Política

STF dá aval para Atila reassumir o Paço


O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu ontem liminar para que Atila Jacomussi (PSB), prefeito eleito de Mauá, retorne ao cargo. O socialista estava afastado da cadeira desde 9 de maio, quando foi preso em flagrante com dinheiro vivo em casa, no âmbito da Operação Prato Feito – foi solto 36 dias depois.

O objetivo, segundo relataram figuras próximas ao prefeito, é de que Atila já retorne hoje cedo para o gabinete. Logo após a decisão, publicada no início da noite de ontem, integrantes do governo do socialista – que foram demitidos pela prefeita interina Alaíde Damo (MDB) – se reuniram para debater os próximos passos jurídicos do retorno ao cargo para o qual foi eleito em 2016 e afinar o discurso da volta do socialista. “Esperamos que o governo interino não crie dificuldades (para o retorno de Atila), que tenham espírito democrático e que o bom senso que não tiveram durante todo esse tempo tenham agora”, afirmou Israel Aleixo (PSB), conhecido como Bel. Antes de Atila ser afastado, o socialista estava no comando da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá). “Seguiremos os mesmos trâmites (de sucessão) de quando ele foi afastado”, emendou.

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A liminar concedida ontem por Gilmar, responsável também por autorizar a soltura de Atila, era a última cartada jurídica que o grupo do prefeito eleito tinha na manga, uma vez que o chefe do Executivo já colecionava duas derrotas nos tribunais. A primeira foi no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), que negou o pedido de reconsideração das medidas restritivas impostas pela própria Corte logo após Gilmar conceder o habeas corpus. O revés mais recente foi no mês passado, quando o STJ (Superior Tribunal de Justiça) também rejeitou liminar para que o socialista retornasse ao posto.

As frequentes derrotas de Atila na Justiça e a demora para que o socialista revertesse sua condição intensificaram o racha do grupo do prefeito eleito com o da vice-prefeita eleita. Com o passar dos meses, Alaíde passou a descaracterizar o governo de Atila, demitindo vários secretários, sobretudo os mais próximos do socialista.

Para justificar decisões no campo das finanças, o chamado novo governo também acusou Atila de ter comprometido as contas da Prefeitura. Em julho, a gestão da emedebista publicou decreto de calamidade financeira, que teve a legalidade questionada pela Câmara.

Atila retorna ao cargo com os mesmos problemas de quando saiu, porém, de forma mais intensa. Na Saúde, por exemplo, terá de lidar com o conturbado fim do contrato da FUABC (Fundação do ABC).

O socialista foi preso em flagrante pela PF (Polícia Federal), que encontrou R$ 87 mil em dinheiro vivo guardados no armário da cozinha de sua residência. O socialista nega que o recurso tenha origem ilícita. Nas redes sociais, Atila escreveu frase de alivio com a decisão liminar: “O povo venceu, a Justiça foi feita.”

Não vamos governar com vingança, diz Admir

Daniel Tossato

“Não vamos voltar ao governo com sede de vingança”, alegou o presidente da Câmara de Mauá e pai do prefeito Atila Jacomussi (PSB), Admir Jacomussi (PRP), ao receber a informação de que o socialista está apto a retomar cadeira do Executivo municipal.

“Vamos chegar na Prefeitura com cuidado. Analisando o que podemos ou não fazer. Vamos ter muita calma antes de tomar algumas decisões”, argumentou Admir.

Pontuando estar “muito emocionado” com o fato de seu filho voltar a comandar Mauá, Admir Jacomussi revelou que Atila também estava “com a emoção à flor da pele” e que chegou a chorar em alguns momentos. “Nunca perdemos a esperança de retornar para a Prefeitura. Atila sempre acreditou e hoje a Justiça reinou”, comentou.

O retorno para a chefia do Paço foi autorizado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Ele expediu liminar garantindo a Atila a volta ao cargo e a frequentar as dependências da Prefeitura.

“Amanhã (hoje) mesmo já vamos para a Prefeitura. Tentaremos chegar no horário do expediente, mas ainda não temos certeza do horário”, frisou o presidente da Câmara.

Admir sustentou também que um grupo de vereadores que apoia Atila pode acompanhar o prefeito em seu retorno ao governo. “Nosso objetivo agora é rever o que Alaíde Damo (MDB) fez na cidade. Ela deixou muitas coisas abandonadas. Ela não fez um bom governo e teremos trabalho muito duro para retomar o crescimento de Mauá”, argumentou o pai de Atila.

A prefeita interina exonerou, gradativamente, a maior parte dos cargos ligados a Atila Jacomussi. Márcio de Souza (PSB), chefe de gabinete de Atila, Israel Aleixo, superintendente da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), e até mulher do socialista, Andreia Rolim Rios, que atuava como secretária de Políticas Públicas para Mulheres, foram demitidos por Alaíde.

No lugar dos aliados de Atila, Alaíde nomeou pessoas próximas ao grupo de Leonel Damo, seu marido e ex-prefeito da cidade, antigas figuras de Mauá e até familiares. 

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