Economia

Um exemplo didático sobre a economia


No último texto que escrevi para esta coluna pontuei o crescimento de 1,2% da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano, chamando atenção para a recuperação da indústria de transformação, cujo crescimento foi de 4% no período, bem como para a retomada do nível de investimento.

Até a publicação daquele artigo não eram claros os efeitos que seriam provocados pela paralisação do setor de transporte, provocada pela greve dos caminhoneiros, que perdurou cerca de dez dias no fim do mês de maio. Até então, segundo o relatório Focus do Banco Central da última semana de maio, a expectativa dos analistas de mercado era a de que o PIB em 2018 crescesse 2,4% e a produção industrial aumentasse 3,8%.

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Entretanto, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta semana, a produção industrial caiu 6,65% na indústria geral, e 7,8% na indústria de transformação do País, comparado ao mês de maio do ano passado. Um dos principais setores industriais afetados foi o automobilístico, cuja redução foi de mais de 12%.

Esta retração da atividade industrial, cujo desempenho se destacou no comportamento do PIB do primeiro trimestre, certamente afetará a trajetória de crescimento da economia neste ano. A região do Grande ABC também sente estes efeitos, haja vista que o peso do setor industrial é de 23% na economia local, consideravelmente superior à participação do setor na economia nacional. Há que se observar que a paralisação também afetará o resultado da produção no mês de junho, tendo em vista que a normalização da cadeia de abastecimento demandou alguns dias após o fim da paralisação, como era de se esperar.

Esse fato, embora traga reflexos negativos, enaltece a relação sistêmica entre os setores da economia. Ou seja, o resultado final do processo produtivo, e consequentemente da efetiva geração do produto final, depende do encadeamento de vários setores econômicos, que se entrelaçam. Algumas dessas relações são nítidas e geram impactos a curtíssimo prazo, quando ocorre intercorrências em uma das etapas. Como exemplo temos os setores de fornecimento de energia, transporte, matéria prima, entre outras.

No médio e longo prazos há outros encadeamentos, que são menos perceptíveis em um primeiro momento, mas cujos efeitos também são importantes. Neste sentido o exemplo mais clássico refere-se ao setor educacional, na medida em que sua deficiência se refletirá na qualidade da mão de obra disponível no mercado de trabalho, e consecutivamente no grau de produtividade e competitividade da cadeia produtiva.

Voltando ao curto prazo, o fluxo de comércio também apresentou uma desaceleração em seu ritmo de expansão no período de janeiro a maio, quando comparado ao período de janeiro a abril deste ano. Os indicadores também demonstraram os efeitos negativos na atividade do setor no mês de junho.

Como consequência, a própria equipe econômica do governo já reduziu a projeção de crescimento econômico do Brasil para este ano de 2018. Segundo o relatório Focus do Banco Central da última semana, os analistas do mercado reduziram a projeção de crescimento da economia para 1,5%, e da produção industrial para 2,6%. Bastante inferiores às projeções apresentadas há pouco mais de um mês.

Vamos aguardar os resultados da economia neste segundo semestre do ano para termos uma avaliação mais clara da dimensão dos impactos proporcionados pela paralisação do setor de transporte.  

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