Memória

Histórias que se completam. Notícias buscadas no tempo. O Grande ABC ainda era rural


“Domingo é dia de não fazer nada, pensar em tudo, domingo é dia de planejar, até o futuro...” Cf. Gino Marson, psicólogo nascido nas Colônias do bairro Assunção, em São Bernardo. https://www.facebook.com/gino.marson


Na construção da Memória, a importância do obituário. Aquele registro doloroso da partida de um ente querido guarda informações que ajudam a decifrar a teia da história. Exemplos são muitos. Hoje, mais um.
Há 100 anos os jornais de São Paulo noticiavam o falecimento de Giuliani Gardezane (Gardezane com ‘Z’ e com ‘E’ no final), 75 anos, negociante estabelecido em São Bernardo (Distrito de Santo André). Deixava viúva dona Angelina, cinco filhos e muitos netos.
Era julho de 1918. Sessenta e dois anos depois, Pedro Gardesani (aqui com ‘S’ e ‘I no final do sobrenome) foi entrevistado pelo Diário e narrou aspectos da história da sua família e das cidades de São Bernardo e Santo André. Pedro, filho de Sinogrante, era neto de Giuliani, que no suplemento de aniversário de Santo André de 1980 aparece como Juliano.
Guardamos o áudio daquela bela entrevista, uma mesa-redonda de antigos de Santo André reunidos no Diário justamente para contar histórias da cidade. Os outros participantes foram o comendador Emilio Sortino, o sindicalista Miguel Guillen e Angelo Dattili, o mais idoso, então com 85 anos.
Trechos da entrevista foram radiofonizados no programa Memória, da Rádio ABC.

Leia Mais

Nas festas da Igreja, imensas fogueiras
Depoimento: Pedro Gardesani

1 – Os meus avós eram italianos. Chegaram a São Bernardo em 1877. Meu pai tinha 2 anos de idade.
2 – Foram estabelecidos em terras onde hoje é a Volkswagen. Plantavam vinha e batata.
3 – Alguns anos depois, ainda no século 19, meu avô resolveu vir para Santo André e construiu uma casinha no ponto onde está o cruzamento da Alfredo Flaquer com Dom Duarte Leopoldo e Silva, no Ipiranguinha.
4 – Neste ponto meu avô montou um armazém para abastecer o pessoal que trazia lenha cortada no sítio dos Beber, em Sertãozinho. Vinham em carros puxados a boi. Quando carregados, vinham chorando, rangendo o eixo da roda.
5 – Não havia igrejas, nem grupo escolar. Apenas escolinhas isoladas, que depois foram reunidas no grupão inaugurado em 1912. Eu mesmo estudei numa daquelas escolinhas.
6 – Meu padrinho, o italiano Ludovico Cimieri, construiu um dos primeiros bares próximos à estação.
7 – No quarteirão do Cine Tangará havia uma fábrica de vidros, que pegou fogo.
8 – Do lado de Utinga existia apenas a fazenda dos Cardoso Franco: Oratório.
9 – O primeiro campo de futebol do Corinthians de Santo André ficava na Rua Senador Flaquer.
10 – A estrada de ferro trouxe as indústrias: Kowarick, Streiff, Ipiranguinha, as serrarias dos Pezzolo e dos Cataruzzi.
11 – As festas principais que se realizavam eram as de Nossa Senhora do Carmo, Divino Espírito Santo e Santa Cruz. Carros de boi traziam lenha para as imensas fogueiras que eram realizadas durante as festas.

Giuliani Gardezane e Angelina Gardezane

FILHOS
1 – Sinogrante, negociante, casado com Amábile F. Gardezane
2 – Anita, casada com Aristodemo Pinotti, negociante
3 – Palamede Gardezane, casado com Marista C. Gardezane
4 – Fidalma, casada com Abrahão Delegá
5 – Argia, casada com Friderico Pantano

NETOS
1 – Alfredo, Pedro, Iva e Domingos
2 – Brasilina Pinotti (professora) e Jacomo Pinotti (contador)
3 – Leopoldo, Henrique, Fidalma, Paulina, Olga, Nair, Iolanda e Alfredo Gardezano
4 - Lino, Elisa, Pedro, Mathilde, Raul, Júlio e Zilah Delegá
5 – Lourdes, Raul, Durval, Mario, Placidt, Juliera e Romeu Pantano
Giuliani Gardezane faleceu em 16 de julho de 1918. A missa de sétimo dia foi celebrada em 22 de julho na Matriz de Santo André, hoje chamada igreja cor-de-rosa.

Diário há 30 anos
Sexta-feira, 12 de agosto de 1988 - ano 31, edição 6829

Manchete – Governo paga URP (Unidade de Referência de Preços), mas vai aumentar o Imposto de Renda.
Educação – Esquema de segurança só atende 57 das 351 escolas estaduais do Grande ABC.
Saúde –Campólio (campanha contra a poliomielite) quer imunizar 220 mil crianças de zero a 4 anos na região.
Comércio – Casas Bahia abre a 53ª filial, em Taubaté.

Em 12 de agosto de ...
1883 – São Caetano realiza a Festa do Padroeiro. Trata-se do primeiro registro que localizamos desta festa hoje tradicional.
1918 – Erasmo de Assumpção Filho, dirigindo o automóvel nº 1.876 pela Rua Tiradentes, em São Paulo, atropela João Júlio, 13 anos, que descia de um bonde. Por causa do acidente, Erasmo fica proibido
de dirigir.
NOTA – Erasmo Assunção é nome de bairro em Santo André. Sua família abriu e negociou vários loteamentos na região.
A guerra. Do noticiário do Estadão: progresso dos aliados na frente do Avre, entre o Avre e o Oise e em Roye, todos rios franceses.
1928 –São Caetano encerra mais uma Festa do Padroeiro. Empresa Brasil Films filmou a procissão.
1973 –Diário traz uma entrevista exclusiva com Mazzaropi, assinada pelo editor-chefe, Fausto Polesi.

Hoje
Dia Internacional da Juventude
Dia Nacional das Artes
Dia Nacional de Luta Contra a Violência no Campo e por Reforma Agrária

Municípios brasileiros
Celebram aniversários em 12 de agosto:
Em São Paulo, Cananéia. Fundado por Martim Afonso de Souza, o segundo mais antigo do Brasil. O primeiro é São Vicente, também fundado por Martim Afonso de Souza.
No Espírito Santo, Anchieta
Na Bahia, Cansanção, Central, Itambé e Valente
No Ceará, Madalena
No Paraná, Prudentópolis
Fonte: IBGE
 

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