Márcio Bernardes

Burrice


 Burrice

(São Paulo) – Sempre desconfiei das decisões dos cartolas. Eles não dão ponto sem nó. A Conmebol quer decidir a Libertadores e a Sul-Americana em jogo único e em campo neutro. Isso já está certo a partir de 2019. A alegação é que desta forma o futebol será promovido e dinamizado em outros centros menores.

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Se isso fosse cabível e coerente ainda vá lá. Mas não tem como. Repare só: a decisão da Libertadores em Santiago pode promover a cidade, levar divulgação para a região e oferecer outros pontos positivos. A mesma coisa com a final da Sul-Americana em Lima. Mas...

Suponhamos que a final da Libertadores de 2019 seja entre Cruzeiro e Boca Juniors ( Não citei um time paulista para não criar confusão). Como ficam os torcedores mineiros e argentinos? Claramente eles serão prejudicados em benefício de um suposto apoio à região de Santiago.

Não é cabível qualquer comparação com a Europa, onde a Liga dos Campeões e a Uefa Liga são decididas em apenas um jogo e em campo neutro. No Velho Continente a distância entre países é menor, o transporte ferroviário e aéreo é muito melhor e a cultura é completamente diferente.

Se os clubes não chiarem teremos mais esse absurdo no futebol do continente.

Sufoco

Os campeonatos nacionais de futebol da América do Sul são muito fracos. Com exceção do Brasil e Argentina, não se vê nada empolgante nos outros países.

No ano passado a Conmebol espichou a Libertadores e ninguém desconfiou de nada. A dose foi repetida em 2018 e há um estudo para a competição ter 10 meses de duração em 2019. A Sul-Americana também está sendo jogada nos dois semestres. Os clubes têm durante boa parte do ano compromissos com o Campeonato Nacional local e uma Copa Nacional. E consideram mais importantes a Sul-Americana e a Libertadores.

Esse acúmulo de jogos provoca distorções inacreditáveis. O Flamengo jogou três vezes contra o Grêmio em duas semanas. O Corinthians enfrentou a Chapecoense no domingo pelo Brasileiro. Três dias depois, na quarta-feira, enfrentou o mesmo adversário pela Copa do Brasil. Desse jeito o torcedor fica com a cabeça zonza, parecendo um trevo.

Com raríssimas exceções, para privilegiar as competições continentais, os times estão poupando jogadores nos campeonatos nacionais.

Daqui a pouco...

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