Turismo

Tipicamente mexicano


Uma vez na Cidade do México, é possível ampliar a vivência da história de Frida Kahlo a partir de destinos turísticos como as pirâmides de Teotihuacan, as trajineras (embarcações) de Xochimilco e o Museu Dolores Olmedo – que conserva importante acervo de suas obras, assim como de Diego Rivera.

Os dois últimos endereços podem ser combinados em um único dia – até porque ficam bem distantes do centro histórico, a cerca de duas horas. O ideal é começar pelo patrimônio cultural e natural da humanidade Xochimilco. Seus canais, que ganham colorido especial das trajineras adornadas com nomes de mulheres, compõem passeio tipicamente mexicano, refúgio de Frida e Diego quando queriam celebrar algo e namorar ao som de mariachis – no filme Frida, de Julie Taymor, há cena dos dois no local.

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Ao embarcar se tem a impressão de adentrar lugar bem tranquilo do passado, uma vez que, pelo caminho, há mercado flutuante que vende milho e cerveja (a 30 pesos cada) e é possível contratar mariachis (150 pesos por música). Vale cada centavo dos 500 pesos cobrados por embarcação – no entanto, vale também pechinchar. E aproveitar feirinha de artesanatos na saída.

Bem perto dali (a corrida de táxi custa pouco) está o Museu Dolores Olmedo, onde antigamente era uma fazenda, a Hacienda La Noria, e hoje os visitantes são recebidos por exuberantes pavões, que circulam livremente pelo espaço. Há, ainda, cachorros sem pêlo da raça xoloitzcuintle, adorada pelos astecas – na mitologia desses povos, os cães eram tidos como companheiros incondicionais da vida e além da morte. Eles ficam reclusos e parecem verdadeiras estátuas. Trata-se de passeio contemplativo, que deve ser feito sem pressa.

Dolores Olmedo posou para Diego e atuou como sua principal mecenas: acumulou 137 obras dele e 27 de Frida (Como Umas Facadinhas de Nada, que retrata o assassinato de uma mulher, possivelmente representando a situação da pintora ao descobrir caso de seu marido com sua irmã), e por décadas controlou seus acervos e propriedades. Atualmente, porém, a coleção dela está em exibição no Museu da Cultura de Milão, na Itália. A entrada custa 100 pesos.

Em entrevista ao jornal The New York Times um ano antes de morrer, aos 93 anos, em 2002, Dolores disse que comprou suas 27 pinturas de Frida por US$ 1.600, porque Diego implorou que ela fizesse isso para garantir que parte importante de sua obra permanecesse no México. Ela, porém, não gostava da pintora. “Não me dava bem com Frida. Bem, ela gostava de mulheres e de homens, e eu não era comunista. Mas Frida é uma boa artista e sofreu muito”, disse, referindo-se ao fato de ela ser bissexual.

PIRÂMIDES - Antes de iniciar relação amorosa com o comunista Leon Trótski, a propósito, Frida o levou para conhecer as pirâmides do Sol e da Lua em Teotihuacan, patrimônio da humanidade que um dia foi a meca da civilização asteca, conhecida como a ‘cidade dos deuses’ (entrada custa 70 pesos, mas vale contratar passeio desde a capital).

No sítio arqueológico, distante cerca de uma hora da Cidade do México, ambos, mesmo com dificuldades físicas – ela por causa do acidente e ele devido à idade – subiram a pirâmide da Lua e apreciaram vista da Avenida da Morte. Em cena retratada no filme Frida, ela diz: “No fim das contas, o nosso corpo mostra que suportamos mais do que podemos”.

É certo que se chega exausto ao topo, mas ao mesmo tempo feliz, ao imaginar o momento íntimo e de superação vivido ali pelas duas personalidades que passaram a se admirar ainda mais, e começaram a se amar em silêncio.


GUIA DE VIAGEM

COMO IR - Há voos entre São Paulo e Cidade do México, que levam pouco mais de nove horas se forem diretos. Cotação realizada pelo site Decolar.com mostra que passagem com ida no dia 1º de novembro e retorno no dia 8 do mesmo mês saem a partir de R$ 2.715 pela Avianca, com uma escala. Voo direto pela Aeromexico sai por R$ 3.466. Pela Latam, também sem escalas, custa R$ 3.334 direto no site www.latam.com.br. As companhias Azul, Copa Airlines e American Airlines também voam para o destino.

ONDE FICAR - A Zona Rosa é a região mais descolada para se hospedar, e a que tem valores interessantes também. Além de ser uma zona boêmia, e repleta de lojas de artesanato, de departamento e restaurantes para todos os gostos e bolsos, oferece larga oferta hoteleira, e está próxima à Avenida Paseo de la Reforma de estação de Metrô. Se assemelha à nossa região da Avenida Paulista e Rua Augusta. O Eurostars Zona Rosa tem suítes a partir de R$ 327, a diária, para o período. O NH Collection Mexico City Reforma sai a partir de R$ 389 a diária.

Se a opção for por região mais sofisticada, com locais agradáveis para bater perna e sair à noite, há o bairro Polanco (com lojas de grife sofisticadas, se assemelha aos Jardins) e o La Condesa (com charme democrático que lembra a Vila Madalena). Em Polanco, diária no JW Marriott Hotel Mexico City custa R$ 668. Em La Condesa, no FlowSuites Condesa, R$ 504.

FUSO HORÁRIO - Durante o nosso horário de verão, três horas a menos. Fora desse período, duas.

MOEDA - Pesos mexicanos, cotados ontem a R$ 0,21.

DOCUMENTAÇÃO - Não é necessário visto. Apenas o passaporte válido.

DICAS - Levar adaptador de tomadas. 

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