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Produtos ecológicos
ganham mercado


Leone Farias
do Diário do Grande ABC

24/10/2011 | 07:00


Cresce, no mercado, a tendência de as empresas apostarem em produtos de fonte renovável, ambientalmente mais amigáveis ao meio-ambiente. Apenas na última semana, duas grandes empresas com fábricas no Grande ABC lançaram itens com esse foco, que utilizam derivados de cana-de-açúcar.

Uma delas foi a indústria Prysmian. A companhia, que tem unidade fabril em Santo André, passará a comercializar, a partir de novembro, o primeiro cabo elétrico com revestimento feito de plástico ‘verde' (que utiliza como matéria-prima o etanol dessa planta) no mundo.

A outra foi a Rhodia. A empresa, que também tem operações nesse município, lançou um produto químico (chamado bio n-butanol) que pode ser derivado do bagaço da cana, restos de madeira e de glicerina, para utilização como solvente para formulação de tintas e vernizes.

Com investimento de R$ 5 milhões no desenvolvimento e adaptação de linhas produtivas, a Prysmian teve como parceira nesse processo a petroquímica Braskem, que também tem fábricas no Grande ABC e que fornecerá o polietileno (um tipo de resina plástica) verde para a fabricação de parte do revestimento do cabo elétrico Afumex Green, de baixa tensão (de 450V a 750V). O diretor de vendas e marketing, Humberto Duplat Paiva, assinala que o produto tem custo 3% mais alto, que não será repassado nos preços. A empresa aposta na duplicação das vendas em dois anos.

No caso da Rhodia, foi firmada a assinatura de memorando com o grupo Cobalt Technologies, líder no desenvolvimento de tecnologia em bioquímicos, para o desenvolvimento do bio n-butanol - que atualmente é importado pela companhia.

Essse produto, no mundo todo, tem mercado de mais de US$ 5 bilhões, e deve ampliar a gama de solventes de fontes renováveis da empresa. A expectativa do presidente da Rhodia Coatis, Vicente Kamel, é ter a produção de até 200 mil toneladas por ano, a partir de 2015. Também está nos planos a formação de joint venture para implantar algumas biorefinarias desse produto, primeiramente no Brasil e depois na América Latina.

BRASKEM - O PE verde da Braskem começou a ser fabricado em escala comercial em setembro de 2010 em Triunfo (RS), com capacidade de produção de 200 mil toneladas anuais. Por ser obtido a partir de fonte renovável, sem perder as características do plástico tradicional, derivado do petróleo, tem ganhado aceitação no mercado.

O primeiro produto que adotou essa resina ecológica foi o Banco Imobiliário Sustentável, uma versão do tradicional jogo de tabuleiro. Depois, foram firmadas parcerias com a Natura, que adotou o material em embalagens de condicionador; com a Coca-Cola, para os sucos Odwalla, nos Estados Unidos, com a Danone, para linha Actimel, na França, entre outras.

A companhia finalizou neste ano estudos de engenharia e deve iniciar, em 2013, a produção de polipropileno verde (outro tipo de resina utilizada para a fabricação de peças plásticas). A expectativa é de investimentos de US$ 100 milhões, para a empresa ter capacidade mínima de 30 mil toneladas por ano.

 

Consumidor passa a exigir item sustentável

Os produtos de apelo ecológico, que têm fontes renováveis, têm se destacado no mundo, e o consumidor tem papel importante para que isso ocorra, diz o coordenador do curso de administração da Universidade Metodista, Eder Polizei.

Segundo ele, como as pessoas têm opções amplas de produtos, têm se tornado mais exigentes. Ao mesmo tempo, na busca de diferenciação, as empresas, desde a década de 1990, têm explorado o marketing societal, que é a busca de satisfazer o consumidor e também ampliar o bem-estar da sociedade.

Polizei ressalta: "A empresa não vai fazer (produto ecológico) se não tiver retorno do investimento." No entanto, salienta que essa tendência cresce e, na medida em que é incorporada por mais gente, há a pressão social pelo ambientalmente correto. Ele cita, como exemplo, o carro híbrido, que nos Estados Unidos não "pega bem" ter um carro grande que consome muito.

 

País tem experiência em fontes renováveis

O Brasil é pioneiro em química de fontes renováveis, com longa experiência nessa área e aos poucos o interesse por essa tecnologia vem se espalhando e chegando também a outros países, apontam especialistas.

Para o consultor Otávio Carvalho, diretor da Maxiquim, essa é tendência que cresce também com a viabilização econômica. Quanto mais o custo dessas alternativas, como o plástico da cana-de-açúcar, se aproximam em relação ao competidor fóssil (o petróleo), maiores as chances de vingar no mercado. "O limite é dado pela rentabilidade", diz Carvalho.

No entanto, segundo o consultor da União da Indústria da Cana de Açúcar Alfred Szwarc, desde a década de 1940, antes do desenvolvimento da indústria petroquímica no País, já havia registros de produção de etanol por indústrias químicas, como a Rhodia.

Na década de 1970, no Brasil, com o Proalcool, a alcoolquímica voltou a ter atratividade, mas essa rota foi deixada de lado, em meados dos anos 1980, com a queda nos preços do petróleo.

Com custos mais equilibrados e o apelo sustentável, hoje ganham espaço no mundo, além do etanol - atualmente o maior produtor desse combustível são os Estados Unidos - e do biodiesel (até a Argentina tem aproveitado sua soja para essa produção), outros itens (como o plástico e a tinta) derivados do material renovável.

