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Felipe Camargo se reencontra na Band


Márcio Maio
Da TV Press

17/03/2007 | 18:57


Aos 46 anos, Felipe Camargo renova seu ânimo para se dedicar à televisão. O ator, que viveu uma fase de galã nos anos 80, admite que há 20 anos não tinha o prazer de interpretar um papel tão complexo quanto o conquistador Alberto de Paixões Proibidas. Na época em que foi convidado para entrar na trama da Band, Felipe ainda tinha contrato com a Globo por conta de sua participação na novela Cobras & Lagartos. Não hesitou, pediu a rescisão e não se arrepende. “Lugar algum traz a mesma visibilidade que a Globo. Mas a Band está investindo em teledramaturgia depois de anos se especializando em esportes. É um começo”. Essa não é a primeira vez que o ator assina contrato com a Band. Quando foi afastado do elenco de Pátria Minha sob a justificativa de indisciplina, Felipe foi convidado para estrelar ao lado de Betty Faria e Ângela Vieira a novela A Idade da Loba na emissora. Pouco tempo depois, decidiu parar tudo e colocar sua vida no lugar. Se desintoxicou, largou as drogas e reconstruiu sua carreira. “Foi no momento certo”, desabafa.

PERGUNTA: Você pediu para a Globo rescindir seu contrato antes do tempo para entrar em Paixões Proibidas. O que lhe fez tomar essa decisão?

FELIPE CAMARGO: Acho essa novela uma das melhores que já fiz em termos de texto. Enxerguei diálogos inteligentes e bem-humorados. Posso dizer que, independente da audiência, o Alberto é um dos melhores personagens da minha carreira. Há muitos anos não ganhava um papel tão bom. Fiz o Marcos, de Anos Dourados, o Pedro, de Roda de Fogo, e o Alberto, de Paixões Proibidas. Esses são meus marcos na carreira televisiva, personagens com conflito.

PERGUNTA: Você protagonizou Mandala ao lado da Vera Fischer. Não se lembra com carinho dessa época?

FELIPE: Sinceramente, eu criei uma expectativa enorme em relação à novela. Imaginava que poderia ser fiel à obra Édipo Rei, então estudei muito a tragédia. É claro que ficava difícil explorar um personagem matando o pai, casando com a mãe, tendo três filhos que também são seus irmãos e, depois, vendo a mãe se matar e furando os olhos para sair vagando. A Globo não faria isso no horário nobre. Em termos populares, foi a novela que mais me projetou. Mas não mexeu muito com meu prazer de trabalhar.

PERGUNTA: Ao estrear na TV, você era chamado de galã. Isso mexeu com seu ego?

FELIPE: Eu tinha 26 anos e fui chamado para interpretar um adolescente de 16 em Anos Dourados. Mas eu era muito novo e queria mostrar serviço. Implicava com esse termo galã porque sempre ralei muito. Estudei teatro durante anos. Achava que galã era uma palavra pejorativa, isso me incomodava. Mas logo entendi que as pessoas sempre rotulam a gente de alguma forma. Foi a bagagem que eu tinha que me fez ganhar o papel. Pode parecer ousadia, mas não era um papel para qualquer garoto. Estava longe de ser um personagem de Malhação.

PERGUNTA: Você sentia uma cobrança maior em relação aos atores novos quando começou a trabalhar na televisão?

FELIPE: Hoje em dia é muito maior a busca pela beleza. O talento vem sendo deixado de lado. Os atores não têm o menor preparo. Quando comecei, as pessoas passavam pela teoria, pelos palcos, não era só o glamour. Eu, com décadas de carreira, me sinto inseguro e tento me preparar. Mas aí abro o jornal ou ligo a TV e vejo garotos que não são nada aparecendo demais. Ser ator agora é como ser jogador de futebol, com uma carreira curta. A minha profissão é para a vida inteira.

PERGUNTA: Sua carreira ficou estremecida na década de 90. Como foi esse período para você?

FELIPE: Foram uns seis anos de protagonistas. Tive alguns problemas particulares, mas a própria TV suga muito, expõe muito e, depois, encosta você. São raros os atores que ficam sempre em evidência. Tony Ramos, Tarcísio Meira, Lima Duarte, Antônio Fagundes e mais quem?

PERGUNTA: O afastamento da novela Pátria Minha, em 1994, prejudicou sua trajetória na televisão?

FELIPE: Na época, recebi um convite para entrar numa novela da Band semanas depois. Três meses depois da minha saída, já estava no ar em A Idade da Loba. O problema é que quando você faz cinema, teatro ou não está na Globo, acham que você está desempregado. Eu estava trabalhando. Fui massacrado pela mídia.

PERGUNTA: Por que você se sentiu massacrado pela mídia?

FELIPE: Eu conheci a Vera Fischer trabalhando. Ela era a mulher mais desejada do país e eu, o garotão protagonista da novela das oito. Era assim que todo mundo pensava. Aí, quando a Vera se separou, todos acharam que ela iria ficar solteira. De repente chega o garotão e conquista a musa. Ah, a imprensa não me perdoou por isso.

PERGUNTA: Você foi chamado para fazer O Que É Isso, Companheiro e recusou, alegando que precisava se desintoxicar. O que fez com que tomasse essa decisão?

FELIPE: Eu tinha que me tratar. Estava com medo de não conseguir arcar com minhas responsabilidades, então fiquei seis meses em função disso. Hoje, tenho certeza de que foi fundamental para minha sobrevivência. Cometi vários deslizes, mas fui muito homem de assumir isso, ainda mais publicamente. Sem essa postura, hoje eu não estaria trabalhando aqui.


