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Vinho da região tem tradição e saudade


Danilo Angrimani
Do Diário do Grande ABC

29/05/2004 | 16:44


Noites geladas pedem boa companhia e, claro, um bom vinho. Quando se fala em vinho, são muitas as preferências. Tem quem goste dos importados ou dos nacionais de grife. Outros optam por vinhos produzidos em pequenas vinícolas gaúchas. Mas há consumidores que esnobam todas essas alternativas, em troca dos vinhos artesanais, elaborados por famílias da região. Esse pessoal que gosta de um tinto ou de um branco made in ABC conhece os endereços certos e compra direto do produtor, em adegas escondidas, algumas literalmente de fundo de quintal.

Antes que alguém torça o nariz para a bebida produzida na região, com um comentário preconceituoso do tipo: “Vinho feito aqui no ABC? Eca! Deve ser uma porcaria”, é bom que se diga que a qualidade do vinho depende basicamente da uva. Se a uva for ruim, o vinho não presta. Já uma fruta de primeira linha é um passo importante para se produzir um tinto ou um branco elegante, de paladar sugestivo.

O Grande ABC tem 43 produtores de vinho registrados na Uva (União dos Vinicultores Artesanais do ABC). A maioria é de São Bernardo e descende de italianos, mas há produtores também em Santo André, Diadema e Ribeirão Pires. A União dos Vinicultores vai às compras nas vinícolas de Bento Gonçalves, Antonio Prado, Flores da Cunha – no Rio Grande do Sul. Trazem uma matéria-prima de dar água na boca, batizada de “cabernet sauvignon”, “bordeau”, “isabel”, “niagara”, “moscatel”.

“O vinho artesanal é caseiro, gostoso, lembra aquele que era feito pelos meus avós”, observa José Roberto Ferreira, o Beto, proprietário do restaurante São Francisco, na Rota do Frango com Polenta.

“Eu tenho condições de comprar vinhos de marca, mas prefiro os artesanais. Adoro”, afirma o comerciante Valter Klein, 57 anos. Klein foi entrevistado enquanto comprava meia dúzia de litros de tinto seco na adega Stella Alpina (telefone: 4354-9819), no Riacho Grande, em São Bernardo.

O lugar é administrado por Aldo Rosa, que herdou o prazer de produzir vinhos da família (o pai e o avô eram produtores). Aos sábados e domingos, a Stella Alpina fica lotada. Em um galpão amplo, coberto com telhas francesas e rodeado de tonéis de bebida em processo de maturação, os consumidores dos tintos e brancos made in ABC fazem a degustação, enquanto comem antepastos passados no pão fresco.

Ao lado de Rosa, via-se pendurado na parede uma tela com uma pintura que mostrava uma casa de campo. “É a casa da minha família, na região de Lucca (Toscana, Itália), um lugar com muito verde, parecido com o Brasil”, ele revela, lembrando que o avô começou a produzir vinho no Riacho Grande em 1927. “Ele desceu do navio e parou aqui.”

Essa ligação emocional com os ancestrais é o que move muitos produtores da região. “Quando eu faço vinho, lembro do meu pai...”, conta Italo Antonio Meneghetti, 72 anos, que fica com os olhos cheios de lágrimas e não consegue completar as frases: “Não há dinheiro que pague...”

Italo e seu irmão Bruno Victorio aliam-se à família Rocco na hora de fazer vinho. O contador e assessor jurídico Pedro Rocco, 49 anos, também se emociona: “Tenho adoração em cozinhar e fazer vinho. O meu pai morreu há 15 anos, mas é como se ele estivesse junto comigo, aqui na adega, o tempo todo.”

Os Rocco têm uma cantina fechada (telefone: 4339-1344), que atende apenas grupos pequenos de convidados. É lá que se esgota a maior parte de sua produção anual de 13 mil litros de vinho. Enquanto manejam a bebida, os Rocco e os Meneghetti suspiram: “Madonna, esse vinho com umas polenta...Mamma mia”.



