O recorde anterior havia sido alcançado em 4 de setembro, aos R$ 4,1520. O fechamento quase encostou na maior média histórica, que é de 21 de janeiro de 2016, quando chegou a R$ 4,1631. Para especialistas, a valorização da moeda norte-americana está relacionada diretamente à corrida presidencial e ao cenário externo.

O coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, afirmou que a pesquisa eleitoral influenciou no custo do dólar, mas que não foi o único fator. “Se a eleição fosse hoje, a maior disputa seria entre Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT), com a vitória do Ciro no segundo turno. Na semana passada, era mais favorável a Marina Silva (Rede), que é uma candidata que o mercado enxerga com menos aversão. Com essa mudança de cenário, a impressão é a de que Ciro herdou votos do Lula (PT), então trata-se de um movimento natural de proteção do mercado”, explicou. “O segundo fator está ligado ao cenário externo, com a tensão entre os Estados Unidos e a China e a movimentação militar na Rússia. E o terceiro é o especulativo, já que não temos nenhuma questão interna.”

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O economista e professor coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, também acredita nas incertezas do mercado externo, porque, historicamente, o dólar costuma mostrar volatilidade durante o período eleitoral. “No cenário internacional, há um conjunto de fatores que fazem com que o quadro fique mais complexo, com as questões da guerra comercial e a crise na Argentina, que interfere pela semelhança e proximidade da economia brasileira. São estes fatores, junto às incertezas das pesquisas, que acabam permeando o ambiente”, disse.

Por conta disso, o especialista acredita que, após as eleições, a cotação da moeda diminua, mas que fique em patamar próximo aos R$ 4. Já Balistiero crê que a queda depende do perfil do presidente eleito, e que se um partido de esquerda ganhar, a moeda tende a subir ainda mais.

 

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