ABC da Economia

O consumo do Grande ABC


Este Diário divulgou com exclusividade, em 13 de maio, estudo da IPC Marketing Editora que projeta os gastos de consumo nas cidades e regiões brasileiras. A partir daí são estimadas as participações de cada região no consumo nacional. Em trabalho que publicamos no Observatório da USCS, detalhamos esses indicadores,que mostram certa estabilidade no consumo potencial da região: R$ 66,9 bilhões em 2016; R$ 72,6 bilhões em 2017; e deverá atingir R$ 75,9 bilhões em 2018.

Do valor de consumo total (R$ 75,9 bilhões) do Grande ABC em 2018, 27,6% referem-se à manutenção do lar; 10,6%, alimentação no domicílio; 6,2%, alimentação fora do domicílio; 5%, gastos com veículo próprio; 3,4%, gastos com medicamentos; 3,2%, materiais de construção; 3,1%, outras despesas com saúde; 3%, transportes urbanos; 2,9%, vestuário confeccionado; 2,3%, eletrodomésticos e equipamentos; 2,0%, higiene e cuidados pessoais; 2%, matrículas e mensalidades; 19,6%, outras despesas. Mesmo que se elimine o efeito da inflação (prevista entre 2% e 3% neste ano), deverá ocorrer crescimento do consumo potencial absoluto total da região em 2018 quando comparado com 2017, ainda que a expansão consumo absoluto seja pequeno.

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No que se refere à participação percentual relativa da região no total do consumo nacional, a pesquisa indica, entretanto, queda nos resultados encontrados: de 1,78% em 2014; para 1,75% em 2015; 1,71%, em 2016; 1,72% em 2017 para 1,70% em 2018. Este resultado mantém a tendência de queda de participação do consumo da região no total nacional. A redução deve-se, provavelmente, à retomada ainda instável da produção industrial no País. A economia regional é bastante dependente do setor industrial – e, portanto, também dos empregos e do consumo a ela vinculados. A indústria local já chegou a contar com 363 mil empregados no fim dos anos de 1980; apresentou forte redução na década de 1990 (188 mil em 1999); recuperou o emprego após 2002 (atingindo 265 mil em 2011), mas voltou a apresentar forte retração após 2014 (186 mil em 2017). Esta perda de postos abala negativamente o consumo.

Outra preocupação que temos refere-se ao impacto da reforma trabalhista sobre o consumo da região. Implementada desde o fim de 2017, a reforma, além de não ter gerado o volume de empregos prometidos (o Diário acaba de anunciar que a taxa de desemprego no Grande ABC atingiu em julho 18,2%, segundo o Seade/Dieese), contribuiu para precarizar ainda mais as relações de trabalho, reduzindo o rendimento médio dos assalariados em geral – o que certamente se reflete em retração do consumo. Por possuir historicamente categorias mais organizadas e com acordos coletivos melhores, a região tende a ser mais fortemente afetada.

Tendo em vista a grande incerteza reinante no cenário econômico do País, poderão ocorrer variações entre o “resultado esperado” pela pesquisa e o “resultado efetivo” do consumo na região. Um primeiro motivo é que nível de confiança dos consumidores está baixo. Em abril de 2018, o grau de confiança estava próximo ao verificado entre 2015 e 2017, período de grande incerteza na economia brasileira. Segundo é que, mesmo com a queda verificada na taxa de juros Selic, os juros continuam altos e a redução mostra-se muito mais lenta para o consumidor na ponta do consumo. Terceiro, porque não há sinais de recuperação do investimento público. Quarto, porque o recente aumento do dólar e a desvalorização do real (de R$ 3,20 para valor superior a R$ 4) contribuem para reduzir o consumo de produtos importados ao elevar seus preços. Por outro lado, não se espera significativo incremento das exportações em função da desvalorização cambial.

Conforme a mesma pesquisa, entre 1998 e 2001 o Grande ABC era o terceiro maior mercado consumidor do Brasil; caiu para quarto lugar entre 2002 e 2009, e quinto entre 2010 e 2017. Em 2018, a região ganhou uma posição, ao voltar ao quarto lugar. 

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