 

 



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Produtos ecológicos
ganham mercado

Leone Farias
do Diário do Grande ABC

24/10/2011 | 07:00


Cresce, no mercado, a tendência de as empresas apostarem em produtos de fonte renovável, ambientalmente mais amigáveis ao meio-ambiente. Apenas na última semana, duas grandes empresas com fábricas no Grande ABC lançaram itens com esse foco, que utilizam derivados de cana-de-açúcar.

Uma delas foi a indústria Prysmian. A companhia, que tem unidade fabril em Santo André, passará a comercializar, a partir de novembro, o primeiro cabo elétrico com revestimento feito de plástico ‘verde' (que utiliza como matéria-prima o etanol dessa planta) no mundo.

A outra foi a Rhodia. A empresa, que também tem operações nesse município, lançou um produto químico (chamado bio n-butanol) que pode ser derivado do bagaço da cana, restos de madeira e de glicerina, para utilização como solvente para formulação de tintas e vernizes.

Com investimento de R$ 5 milhões no desenvolvimento e adaptação de linhas produtivas, a Prysmian teve como parceira nesse processo a petroquímica Braskem, que também tem fábricas no Grande ABC e que fornecerá o polietileno (um tipo de resina plástica) verde para a fabricação de parte do revestimento do cabo elétrico Afumex Green, de baixa tensão (de 450V a 750V). O diretor de vendas e marketing, Humberto Duplat Paiva, assinala que o produto tem custo 3% mais alto, que não será repassado nos preços. A empresa aposta na duplicação das vendas em dois anos.

No caso da Rhodia, foi firmada a assinatura de memorando com o grupo Cobalt Technologies, líder no desenvolvimento de tecnologia em bioquímicos, para o desenvolvimento do bio n-butanol - que atualmente é importado pela companhia.

Essse produto, no mundo todo, tem mercado de mais de US$ 5 bilhões, e deve ampliar a gama de solventes de fontes renováveis da empresa. A expectativa do presidente da Rhodia Coatis, Vicente Kamel, é ter a produção de até 200 mil toneladas por ano, a partir de 2015. Também está nos planos a formação de joint venture para implantar algumas biorefinarias desse produto, primeiramente no Brasil e depois na América Latina.

BRASKEM - O PE verde da Braskem começou a ser fabricado em escala comercial em setembro de 2010 em Triunfo (RS), com capacidade de produção de 200 mil toneladas anuais. Por ser obtido a partir de fonte renovável, sem perder as características do plástico tradicional, derivado do petróleo, tem ganhado aceitação no mercado.

O primeiro produto que adotou essa resina ecológica foi o Banco Imobiliário Sustentável, uma versão do tradicional jogo de tabuleiro. Depois, foram firmadas parcerias com a Natura, que adotou o material em embalagens de condicionador; com a Coca-Cola, para os sucos Odwalla, nos Estados Unidos, com a Danone, para linha Actimel, na França, entre outras.

A companhia finalizou neste ano estudos de engenharia e deve iniciar, em 2013, a produção de polipropileno verde (outro tipo de resina utilizada para a fabricação de peças plásticas). A expectativa é de investimentos de US$ 100 milhões, para a empresa ter capacidade mínima de 30 mil toneladas por ano.

 

Consumidor passa a exigir item sustentável

Os produtos de apelo ecológico, que têm fontes renováveis, têm se destacado no mundo, e o consumidor tem papel importante para que isso ocorra, diz o coordenador do curso de administração da Universidade Metodista, Eder Polizei.

Segundo ele, como as pessoas têm opções amplas de produtos, têm se tornado mais exigentes. Ao mesmo tempo, na busca de diferenciação, as empresas, desde a década de 1990, têm explorado o marketing societal, que é a busca de satisfazer o consumidor e também ampliar o bem-estar da sociedade.

Polizei ressalta: "A empresa não vai fazer (produto ecológico) se não tiver retorno do investimento." No entanto, salienta que essa tendência cresce e, na medida em que é incorporada por mais gente, há a pressão social pelo ambientalmente correto. Ele cita, como exemplo, o carro híbrido, que nos Estados Unidos não "pega bem" ter um carro grande que consome muito.

 

País tem experiência em fontes renováveis

O Brasil é pioneiro em química de fontes renováveis, com longa experiência nessa área e aos poucos o interesse por essa tecnologia vem se espalhando e chegando também a outros países, apontam especialistas.

Para o consultor Otávio Carvalho, diretor da Maxiquim, essa é tendência que cresce também com a viabilização econômica. Quanto mais o custo dessas alternativas, como o plástico da cana-de-açúcar, se aproximam em relação ao competidor fóssil (o petróleo), maiores as chances de vingar no mercado. "O limite é dado pela rentabilidade", diz Carvalho.

No entanto, segundo o consultor da União da Indústria da Cana de Açúcar Alfred Szwarc, desde a década de 1940, antes do desenvolvimento da indústria petroquímica no País, já havia registros de produção de etanol por indústrias químicas, como a Rhodia.

Na década de 1970, no Brasil, com o Proalcool, a alcoolquímica voltou a ter atratividade, mas essa rota foi deixada de lado, em meados dos anos 1980, com a queda nos preços do petróleo.

Com custos mais equilibrados e o apelo sustentável, hoje ganham espaço no mundo, além do etanol - atualmente o maior produtor desse combustível são os Estados Unidos - e do biodiesel (até a Argentina tem aproveitado sua soja para essa produção), outros itens (como o plástico e a tinta) derivados do material renovável.

 

 

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