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Zulmira, primeira-mãe de Rio Grande da Serra


Dênis Cavalcante
Especial para o Diário

08/05/2005 | 13:03


Zulmira Jardim Teixeira é a mãe mais ilustre de Rio Grande da Serra. Ela ocupa o cargo de primeira-dama da cidade pela terceira vez. A estréia foi em 1976, quando o filho Aarão Teixeira assumiu candidatura do pai, Edmundo Luiz da Nóbrega Teixeira, que morreu de ataque cardíaco. Solteiro, Aarão ficou na Prefeitura por cinco anos e meio, quando saiu para ser candidato a deputado estadual. Onze anos depois, em 1993, foi a vez do filho mais velho de Zulmira, José Teixeira – também solteiro – assumir o Executivo. Agora em 2005, o caçula da família, Adler Kiko Teixeira (PSDB), é o prefeito de Rio Grande. Kiko também é solteiro. Assim, Zulmira pode ser considerada muito mais que primeira-dama. Ela é a primeira-mãe da cidade. Só tem uma coisa que a aborrece: o apelido de seu filho. “O nome dele é Adler Alfredo Jardim Teixeira.”

DIÁRIO – Como a senhora se tornou primeira-dama três vezes?

ZULMIRA JARDIM TEIXEIRA – Meus filhos seguiram a carreira política. O meu marido era candidato a prefeito, em 76. Mas ele já estava afastado do banco por causa de problemas cardíacos e morreu em janeiro daquele ano. Naquela época, a eleição acontecia em novembro. Ai, meu filho Aarão, que andava sempre com o pai, se candidatou. Concorreu com outros seis candidatos, e acabou se tornando o mais jovem de São Paulo. Como ele era solteiro, acabei me tornando a primeira-dama.

DIÁRIO – A família sempre morou em Rio Grande?

ZULMIRA – Morávamos em São Paulo. Construímos esta casa para passar as férias, fim de semana. Vínhamos religiosamente. Meu marido adorava o lugar. Ele até marcava no calendário para no fim do ano saber quantos meses passava aqui.

DIÁRIO – Depois o José entrou na política?

ZULMIRA – Todo mundo queria que alguém da família continuasse na política, então ele se candidatou.

DIÁRIO – Quantos anos o Kiko tinha nessa época?

ZULMIRA – O Kiko tinha 4 anos quando o Aarão foi prefeito.

DIÁRIO – A senhora participou das campanhas?

ZULMIRA –Sim, sempre. Bem menos agora, porque a campanha do Kiko foi mais fora daqui, fora de minha casa. Tinha um comitê na cidade.

DIÁRIO – O Aarão foi prefeito muito jovem. A senhora não se preocupava com isso?

ZULMIRA – Pois é. Ele achou que aquele tempo não acabava mais. Teve até uma divergência com o José, porque ele queria escrever no muro da prefeitura o nome de um candidato a deputado que estava apoiando. O José discutiu com ele.

DIÁRIO – A senhora fica brava com o apelido Kiko?

ZULMIRA – Sim, porque ele tem nome. É Adler Alfredo Jardim Teixeira.

DIÁRIO – Como primeira-dama, a senhora é bastante ativa?

ZULMIRA – Agora estou assim meio bloqueada, porque não tenho saúde para participar de tudo, mas ajudei até na campanha do José. Na campanha do Aarão não havia tanto esse negócio de primeira-dama, mas eu ia ao palácio, tinha os encontros de primeiras-damas e eu fazia esse trabalho.

DIÁRIO – Qual a diferença entre as duas épocas?

ZULMIRA – Olha, foram épocas distintas. Até nossa vida é feita de parcelas, foram épocas diferenciadas. Naquela época não tinha a proteção de mananciais, hoje tem. Não podemos ter indústrias.

DIÁRIO – Os encontros entre as primeiras-damas são diferentes?

ZULMIRA – Na época que o José foi prefeito, teve encontro nas sete cidades do Grande ABC. Na ocasião, recebi muita ajuda. São Caetano, o que sobrava de agasalho, doava para Rio Grande. São Bernardo, com a dona Eva Demarchi, até por questão de amizade, também ajudava. Mauá também. Porque a gente pedia as coisas. Aqui tudo era doado, até móveis usados a gente recebia. Teve época que  fiquei com uns oito fogões. Aqui o povo é pobre. Sobrevive de salário-mínimo.