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Felipe Camargo se reencontra na Band

Márcio Maio
Da TV Press

17/03/2007 | 18:57


Aos 46 anos, Felipe Camargo renova seu ânimo para se dedicar à televisão. O ator, que viveu uma fase de galã nos anos 80, admite que há 20 anos não tinha o prazer de interpretar um papel tão complexo quanto o conquistador Alberto de Paixões Proibidas. Na época em que foi convidado para entrar na trama da Band, Felipe ainda tinha contrato com a Globo por conta de sua participação na novela Cobras & Lagartos. Não hesitou, pediu a rescisão e não se arrepende. “Lugar algum traz a mesma visibilidade que a Globo. Mas a Band está investindo em teledramaturgia depois de anos se especializando em esportes. É um começo”. Essa não é a primeira vez que o ator assina contrato com a Band. Quando foi afastado do elenco de Pátria Minha sob a justificativa de indisciplina, Felipe foi convidado para estrelar ao lado de Betty Faria e Ângela Vieira a novela A Idade da Loba na emissora. Pouco tempo depois, decidiu parar tudo e colocar sua vida no lugar. Se desintoxicou, largou as drogas e reconstruiu sua carreira. “Foi no momento certo”, desabafa.

PERGUNTA: Você pediu para a Globo rescindir seu contrato antes do tempo para entrar em Paixões Proibidas. O que lhe fez tomar essa decisão?

FELIPE CAMARGO: Acho essa novela uma das melhores que já fiz em termos de texto. Enxerguei diálogos inteligentes e bem-humorados. Posso dizer que, independente da audiência, o Alberto é um dos melhores personagens da minha carreira. Há muitos anos não ganhava um papel tão bom. Fiz o Marcos, de Anos Dourados, o Pedro, de Roda de Fogo, e o Alberto, de Paixões Proibidas. Esses são meus marcos na carreira televisiva, personagens com conflito.

PERGUNTA: Você protagonizou Mandala ao lado da Vera Fischer. Não se lembra com carinho dessa época?

FELIPE: Sinceramente, eu criei uma expectativa enorme em relação à novela. Imaginava que poderia ser fiel à obra Édipo Rei, então estudei muito a tragédia. É claro que ficava difícil explorar um personagem matando o pai, casando com a mãe, tendo três filhos que também são seus irmãos e, depois, vendo a mãe se matar e furando os olhos para sair vagando. A Globo não faria isso no horário nobre. Em termos populares, foi a novela que mais me projetou. Mas não mexeu muito com meu prazer de trabalhar.

PERGUNTA: Ao estrear na TV, você era chamado de galã. Isso mexeu com seu ego?

FELIPE: Eu tinha 26 anos e fui chamado para interpretar um adolescente de 16 em Anos Dourados. Mas eu era muito novo e queria mostrar serviço. Implicava com esse termo galã porque sempre ralei muito. Estudei teatro durante anos. Achava que galã era uma palavra pejorativa, isso me incomodava. Mas logo entendi que as pessoas sempre rotulam a gente de alguma forma. Foi a bagagem que eu tinha que me fez ganhar o papel. Pode parecer ousadia, mas não era um papel para qualquer garoto. Estava longe de ser um personagem de Malhação.

PERGUNTA: Você sentia uma cobrança maior em relação aos atores novos quando começou a trabalhar na televisão?

FELIPE: Hoje em dia é muito maior a busca pela beleza. O talento vem sendo deixado de lado. Os atores não têm o menor preparo. Quando comecei, as pessoas passavam pela teoria, pelos palcos, não era só o glamour. Eu, com décadas de carreira, me sinto inseguro e tento me preparar. Mas aí abro o jornal ou ligo a TV e vejo garotos que não são nada aparecendo demais. Ser ator agora é como ser jogador de futebol, com uma carreira curta. A minha profissão é para a vida inteira.

PERGUNTA: Sua carreira ficou estremecida na década de 90. Como foi esse período para você?

FELIPE: Foram uns seis anos de protagonistas. Tive alguns problemas particulares, mas a própria TV suga muito, expõe muito e, depois, encosta você. São raros os atores que ficam sempre em evidência. Tony Ramos, Tarcísio Meira, Lima Duarte, Antônio Fagundes e mais quem?

PERGUNTA: O afastamento da novela Pátria Minha, em 1994, prejudicou sua trajetória na televisão?

FELIPE: Na época, recebi um convite para entrar numa novela da Band semanas depois. Três meses depois da minha saída, já estava no ar em A Idade da Loba. O problema é que quando você faz cinema, teatro ou não está na Globo, acham que você está desempregado. Eu estava trabalhando. Fui massacrado pela mídia.

PERGUNTA: Por que você se sentiu massacrado pela mídia?

FELIPE: Eu conheci a Vera Fischer trabalhando. Ela era a mulher mais desejada do país e eu, o garotão protagonista da novela das oito. Era assim que todo mundo pensava. Aí, quando a Vera se separou, todos acharam que ela iria ficar solteira. De repente chega o garotão e conquista a musa. Ah, a imprensa não me perdoou por isso.

PERGUNTA: Você foi chamado para fazer O Que É Isso, Companheiro e recusou, alegando que precisava se desintoxicar. O que fez com que tomasse essa decisão?

FELIPE: Eu tinha que me tratar. Estava com medo de não conseguir arcar com minhas responsabilidades, então fiquei seis meses em função disso. Hoje, tenho certeza de que foi fundamental para minha sobrevivência. Cometi vários deslizes, mas fui muito homem de assumir isso, ainda mais publicamente. Sem essa postura, hoje eu não estaria trabalhando aqui.

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