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Karmann-Ghia ‘esgota’ produção


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

08/05/2005 | 14:15


Capacidade instalada quase esgotada e perspectivas de crescimento de, no mínimo, 10% em 2005. A Karmann-Ghia, indústria intimamente ligada à história da indústria automobilística no Brasil, comemora 45 anos no próximo dia 13 como um dos principais exemplos do bom momento que vive o setor automotivo, com sucessivas quebras de recordes de produção e exportação.

  A empresa ficou conhecida pela fabricação do veículo esportivo de mesmo nome na unidade da via Anchieta, em São Bernardo, e hoje se transformou em uma das mais importantes autopeças do Grande ABC. Com o foco principal na produção do ferramental destinado à fabricação de peças estampadas (portas e laterais, por exemplo) das montadoras de veículos, a empresa está no limite da capacidade produtiva e prevê investimentos para aumentar a produção ainda neste ano.

  A limitação na linha de montagem impede um crescimento superior a 10% no faturamento. “Para crescermos mais precisaríamos de investimentos. Temos capacidade ociosa que gira entre zero e 10%”, afirma o diretor Wagner Silvério.

  Para o executivo, apesar de dificuldades macroeconômicas (como o câmbio baixo, que dificulta as exportações), o momento do Brasil ainda é bom na área automotiva e motiva estudos de ampliação. “A demanda pelos nossos produtos está aquecida, e a empresa estuda novas oportunidades de crescimento dentro da área de atuação”, diz. A companhia cresceu no ano passado em torno de 5%.

  Silvério acrescenta que a expansão da receita em 2004 veio sobretudo da fabricação de peças estampadas para as montadoras. O faturamento com as peças cresceu cerca de 20% no ano passado. No entanto, esses itens correspondem a apenas 25% do faturamento total. Ao mesmo tempo, o ferramental, que representa 60% do volume de negócios, manteve-se com demanda estável. Outros serviços e a montagem de veículos, que realiza para a Land Rover, pertencente ao grupo Ford, totalizam parcela menor (15%) da receita global.

  Neste ano, apesar da confiança, há uma incógnita quanto ao futuro próximo. O crescimento da empresa no país depende de uma recuperação da taxa cambial. Parte da produção de ferramental (20%) é destinado à exportação, para clientes na Europa, Estados Unidos e México. Com a baixa do dólar, a companhia passou a não ter lucro nessas operações. “Perdemos competitividade. Com o câmbio nesse nível (abaixo de R$ 2,50), não vamos conseguir crescer”, afirmou o executivo.

Parceria– A Karmann-Ghia tem histórico de parceria com as montadoras, seja no fornecimento de ferramental, peças estampadas ou em outros serviços. A companhia iniciou atividades no país no processo de formação do pólo automotivo do Grande ABC, para compor o rol de fornecedores da Volkswagen.

  Um dos primeiros produtos da empresa no país foi o esportivo Karmann-Ghia, cujo projeto foi desenvolvido pelo grupo Wilhelm Karmann em parceria com a Volkswagen alemã, com estudo de design (para o estilo do carro) da empresa italiana Ghia.

  Nascia um dos ícones da indústria automobilística nacional, que fez sucesso na época e atualmente até tem clube de colecionadores de carros da marca (leia texto na página 3). Na fase de produção no país (de 1960 até 1971), foram fabricados 42 mil unidades do modelo.

  O esportivo Karmann-Ghia tinha como base (chassi, câmbio e motor) o Fusca e foi comercializado na rede da Volkswagen, que também oferecia assistência técnica aos proprietários dos carros. “Foi um acordo na época para a distribuição pela montadora”, diz Silvério. A empresa interrompeu a fabricação do veículo esportivo em 1971 devido às sucessivas quedas de vendas, fato que também ocorreu na Alemanha, que parou com a produção no mesmo ano.

  Depois, vieram outros projetos em parceria com a Volks, como o Karmann-Ghia Conversível – feito sob encomenda e que vendeu apenas 170 unidades entre 1968 e 1971 (período de fabricação) –, o Karmann TC e o SP2. Em 1985, a empresa desenvolveu projeto em conjunto com a matriz alemã e a Ford Brasil para montar o Escort XR3 Conversível no país. A fábrica fez 27 mil unidades do modelo até 1995, quando foi encerrada a produção do veículo.

  A confecção de conversíveis, mais complexa do que a de um modelo normal, devido à necessidade de reforço na carroceria dos carros, é uma tecnologia dominada pelo grupo alemão Wilhelm Karmann. Mas esse mercado não decolou no Brasil.

  Atualmente, além de fazer ferramentais e peças estampadas, a Karmann-Ghia apenas fornece mão-de-obra e instalações para a montagem do utilitário Defender, cujas peças são do grupo Ford. Segundo a Land Rover, a produção média é de mil unidades por ano do utilitário no Brasil.

  Na década de 70, a fabricante de autopeças empregava 1,2 mil funcionários. Hoje são 600 pessoas. “É um processo natural de desenvolvimento tecnológico, o processo de fabricação do ferramental exigia muito mais pessoas antiga mente, hoje necessita menos, mas alta qualificação”, diz Silvério. Ele ressalta que o grau da tecnologia das ferramentas da empresa é comparável ao da última geração de desenvolvimento da Europa.