DIÁRIO – E os encontros deste ano?

ZULMIRA – Foi bom porque  nos conhecemos melhor. Eu já conhecia a dona Lígia Volpi (mulher do prefeito Clóvis Volpi-PV, de Ribeirão Pires), as outras não conhecia. A nossa proposta no encontro foi criar uma campanha do agasalho unificada, mas isso não ficou bem decidido.

DIÁRIO – A primeira-dama deve ter um papel mais político na sociedade?

ZULMIRA – Não acho que deveria ser mais político. É mais participativo. Existem primeiras-damas que têm gabinete, escritório, mas a realidade de Rio Grande não é essa. A realidade daqui é bem diferente. É a cidade mais pobre das sete do Grande ABC.

DIÁRIO – A senhora participa da administração do Kiko?

ZULMIRA – Eu dou assim um recadinho, mas não gosto de interferir. O Kiko tem capacidade suficiente de administrar Rio Grande da Serra.

DIÁRIO – As pessoas a procuram para pedir ajuda?

ZULMIRA – As pessoas vêm sempre pedir as coisas. Esteve aqui uma mulher pedindo uma casa. Falei que a gente tinha algumas casas na imobiliária, para ela procurar a imobiliária, mas disse que não queria de imobiliária, queria uma casa dada. Dar casa fica muito difícil...

DIÁRIO – O Kiko está se saindo bem?

ZULMIRA – A administração tem apenas 100 dias, fica um pouco difícil. Mas sei que ele tem muito trabalho.

DIÁRIO – O que Rio Grande precisa?

ZULMIRA – Bom, a cidade não tem hospital. O Kiko até melhorou a saúde, trouxe medicamentos. Vejo que o povo está mais satisfeito, não tem reclamado tanto. Está melhor que antes. Ele até trouxe duas ambulâncias para a cidade. Pode não ser as melhores ambulâncias, mas já vão ajudar.


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Zulmira, primeira-mãe de Rio Grande da Serra

Dênis Cavalcante
Especial para o Diário

08/05/2005 | 13:03


Zulmira Jardim Teixeira é a mãe mais ilustre de Rio Grande da Serra. Ela ocupa o cargo de primeira-dama da cidade pela terceira vez. A estréia foi em 1976, quando o filho Aarão Teixeira assumiu candidatura do pai, Edmundo Luiz da Nóbrega Teixeira, que morreu de ataque cardíaco. Solteiro, Aarão ficou na Prefeitura por cinco anos e meio, quando saiu para ser candidato a deputado estadual. Onze anos depois, em 1993, foi a vez do filho mais velho de Zulmira, José Teixeira – também solteiro – assumir o Executivo. Agora em 2005, o caçula da família, Adler Kiko Teixeira (PSDB), é o prefeito de Rio Grande. Kiko também é solteiro. Assim, Zulmira pode ser considerada muito mais que primeira-dama. Ela é a primeira-mãe da cidade. Só tem uma coisa que a aborrece: o apelido de seu filho. “O nome dele é Adler Alfredo Jardim Teixeira.”

DIÁRIO – Como a senhora se tornou primeira-dama três vezes?

ZULMIRA JARDIM TEIXEIRA – Meus filhos seguiram a carreira política. O meu marido era candidato a prefeito, em 76. Mas ele já estava afastado do banco por causa de problemas cardíacos e morreu em janeiro daquele ano. Naquela época, a eleição acontecia em novembro. Ai, meu filho Aarão, que andava sempre com o pai, se candidatou. Concorreu com outros seis candidatos, e acabou se tornando o mais jovem de São Paulo. Como ele era solteiro, acabei me tornando a primeira-dama.

DIÁRIO – A família sempre morou em Rio Grande?

ZULMIRA – Morávamos em São Paulo. Construímos esta casa para passar as férias, fim de semana. Vínhamos religiosamente. Meu marido adorava o lugar. Ele até marcava no calendário para no fim do ano saber quantos meses passava aqui.

DIÁRIO – Depois o José entrou na política?