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Vinho da região tem tradição e saudade

Danilo Angrimani
Do Diário do Grande ABC

29/05/2004 | 16:44


Noites geladas pedem boa companhia e, claro, um bom vinho. Quando se fala em vinho, são muitas as preferências. Tem quem goste dos importados ou dos nacionais de grife. Outros optam por vinhos produzidos em pequenas vinícolas gaúchas. Mas há consumidores que esnobam todas essas alternativas, em troca dos vinhos artesanais, elaborados por famílias da região. Esse pessoal que gosta de um tinto ou de um branco made in ABC conhece os endereços certos e compra direto do produtor, em adegas escondidas, algumas literalmente de fundo de quintal.

Antes que alguém torça o nariz para a bebida produzida na região, com um comentário preconceituoso do tipo: “Vinho feito aqui no ABC? Eca! Deve ser uma porcaria”, é bom que se diga que a qualidade do vinho depende basicamente da uva. Se a uva for ruim, o vinho não presta. Já uma fruta de primeira linha é um passo importante para se produzir um tinto ou um branco elegante, de paladar sugestivo.

O Grande ABC tem 43 produtores de vinho registrados na Uva (União dos Vinicultores Artesanais do ABC). A maioria é de São Bernardo e descende de italianos, mas há produtores também em Santo André, Diadema e Ribeirão Pires. A União dos Vinicultores vai às compras nas vinícolas de Bento Gonçalves, Antonio Prado, Flores da Cunha – no Rio Grande do Sul. Trazem uma matéria-prima de dar água na boca, batizada de “cabernet sauvignon”, “bordeau”, “isabel”, “niagara”, “moscatel”.

“O vinho artesanal é caseiro, gostoso, lembra aquele que era feito pelos meus avós”, observa José Roberto Ferreira, o Beto, proprietário do restaurante São Francisco, na Rota do Frango com Polenta.

“Eu tenho condições de comprar vinhos de marca, mas prefiro os artesanais. Adoro”, afirma o comerciante Valter Klein, 57 anos. Klein foi entrevistado enquanto comprava meia dúzia de litros de tinto seco na adega Stella Alpina (telefone: 4354-9819), no Riacho Grande, em São Bernardo.

O lugar é administrado por Aldo Rosa, que herdou o prazer de produzir vinhos da família (o pai e o avô eram produtores). Aos sábados e domingos, a Stella Alpina fica lotada. Em um galpão amplo, coberto com telhas francesas e rodeado de tonéis de bebida em processo de maturação, os consumidores dos tintos e brancos made in ABC fazem a degustação, enquanto comem antepastos passados no pão fresco.

Ao lado de Rosa, via-se pendurado na parede uma tela com uma pintura que mostrava uma casa de campo. “É a casa da minha família, na região de Lucca (Toscana, Itália), um lugar com muito verde, parecido com o Brasil”, ele revela, lembrando que o avô começou a produzir vinho no Riacho Grande em 1927. “Ele desceu do navio e parou aqui.”

Essa ligação emocional com os ancestrais é o que move muitos produtores da região. “Quando eu faço vinho, lembro do meu pai...”, conta Italo Antonio Meneghetti, 72 anos, que fica com os olhos cheios de lágrimas e não consegue completar as frases: “Não há dinheiro que pague...”

Italo e seu irmão Bruno Victorio aliam-se à família Rocco na hora de fazer vinho. O contador e assessor jurídico Pedro Rocco, 49 anos, também se emociona: “Tenho adoração em cozinhar e fazer vinho. O meu pai morreu há 15 anos, mas é como se ele estivesse junto comigo, aqui na adega, o tempo todo.”

Os Rocco têm uma cantina fechada (telefone: 4339-1344), que atende apenas grupos pequenos de convidados. É lá que se esgota a maior parte de sua produção anual de 13 mil litros de vinho. Enquanto manejam a bebida, os Rocco e os Meneghetti suspiram: “Madonna, esse vinho com umas polenta...Mamma mia”.

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