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Especialista americano diz que Brasil desperdiça energia


Do Diário do Grande ABC

24/06/2000 | 15:07


Um perverso sistema de incentivos para as distribuidoras de energia perpetua a despreocupaçao com o desperdício e atrasa a soluçao da crise energética que se agrava no país. Nele, as concessionárias aumentam seu faturamento ao venderem mais kilowatts/hora (kw/h) a um preço inferior ao do mercado, ao invés de tentarem diminuir a conta do consumidor. A crítica partiu do físico americano e especialista em energia alternativa Amory Lovins, do Rocky Mountain Institute, nos Estados Unidos, em recente visita ao Brasil.

Se o consumidor passar a economizar energia, a concessionária ganha proporcionalmente menos, já que a contabilidade considera o pagamento do produto da tarifa multiplicado pelo consumo. Ou seja, nao há praticamente incentivo para promover as medidas de economia de energia, aumentando a eficiência energética e diminuindo os custos de produçao industrial no país.

Autor e co-autor de 26 livros sobre o tema e titular do prêmio Nobel alternativo, o Right Livelihood Award, Lovins atribui a esse antiquado sistema contábil, aliado a falhas na política estratégica e baixos investimentos em pesquisa e educaçao do usuário, a ineficiência do programa de poupança energética da Eletrobrás, o Procel.

Segundo Lovins, o Procel é insuficiente para combater a ameaça das falhas energéticas no Brasil, que poderao desencadear severos blecautes nos principais pólos industriais, atingindo diretamente o crescimento econômico do país.

Criado em 1985 para incentivar a economia de eletricidade, o Procel vem sendo responsável por uma economia de apenas 2,3% da energia utilizada em todo o país. A projeçao para chegar a 3,5% este ano e a 15% em 2010 é considerada insuficiente, pelo físico americano.

Lovins disse que o Procel é uma política reativa diante da ameaça real da falta de energia generalizada. Ele ressaltou que a alternativa da construçao de mais unidades de geraçao elétrica tampouco é ``o melhor caminho para que haja fornecimento de energia confiável e o desenvolvimento econômico que em geral a acompanha''.

A proposta de Lovins é que as empresas de energia voltem a oferecer ao consumidor o produto originalmente negociado pelo inventor da lâmpada, Thomas Edison: o serviço de iluminaçao e aquecimento.

O especialista brasileiro Jaime Buarque de Holanda, do Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee), Jaime Buarque de Holanda, concordou que o processo contábil deve ser revisto. Num país onde nem todos têm acesso à energia elétrica, ele disse que ao incentivar o uso de equipamentos mais econômicos, as concessionárias têm a possibilidade de expandir sua clientela, providenciando energia por um custo similar para mais consumidores. De fato, se para cada watt sao investidos cerca de US$ 3 (R$ 5,4), se o consumidor utilizar uma lâmpada que consome menos watts, a companhia provedora ganha em volume de energia a ser vendida.

Mas num país onde o salário mínimo atinge apenas R$ 151 mensais, o poder aquisitivo da populaçao pode nao estar ainda maduro para investimentos altos em lâmpadas mais eficientes. Apesar de durarem em média quase nove mil horas a mais que a lâmpada comum, é preciso que o consumidor desembolse quase quarenta vezes mais de uma só vez por uma lâmpada de alta eficiência.



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