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Ramalhão terá de gastar
R$ 250 mil para jogar A-2

Valor é referente a aluguel de estádio nos dez jogos como
mandante, já que time não pode contar com Bruno Daniel


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

23/11/2011 | 07:00


Sem o Bruno Daniel, interditado pela Prefeitura para reforma por tempo indeterminado, o Santo André terá que gastar pelo menos R$ 250 mil com locação de estádios para disputar o Paulista da Série A-2, a partir de janeiro. A conta é do departamento de futebol do clube, que calcula cerca de R$ 25 mil para cada um dos dez jogos que terá como mandante. O valor é praticamente dois meses da folha salarial do time profissional. Isso em torneio que terá duração de três meses e meio.

As principais opções do Santo André são o Anacleto Campanella, em São Caetano, e o 1º de Maio, em São Bernardo. O problema é que tanto o Azulão quanto o Tigre estarão em atividade no primeiro semestre, o que fará com que o Ramalhão tenha de alternar os estádios.

"São vários os prejuízos. Temos de contar ainda com a hospedagem, condução, entre outros, mas nenhum é maior do que não ter nossos torcedores ao lado em competição tão importante", comentou o diretor de futebol do Ramalhão, Luiz Antonio Ruas Capella.

O dirigente garantiu que o clube trabalha nos bastidores para conseguir a liberação do estádio pelo Ministério Público. Para isso, precisa entregar até segunda-feira os laudos de engenharia, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária e da Polícia Militar. Apenas o último está pendente. "Na pior das hipóteses vamos tentar fazer com que o estádio seja liberado para mandarmos nossos jogos com portões fechados. Está longe do ideal, mas é uma saída", ressaltou Capella.

O problema é que o capitão Camargo, do 41º Batalhão da Polícia Militar, um dos responsáveis pelo policiamento do Brunão, havia declarado ao CF52Diário/CF que, nas atuais condições, não liberaria o estádio mesmo para jogos com portões fechados. Reunião entre dirigentes e integrantes da polícia está agendada para hoje para tentar resolver o impasse.

Torcedores limpam Bruno Daniel

Vergonhosa. Essa é a constatação dos principais líderes da torcida andreense sobre a situação do Bruno Daniel. Ovídio Simpionato, Eduardo Braghirolli e Guilherme Pibe pisaram ontem sobre o que restou da marquise e, em ato simbólico, mostraram como seria fácil a Prefeitura limpar o entulho abandonado desde julho no local. Munidos de pás e vassouras, eles lamentaram o descaso da administração municipal com o estádio, que ao longo de 42 anos se transformou em extensão do lar de boa parte da torcida do Ramalhão.

"Vi isso aqui nascer do barro. Acompanhei a construção das duas arquibancadas, comemorei muitos gols e títulos do Santo André. Hoje encaro com muita tristeza tudo isso. Está completamente abandonado. Posso dizer que passei mais tempo no Bruno Daniel do que na minha casa", ressalta Ovídio, 58 anos. "O estádio era um dos cartões-postais da cidade e colocaram tudo no chão", completou.

Eduardo, mais conhecido como Esquerdinha, também lamentou o abandono do Brunão. "Aqui fiz grande amigos. Não esperava que a Prefeitura fizesse isso. Tenho guardado em casa um pedaço da marquise em um aquário, com a data da fundação e agora da morte do Bruno Daniel", contou o torcedor de 49 anos. "É como se colocassem ao chão um pedaço da minha casa. Muito triste", enfatizou.

Revoltados com a gestão do prefeito Aidan Ravin (PTB), eles agora querem acreditar que poderão acompanhar o time na disputa do Campeonato Paulista da Série A-2, que tem início previsto para janeiro. "Espero que o estádio esteja liberado para os jogos do Santo André. Apesar de que com a incompetência das pessoas que comandam a Prefeitura é bem provável que teremos de assistir aos jogos em outra cidade. Afinal, o prefeito não está se importando nem com o presente nem com o passado da cidade", criticou Ovídio.

