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Poder político sai das mãos do PT


Juliana de Sordi Gattone e Leandro Laranjeira
Do Diário do Grande ABC

27/01/2007 | 18:24


A política no Grande ABC passou por mudanças significativas do ponto de vista de identidade. Tanto especialistas quanto políticos concordam que depois da morte do ex-prefeito Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002, a região não foi capaz de produzir outro líder político.

Em 1990 era possível dizer que a região tinha forte identificação com o PT, até por ter sido o berço do partido fundado para defender os interesses dos trabalhadores. Hoje, o PT perdeu força de maneira geral nas sete cidades. Nos últimos 10 anos, por exemplo, a legenda chegou a administrar cinco municípios – Santo André, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Atualmente, detém o comando de apenas dois Executivos: Santo André e Diadema.

Gilson Menezes (PCdoB) foi o primeiro prefeito eleito pelo PT do Brasil. Segundo ele, “não há dúvida” de que seu antigo partido perdeu espaço. “É uma questão até numérica”, diz, comparando a quantidade de prefeituras que a legenda comandava há 10 anos e agora. “Depende do momento. O PT pode recuperar ou até mesmo perder mais espaço. É difícil avaliar”, pondera o ex-prefeito de Diadema.

Para o também ex-petista Maurício Soares (PSB), que governou São Bernardo por três vezes (de 1989 a 1992 e entre 1997 e 2003), a explicação da redução de força do PT está diretamente relacionada à perda de importância do movimento sindical na região. “Quando o sindicato era forte, o PT era praticamente imbatível. A liderança exercida pelo então metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, os movimentos de greve, tudo isso levava a multidão a seguir as palavras de ordem da legenda”, analisa. Para o socialista, a massa trabalhadora ficou mais crítica nos últimos anos, “Isso possibilita o surgimento de novas propostas.”

Soares, contudo, acredita que a sigla tenha totais condições de se recuperar, principalmente se o presidente Lula corresponder às expectativas neste segundo mandato. “Apesar de as questões básicas dos trabalhadores não estarem sendo resolvidas, Lula foi reeleito com margem muito boa de votos e o seu carisma pode fortalecer o PT novamente.”

Apesar da visível perda de espaço do PT, o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira diz que outros partidos não conseguiram se aproveitar da oportunidade de preencher a lacuna, segundo ele, ainda existente na região. “O Grande ABC tinha uma marca política muito vinculada ao PT. Hoje, talvez, esteja em busca de uma nova referência política, que pode ser tanto um partido, que até agora não conseguiu se consolidar, como também lideranças pessoais.”

Ainda na opinião de Teixeira, desde a morte de Celso Daniel, a região produziu apenas “promessas tímidas” de líderes que poderiam talvez ultrapassar a barreira da regionalidade. Entre elas, o analista destaca o prefeito de São Bernardo, William Dib (PSB), e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT-São Bernardo). Para Teixeira, porém, todos esses nomes ainda são uma incógnita.

Ele diz não saber até que ponto Dib pode se tornar uma liderança estadual ou mesmo nacional. “Observando à distância, parece que o fenômeno Dib é restrito a São Bernardo. Ele não tem tanta relevância para a região como tinha o Celso Daniel”, compara.

Teixeira cita o ministro Marinho como possível liderança da região no futuro. “Não sabemos qual o fôlego dele porque nunca disputou uma eleição em que fosse eleito diretamente. Mas tem fama de conciliador e é inegável que tenha prestígio.”



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