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Karmann-Ghia ‘esgota’ produção

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

08/05/2005 | 14:15


Capacidade instalada quase esgotada e perspectivas de crescimento de, no mínimo, 10% em 2005. A Karmann-Ghia, indústria intimamente ligada à história da indústria automobilística no Brasil, comemora 45 anos no próximo dia 13 como um dos principais exemplos do bom momento que vive o setor automotivo, com sucessivas quebras de recordes de produção e exportação.

  A empresa ficou conhecida pela fabricação do veículo esportivo de mesmo nome na unidade da via Anchieta, em São Bernardo, e hoje se transformou em uma das mais importantes autopeças do Grande ABC. Com o foco principal na produção do ferramental destinado à fabricação de peças estampadas (portas e laterais, por exemplo) das montadoras de veículos, a empresa está no limite da capacidade produtiva e prevê investimentos para aumentar a produção ainda neste ano.

  A limitação na linha de montagem impede um crescimento superior a 10% no faturamento. “Para crescermos mais precisaríamos de investimentos. Temos capacidade ociosa que gira entre zero e 10%”, afirma o diretor Wagner Silvério.

  Para o executivo, apesar de dificuldades macroeconômicas (como o câmbio baixo, que dificulta as exportações), o momento do Brasil ainda é bom na área automotiva e motiva estudos de ampliação. “A demanda pelos nossos produtos está aquecida, e a empresa estuda novas oportunidades de crescimento dentro da área de atuação”, diz. A companhia cresceu no ano passado em torno de 5%.

  Silvério acrescenta que a expansão da receita em 2004 veio sobretudo da fabricação de peças estampadas para as montadoras. O faturamento com as peças cresceu cerca de 20% no ano passado. No entanto, esses itens correspondem a apenas 25% do faturamento total. Ao mesmo tempo, o ferramental, que representa 60% do volume de negócios, manteve-se com demanda estável. Outros serviços e a montagem de veículos, que realiza para a Land Rover, pertencente ao grupo Ford, totalizam parcela menor (15%) da receita global.

  Neste ano, apesar da confiança, há uma incógnita quanto ao futuro próximo. O crescimento da empresa no país depende de uma recuperação da taxa cambial. Parte da produção de ferramental (20%) é destinado à exportação, para clientes na Europa, Estados Unidos e México. Com a baixa do dólar, a companhia passou a não ter lucro nessas operações. “Perdemos competitividade. Com o câmbio nesse nível (abaixo de R$ 2,50), não vamos conseguir crescer”, afirmou o executivo.

Parceria– A Karmann-Ghia tem histórico de parceria com as montadoras, seja no fornecimento de ferramental, peças estampadas ou em outros serviços. A companhia iniciou atividades no país no processo de formação do pólo automotivo do Grande ABC, para compor o rol de fornecedores da Volkswagen.

  Um dos primeiros produtos da empresa no país foi o esportivo Karmann-Ghia, cujo projeto foi desenvolvido pelo grupo Wilhelm Karmann em parceria com a Volkswagen alemã, com estudo de design (para o estilo do carro) da empresa italiana Ghia.

  Nascia um dos ícones da indústria automobilística nacional, que fez sucesso na época e atualmente até tem clube de colecionadores de carros da marca (leia texto na página 3). Na fase de produção no país (de 1960 até 1971), foram fabricados 42 mil unidades do modelo.

  O esportivo Karmann-Ghia tinha como base (chassi, câmbio e motor) o Fusca e foi comercializado na rede da Volkswagen, que também oferecia assistência técnica aos proprietários dos carros. “Foi um acordo na época para a distribuição pela montadora”, diz Silvério. A empresa interrompeu a fabricação do veículo esportivo em 1971 devido às sucessivas quedas de vendas, fato que também ocorreu na Alemanha, que parou com a produção no mesmo ano.

  Depois, vieram outros projetos em parceria com a Volks, como o Karmann-Ghia Conversível – feito sob encomenda e que vendeu apenas 170 unidades entre 1968 e 1971 (período de fabricação) –, o Karmann TC e o SP2. Em 1985, a empresa desenvolveu projeto em conjunto com a matriz alemã e a Ford Brasil para montar o Escort XR3 Conversível no país. A fábrica fez 27 mil unidades do modelo até 1995, quando foi encerrada a produção do veículo.

  A confecção de conversíveis, mais complexa do que a de um modelo normal, devido à necessidade de reforço na carroceria dos carros, é uma tecnologia dominada pelo grupo alemão Wilhelm Karmann. Mas esse mercado não decolou no Brasil.

  Atualmente, além de fazer ferramentais e peças estampadas, a Karmann-Ghia apenas fornece mão-de-obra e instalações para a montagem do utilitário Defender, cujas peças são do grupo Ford. Segundo a Land Rover, a produção média é de mil unidades por ano do utilitário no Brasil.

  Na década de 70, a fabricante de autopeças empregava 1,2 mil funcionários. Hoje são 600 pessoas. “É um processo natural de desenvolvimento tecnológico, o processo de fabricação do ferramental exigia muito mais pessoas antiga mente, hoje necessita menos, mas alta qualificação”, diz Silvério. Ele ressalta que o grau da tecnologia das ferramentas da empresa é comparável ao da última geração de desenvolvimento da Europa.

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