ZULMIRA – Todo mundo queria que alguém da família continuasse na política, então ele se candidatou.

DIÁRIO – Quantos anos o Kiko tinha nessa época?

ZULMIRA – O Kiko tinha 4 anos quando o Aarão foi prefeito.

DIÁRIO – A senhora participou das campanhas?

ZULMIRA –Sim, sempre. Bem menos agora, porque a campanha do Kiko foi mais fora daqui, fora de minha casa. Tinha um comitê na cidade.

DIÁRIO – O Aarão foi prefeito muito jovem. A senhora não se preocupava com isso?

ZULMIRA – Pois é. Ele achou que aquele tempo não acabava mais. Teve até uma divergência com o José, porque ele queria escrever no muro da prefeitura o nome de um candidato a deputado que estava apoiando. O José discutiu com ele.

DIÁRIO – A senhora fica brava com o apelido Kiko?

ZULMIRA – Sim, porque ele tem nome. É Adler Alfredo Jardim Teixeira.

DIÁRIO – Como primeira-dama, a senhora é bastante ativa?

ZULMIRA – Agora estou assim meio bloqueada, porque não tenho saúde para participar de tudo, mas ajudei até na campanha do José. Na campanha do Aarão não havia tanto esse negócio de primeira-dama, mas eu ia ao palácio, tinha os encontros de primeiras-damas e eu fazia esse trabalho.

DIÁRIO – Qual a diferença entre as duas épocas?

ZULMIRA – Olha, foram épocas distintas. Até nossa vida é feita de parcelas, foram épocas diferenciadas. Naquela época não tinha a proteção de mananciais, hoje tem. Não podemos ter indústrias.

DIÁRIO – Os encontros entre as primeiras-damas são diferentes?

ZULMIRA – Na época que o José foi prefeito, teve encontro nas sete cidades do Grande ABC. Na ocasião, recebi muita ajuda. São Caetano, o que sobrava de agasalho, doava para Rio Grande. São Bernardo, com a dona Eva Demarchi, até por questão de amizade, também ajudava. Mauá também. Porque a gente pedia as coisas. Aqui tudo era doado, até móveis usados a gente recebia. Teve época que  fiquei com uns oito fogões. Aqui o povo é pobre. Sobrevive de salário-mínimo.

DIÁRIO – E os encontros deste ano?

ZULMIRA – Foi bom porque  nos conhecemos melhor. Eu já conhecia a dona Lígia Volpi (mulher do prefeito Clóvis Volpi-PV, de Ribeirão Pires), as outras não conhecia. A nossa proposta no encontro foi criar uma campanha do agasalho unificada, mas isso não ficou bem decidido.

DIÁRIO – A primeira-dama deve ter um papel mais político na sociedade?

ZULMIRA – Não acho que deveria ser mais político. É mais participativo. Existem primeiras-damas que têm gabinete, escritório, mas a realidade de Rio Grande não é essa. A realidade daqui é bem diferente. É a cidade mais pobre das sete do Grande ABC.

DIÁRIO – A senhora participa da administração do Kiko?

ZULMIRA – Eu dou assim um recadinho, mas não gosto de interferir. O Kiko tem capacidade suficiente de administrar Rio Grande da Serra.

DIÁRIO – As pessoas a procuram para pedir ajuda?

ZULMIRA – As pessoas vêm sempre pedir as coisas. Esteve aqui uma mulher pedindo uma casa. Falei que a gente tinha algumas casas na imobiliária, para ela procurar a imobiliária, mas disse que não queria de imobiliária, queria uma casa dada. Dar casa fica muito difícil...

DIÁRIO – O Kiko está se saindo bem?

ZULMIRA – A administração tem apenas 100 dias, fica um pouco difícil. Mas sei que ele tem muito trabalho.

DIÁRIO – O que Rio Grande precisa?

ZULMIRA – Bom, a cidade não tem hospital. O Kiko até melhorou a saúde, trouxe medicamentos. Vejo que o povo está mais satisfeito, não tem reclamado tanto. Está melhor que antes. Ele até trouxe duas ambulâncias para a cidade. Pode não ser as melhores ambulâncias, mas já vão ajudar.

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