Além de limpar o entulho abandonado, a Prefeitura terá de reconstruir a arquibancada para conseguir liberar o local ao público. A obra, pelo menos visualmente, é complexa, já que praticamente todos os degraus foram danificados com a queda da marquise e estão comprometidos.

O problema maior é relacionado à iluminação. A maior parte dos refletores ficava sobre a marquise e também foi ao chão. "Daria para acreditar que vão dar um jeito, mas pelo que acompanhamos a Prefeitura não está nem aí com o patrimônio da cidade. Não fazem nada e quando fazem é de qualquer jeito", finalizou Ovídio.

Ninguém sabe destino dos R$ 4 milhões liberados em setembr

Ninguém sabe onde foram parar os mais de R$ 4 milhões liberados em setembro para que a Prefeitura reformasse prédios públicos de Santo André. Na ocasião da publicação do edital, o secretário de Orçamento e Planejamento, Arnaldo Pereira, garantiu que, do total disponível, cerca de R$ 3,5 milhões seriam usados para concluir a reforma do Bruno Daniel, o que não aconteceu. Ontem, questionado pelo Diário, ele não respondeu sobre o paredeiro do dinheiro.

A verba veio do superavit conseguido pelo município em 2010. Como sobrou dinheiro, a Prefeitura pôde utilizar esse recurso para realizar obras emergenciais em prédios públicos. A burocracia foi cumprida e o edital liberando o dinheiro foi publicado no veículo oficial de imprensa utilizado pela cidade no dia 6 de setembro.

Uma semana depois, na Câmara, Arnaldo Pereira garantiu que a verba seria transferida para as Secretarias de Esporte, Cultura e Lazer e de Obras e Serviços Públicos. O destino do dinheiro, porém, ninguém sabe, já que mesmo com a liberação a obra do Brunão continua parada.



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Ramalhão terá de gastar
R$ 250 mil para jogar A-2

Valor é referente a aluguel de estádio nos dez jogos como
mandante, já que time não pode contar com Bruno Daniel

Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

23/11/2011 | 07:00


Sem o Bruno Daniel, interditado pela Prefeitura para reforma por tempo indeterminado, o Santo André terá que gastar pelo menos R$ 250 mil com locação de estádios para disputar o Paulista da Série A-2, a partir de janeiro. A conta é do departamento de futebol do clube, que calcula cerca de R$ 25 mil para cada um dos dez jogos que terá como mandante. O valor é praticamente dois meses da folha salarial do time profissional. Isso em torneio que terá duração de três meses e meio.

As principais opções do Santo André são o Anacleto Campanella, em São Caetano, e o 1º de Maio, em São Bernardo. O problema é que tanto o Azulão quanto o Tigre estarão em atividade no primeiro semestre, o que fará com que o Ramalhão tenha de alternar os estádios.

"São vários os prejuízos. Temos de contar ainda com a hospedagem, condução, entre outros, mas nenhum é maior do que não ter nossos torcedores ao lado em competição tão importante", comentou o diretor de futebol do Ramalhão, Luiz Antonio Ruas Capella.

O dirigente garantiu que o clube trabalha nos bastidores para conseguir a liberação do estádio pelo Ministério Público. Para isso, precisa entregar até segunda-feira os laudos de engenharia, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária e da Polícia Militar. Apenas o último está pendente. "Na pior das hipóteses vamos tentar fazer com que o estádio seja liberado para mandarmos nossos jogos com portões fechados. Está longe do ideal, mas é uma saída", ressaltou Capella.

O problema é que o capitão Camargo, do 41º Batalhão da Polícia Militar, um dos responsáveis pelo policiamento do Brunão, havia declarado ao CF52Diário/CF que, nas atuais condições, não liberaria o estádio mesmo para jogos com portões fechados. Reunião entre dirigentes e integrantes da polícia está agendada para hoje para tentar resolver o impasse.

