Cultura & Lazer

Arte em movimento


Para o músico, ter disco gravado é sinônimo de conquista, resultado de muita labuta e investimento. No caso do artista independente, quase tudo sempre funciona na base do ‘faça você mesmo’ e ‘com a ajuda dos amigos’. Que dirá então ter videoclipe gravado e circulando sem fronteiras com uma canção autoral. A boa nova é que este último item, agora, é mais fácil de ser realizado na região.

O CAV (Centro de Audiovisual de São Bernardo) está pronto a realizar o desejo de muitos músicos por meio do projeto Clip Cult. Com piloto em andamento, alunos e professores já registraram, até o momento, 11 videoclipes de artistas da região, escolhidos por meio de curadoria minuciosa de agentes culturais. Até o fim do ano a produção prevista é de 22 clipes. Para 2019, deve ser feito chamamento via edital, para que interessados se inscrevam e tentem a chance. Os trabalhos, antes de serem selecionados, devem passar por curadoria.

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O Diário acompanhou as primeiras etapas da produção de videoclipe que está sendo feito pela equipe do CAV, que captou áudio e vídeo da música Tetragramaton, de Stefano Moliner, contrabaixista da região. A faixa estará presente em seu próximo disco, Miração. No caso de Moliner, foi feita, além da captação de imagem, a de áudio também, por se tratar de tema de jazz, com muita dinâmica.

“Fora a veiculação do videoclipe, tem a visibilidade e possibilidade de mostrar meu som bem tratado por pessoas sérias”, diz o artista, que acredita ser inviável ter produto desses pagando do próprio bolso. “Algo importante a dizer é a conscientização de todos os envolvidos em algo por vocação. Todo mundo fazendo uma coisa em torno da manifestação cultural e artística”, diz o compositor.

A captação de imagem é feita em São Bernardo, no palco do Teatro Lauro Gomes, sem custo algum para o artista, que, em contrapartida, fica responsável por doar um show ao município. São registrados os trabalhos de até cinco artistas por dia de gravação. “Clipe como esses que fazemos aqui custaria, pelo menos, de R$ 20 mil a R$ 30 mil ao artista. São três câmeras, o espaço para filmar, luz, captação de áudio, efeitos, videografismo. Tem trabalho”, explica Sérgio Martinelli, coordenador-geral do CAV. “Depois de tudo registrado, o trabalho continua para os alunos. Fazemos edição, videografismo. Leva mais ou menos um mês para ficar pronto”, acrescenta.

Segundo Kathia Diniz, chefe de divisão da difusão e fomento de São Bernardo, todos os envolvidos com o projeto se beneficiam. “O aluno aprende a fazer, editar o clipe. A secretaria de Cultura ganha, a cidade também, pois terá um show, e o artista, um clipe. É troca de possibilidades”, afirma.

Responsáveis por ficar com os olhares e dedos atentos para captar tudo o que é necessário estão Akio Vehara, 19, e Filipe Martins, 26, dois dos alunos do CAV. “A experiência fará a diferença para mim”, afirma Vehara. Para ele, trabalhar com videoclipes, dessa forma, é algo muito dinâmico. “Não temos dois meses, como no cinema, para planejar cada quadro”. Martins, que é pianista, diz ser a primeira vez em que está do ‘outro lado’ da parte musical. “É muito legal fazer isso, captar. A gente trabalha a sensibilidade da fotografia”, explica.

Martinelli frisa a importância de colocar o aluno na prática da produção. “Ele sai do CAV profissional com repertório para o mercado”, explica. “O projeto traz para São Bernardo e região a indústria criativa. O CAV forma e fixa alunos na cidade. Esperamos que possam se unir em cooperativas e produtoras”. Além disso, o coordenador ressalta a importância de fomento como esses para a produção artística. “A linha do projeto é potencializar a carreira de artistas da região. O que interessa é que tenham material bacana para divulgar seus trabalhos”, encerra. 

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