Desvendando a economia

A retomada da economia em 2018


Na última semana de abril, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a prévia da produção da economia brasileira no primeiro trimestre do ano. Comparada ao primeiro trimestre de 2017, o PIB (Produto Interno Bruto) nacional cresceu 1,2%, o melhor desempenho para o período desde 2014.

Entre os principais setores que alavancaram a economia, a indústria se destacou com crescimento de 1,6%, puxada pela indústria de transformação, que expandiu 4% nos primeiros três meses de 2018. A retomada industrial é indicador importante para a economia do Grande ABC, onde o setor responde por mais de 23% do PIB, acima da participação de cerca de 18% nas economias nacional e paulista. Um dos destaques da indústria de transformação foi o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias, conforme registrado também pela PIM (Pesquisa Industrial Mensal), do IBGE.

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Enquanto maior gerador de renda no mercado de trabalho formal do Grande ABC, a indústria, e sua retomada, tende a, no médio prazo, estabelecer trajetória de melhoria na economia local, tanto pelos efeitos diretos quanto indiretos sobre a cadeia produtiva.

Do lado dos fatores impulsionadores da produção, no primeiro trimestre de 2018 destacaram-se o consumo das famílias, que vem se recuperando desde o segundo trimestre do ano passado, e os investimentos em capital fixo (capacidade produtiva), que voltaram a apresentar crescimento no último trimestre do ano passado – isso não ocorria desde o primeiro trimestre de 2014. A retomada do nível de investimentos, além de ampliar a capacidade de crescimento no médio e longo prazos, reflete a melhora de confiança na economia por parte dos empresários.

No Grande ABC em específico, se tomarmos como referência informações sobre investimentos confirmados na região, divulgadas pelo Seade, 2017 registrou o maior volume de aportes na região nesta década, puxados pelo segmento automobilístico. Após passarmos pela maior recessão já registrada pela economia brasileira, intensamente refletida no Grande ABC, tudo indica que saímos, ainda que lentamente, do ciclo recessivo para ingressar em uma trajetória de recuperação. As projeções do PIB da região também indicam esta tendência.

Apesar de indicadores positivos, incluindo melhora nos níveis de investimento, ainda há muito para recuperarmos o ciclo produtivo deteriorado pelo período de recessão. A retomada será tanto mais efetiva ao assumirmos a necessidade de manter ambiente econômico institucional favorável à atividade produtiva.
 
* Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista

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