Torcedores limpam Bruno Daniel

Vergonhosa. Essa é a constatação dos principais líderes da torcida andreense sobre a situação do Bruno Daniel. Ovídio Simpionato, Eduardo Braghirolli e Guilherme Pibe pisaram ontem sobre o que restou da marquise e, em ato simbólico, mostraram como seria fácil a Prefeitura limpar o entulho abandonado desde julho no local. Munidos de pás e vassouras, eles lamentaram o descaso da administração municipal com o estádio, que ao longo de 42 anos se transformou em extensão do lar de boa parte da torcida do Ramalhão.

"Vi isso aqui nascer do barro. Acompanhei a construção das duas arquibancadas, comemorei muitos gols e títulos do Santo André. Hoje encaro com muita tristeza tudo isso. Está completamente abandonado. Posso dizer que passei mais tempo no Bruno Daniel do que na minha casa", ressalta Ovídio, 58 anos. "O estádio era um dos cartões-postais da cidade e colocaram tudo no chão", completou.

Eduardo, mais conhecido como Esquerdinha, também lamentou o abandono do Brunão. "Aqui fiz grande amigos. Não esperava que a Prefeitura fizesse isso. Tenho guardado em casa um pedaço da marquise em um aquário, com a data da fundação e agora da morte do Bruno Daniel", contou o torcedor de 49 anos. "É como se colocassem ao chão um pedaço da minha casa. Muito triste", enfatizou.

Revoltados com a gestão do prefeito Aidan Ravin (PTB), eles agora querem acreditar que poderão acompanhar o time na disputa do Campeonato Paulista da Série A-2, que tem início previsto para janeiro. "Espero que o estádio esteja liberado para os jogos do Santo André. Apesar de que com a incompetência das pessoas que comandam a Prefeitura é bem provável que teremos de assistir aos jogos em outra cidade. Afinal, o prefeito não está se importando nem com o presente nem com o passado da cidade", criticou Ovídio.

Além de limpar o entulho abandonado, a Prefeitura terá de reconstruir a arquibancada para conseguir liberar o local ao público. A obra, pelo menos visualmente, é complexa, já que praticamente todos os degraus foram danificados com a queda da marquise e estão comprometidos.

O problema maior é relacionado à iluminação. A maior parte dos refletores ficava sobre a marquise e também foi ao chão. "Daria para acreditar que vão dar um jeito, mas pelo que acompanhamos a Prefeitura não está nem aí com o patrimônio da cidade. Não fazem nada e quando fazem é de qualquer jeito", finalizou Ovídio.

Ninguém sabe destino dos R$ 4 milhões liberados em setembr

Ninguém sabe onde foram parar os mais de R$ 4 milhões liberados em setembro para que a Prefeitura reformasse prédios públicos de Santo André. Na ocasião da publicação do edital, o secretário de Orçamento e Planejamento, Arnaldo Pereira, garantiu que, do total disponível, cerca de R$ 3,5 milhões seriam usados para concluir a reforma do Bruno Daniel, o que não aconteceu. Ontem, questionado pelo Diário, ele não respondeu sobre o paredeiro do dinheiro.

A verba veio do superavit conseguido pelo município em 2010. Como sobrou dinheiro, a Prefeitura pôde utilizar esse recurso para realizar obras emergenciais em prédios públicos. A burocracia foi cumprida e o edital liberando o dinheiro foi publicado no veículo oficial de imprensa utilizado pela cidade no dia 6 de setembro.

Uma semana depois, na Câmara, Arnaldo Pereira garantiu que a verba seria transferida para as Secretarias de Esporte, Cultura e Lazer e de Obras e Serviços Públicos. O destino do dinheiro, porém, ninguém sabe, já que mesmo com a liberação a obra do Brunão continua parada.

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