Palavra do Leitor

Educação na mira das corporações


A história da Educação pública e de massa no Brasil ganhou impulso com demandas impostas pela urbanização e industrialização iniciadas com Vargas e impulsionadas por JK. O Estado é o elemento-chave no processo, fomentando, ao mesmo tempo, nova estrutura produtiva e o suporte na qualificação dos trabalhadores. O analfabetismo vai cedendo terreno aos poucos e as letras se incorporam ao cotidiano dos brasileiros. A escola, antes privilégio de ricos e brancos, agrega gradativamente pobres e negros. Esse processo não se fez sem contradições, mas a crise da Educação brasileira assumiu maior complexidade nos anos 1960. Primeiro com o golpe de 1964, cujo modelo militar de Educação era claramente avesso ao pensamento crítico. Na redemocratização o mantra do mercado livre do governo FHC abriu as portas à privatização. Nos governos petistas o protagonismo do Estado na defesa da Educação pouco avançou.

No governo Temer a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 95 congela gastos em Educação por 20 anos e mostra que as coisas podem piorar. Com décadas de desinvestimentos, desestímulo à carreira do magistério, falta de estrutura e perda do sentido da leitura e reflexão para os jovens, a crise não é surpresa. A escola pública não tem muito a oferecer em país de economia subordinada, reprimarizada e financista. São Paulo é caso significativo nesse processo deliberado de deterioração. Aprovação automática e carreira desvalorizada são símbolos do descaso, que se espalham pelo território nacional. Pela via das políticas públicas os ensinos Médio e Fundamental no Brasil sobrevivem pelo esforço de professores e estudantes empenhados no bom andamento da Educação. Escolas qualificadas para filhos dos ricos existem há muito, e os sinais de novo modelo de gestão a partir da presença de grandes corporações no Ensino Básico começam a surgir. Que modelo é esse? O mesmo do Ensino Superior privado, expandido para o Médio e Fundamental, que passa pela destinação de verbas públicas (Fies e Prouni) às grandes corporações, que assumem escolas com promessa de redenção.

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O filme é conhecido e o final, infeliz: publicidade massiva e recursos abundantes escondem ensino de qualidade duvidosa e corpo docente mal remunerado, entre outras distorções. Negócios se sobrepõem ao plano educacional. A boa-nova é que a Educação pública laica e de qualidade é possível pelo cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação, com ensino integral, qualificação de profissionais, melhores condições salariais e de trabalho, investimento em infraestrutura, plano de carreira e 10% do PIB (Produto Interno Bruto) em Educação.

Ricardo Alvarez é professor do Ensino Médio e leciona na Fundação Santo André. 

Palavra do leitor

Emprego

 Tenho acompanhado o perfil da Central do Trabalhador e cursos oferecidos por municípios do Grande ABC. Fico triste em ver departamento criado pela prefeitura com diversos funcionários e retorno vergonhoso. Uma mísera quantidade de vagas oferecidas ao trabalhador. Não bastasse isso, os cursos oferecidos são muito insignificantes diante da demanda de cargos no mercado, ficando assim o trabalhador limitado a cargos apenas de auxiliar de escritório, pedreiro, azulejista, padeiro e artesão. Embora também sejam dignos de nosso respeito, será que nossos jovens só têm capacidade para essas funções? Isso tem nome: descaso e comodismo. O investimento neste setor não é pouco; o retorno é pequeno. Acredito que parceria bem acentuada entre prefeitura e empresas, com incentivos fiscais, com certeza duplicaria oferta e procura ao trabalho.

Edson Campelo

Santo André

Praça da Sé

 O Largo da Sé, no Centro velho de São Paulo, é retrato vivo da cidade de 457 anos. O lado bonito da Capital contrasta com a pobreza, vista em cada metro de calçada larga e/ou esquina ocupada por moradores de rua. A igreja construída na época da Santa Sé domina a paisagem, trazendo aos nossos olhos passado de glória. Castelo medieval que parece tocar o céu, com sua torre alta, de telhado pontudo cor de chumbo. Nessa mesma região vemos a marca do abandono, no tocante à parte material. Crianças, jovens, pessoas de meia-idade e idosos esticando a mão para pedirem ajuda. Muitos deles moram ali há mais de 20 anos. Dormem ao relento, contando as estrelas, sonhando com novo amanhã. A sociedade capitalista não se despede dessa cena, tão triste quão comovente, revivida por quem passa todos os dias pela Sé. Atrás do antigo mosteiro fica o Fórum Central, prédio discreto na margem esquerda da Avenida João Dias. Pedintes tomam parte da escada, alguns vendendo bugigangas, outros apreciando o vai e vem de gente no comércio fervilhante. A guarda civil, por sua vez, corre o trecho para garantir segurança. Depois das 19h, vira zona de prostituição. Local escolhido pelas mulheres livres. No mais, tem-se a riqueza de um tempo guardado na memória dos paulistanos, através de casas antigas, conventos, pensionatos, lojas de conveniência, república de estudantes, botequins etc. A duas quadras dali, começa a Rua da Glória, já no populoso bairro da Liberdade. Tem como referência a Faculdade Damásio, sobrado rosa, antiga ‘casa das irmãs na fé’ (freiras). Dessa forma, a Praça da Sé é um bem precioso da Grande São Paulo, visto como ponto histórico digno de lembrança.

Thiago Valeriano Braga

Guarulhos (SP)

Dona Cleide

 Há dois anos faleceu o sr. José Auricchio, pai do sr. prefeito José Auricchio Júnior. Agora, após cumprir sua missão com maestria, formando uma linda e unida família, a sra. Cleide Auricchio faleceu no dia 9 (Política, ontem). Deixou-nos muitos ensinamentos, conselhos, lições, gestos de carinho e amor. Eu, em uma época, precisei dessa senhora e ela ajudou muito a minha caminhada. Onde estiver, esteja sendo uma estrela no céu e nos nossos corações. Obrigado, dona Cleide Auricchio, por tudo que fez neste mundo. Condolências à família Auricchio, que amo demais.

Fernando Zucatelli

São Caetano

Recado

 Cúpula do PT, que, diga-se, sempre flertou com o autoritarismo e afronta as nossas instituições, demonstrando não conviver bem com o sistema democrático, critica a excelente e oportuna entrevista concedida pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, no último domingo ao jornal O Estado de S. Paulo. Como piada de mau gosto, os petistas, em manifesto, sugerem convocar “as forças democráticas em repúdio às declarações do comandante”! Sabem por quê?! Porque Villas Bôas disse o que toda população brasileira deseja, que a Constituição prevaleça. “O pior cenário é termos alguém sub judice afrontando tanto a Constituição quanto a Lei da Ficha Limpa, tirando a legitimidade, dificultando a estabilidade e a governabilidade do futuro governo e dividindo ainda mais a sociedade brasileira”. Ou seja, do ‘nós contra eles’ infelizmente pregado pelo PT! E outra declaração importante do general: “Não há hipótese de o Exército provocar uma quebra da ordem institucional”. Finalmente alguém enquadrou o PT. Aleluia! Principalmente a quatro semanas da eleição, em que, no temor da intolerância, inclusive um candidato foi esfaqueado, esta Nação não pode continuar refém dos delírios políticos de um corrupto e presidiário, Lula.

Paulo Panossian

São Carlos (SP)

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