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Médicos paralisam atividades no Grande ABC


Paula Cabrera
Do Diário do Grande ABC

08/04/2011 | 07:02


Longas jornadas, sobrecarga de trabalho, defasagem salarial e uma série de impedimentos técnicos no exercício da profissão não são queixas apenas do segmento operário. Os cerca de 160 mil médicos em atividade no País foram às ruas ontem protestar contra problemas no setor privado de saúde. A paralisação dos 50 mil médicos que atendem em todo o Estado culminou no cancelamento de grande parte de consultas e procedimentos eletivos agendados para ontem.

No Grande ABC, que perdeu três grandes hospitais em menos de um ano, a crise é ainda mais latente. O preço médio de uma consulta paga a um profissional é de cerca de R$ 21. Além disso, em uma carga horária de oito horas, são atendidos em média 40 pacientes, ou um a cada 12 minutos. Para corrigir a distorção, o sindicato pede revisão do valor pago para R$ 80.

"Ao invés de termos uma abertura de vagas, com base no potencial que temos na região para atender essa demanda reprimida, acontece exatamente o contrário. É cada vez menor o número de médicos atendendo, o que os sobrecarrega e dificulta ainda mais o atendimento", conta o presidente do Sindmed ABC (Sindicato dos Médicos do Grande ABC), Ari Wajsfeld.

São cerca de 4.500 profissionais cadastrados em toda região, fora os que estão registrados no sindicato paulista, mas que prestam atendimento no Grande ABC. Entre as especialidades com maior demanda estão ginecologistas, obstetras e cirurgiões especializados no aparelho digestivo.

"Há também grande dificuldade na marcação de consultas com oftalmologistas e pediatras. O valor médio pago por cirurgias também é absurdo. Em muitos locais paga-se apenas R$ 160 pela cesárea", pontua Wajsfeld.

O "engessamento" por parte das operadoras é outro ponto dos mais questionados pela categoria. Segundo o sindicato há muita burocracia na liberação de procedimentos mais complexos, o que acaba dificultando o diagnóstico médico. "A grosso modo, a relação dos planos de saúde com os médicos se deteriora rapidamente e, aqui no Grande ABC, cerca de 50% da população é assistida pela saúde suplementar", completa o diretor-presidente da APM (Associação Paulista de Medicina) de São Bernardo e Diadema, Everaldo Porto Cunha.

Com base nessas reivindicações, grande parte do corpo médico da região acompanhou a marcha feita na Capital durante a manhã de ontem. No total, cerca de 1.000 médicos caminharam da sede da APM (Rua Francisca Miquelina, 67, centro) até a Catedral da Sé. A paralisação dos atendimentos estava programada para durar até as 9h30 de hoje.

Após a manifestação, a FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) justificou, em nota, que "a entidade que congrega 15 grupos de operadoras de planos de saúde, revisou o valor médio das consultas médicas praticado por afiliadas da Federação. Entre 2002 e 2010 o reajuste variou entre 83,33% e 116,30%".

Ainda no comunicado, a entidade atesta que os índices "são significativamente superiores à variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) no mesmo período, que foi de 56,68% - colocando as empresas afiliadas à FenaSaúde entre as que pagam os maiores valores de consultas e honorários aos médicos que optaram por integrar suas redes credenciadas e/ou referenciadas. Estes valores são reajustados anualmente nas datas-bases acordadas nos contratos em vigor."

Durante todo o dia as centrais de atendimento das operadoras ficaram prontas para orientar os beneficiários sobre o cancelamento das consultas, não tendo sido observado comportamento fora da normalidade.

Dentistas do Grande ABC apoiaram manifestação

Os dentistas do Grande ABC também manifestaram seu descontentamento com o atendimento das operadoras de saúde e as atuais condições de trabalho empregadas aos profissionais. Entre as principais reclamações está a metodologia de prestação de serviço do setor, que tem número certo de procedimentos que podem ser efetuados por mês, além do baixo pagamento para reposição de materiais.

"Atualmente, o dentista só pode fazer o tratamento de acordo com o que é pago pelo paciente à operadora. Então, se o pagamento da mensalidade é de R$ 10 ou R$ 12, por exemplo, você tem número certo de procedimentos, como obturações, a serem feitas por mês; normalmente não podem ser mais de duas", explica José Carlos Louzada, diretor-presidente do Sindiodonto (Sindicato dos Odontologistas do Grande ABC).

"Com isso, somos obrigados a agendar pacientes de maneira a não extrapolar o valor que ele paga, o que aumenta o prazo de atendimento e gera insatisfação. Caso o dentista faça qualquer procedimento a mais do que o permitido, ele não recebe por isso."



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Médicos paralisam atividades no Grande ABC

Paula Cabrera
Do Diário do Grande ABC

08/04/2011 | 07:02


Longas jornadas, sobrecarga de trabalho, defasagem salarial e uma série de impedimentos técnicos no exercício da profissão não são queixas apenas do segmento operário. Os cerca de 160 mil médicos em atividade no País foram às ruas ontem protestar contra problemas no setor privado de saúde. A paralisação dos 50 mil médicos que atendem em todo o Estado culminou no cancelamento de grande parte de consultas e procedimentos eletivos agendados para ontem.

No Grande ABC, que perdeu três grandes hospitais em menos de um ano, a crise é ainda mais latente. O preço médio de uma consulta paga a um profissional é de cerca de R$ 21. Além disso, em uma carga horária de oito horas, são atendidos em média 40 pacientes, ou um a cada 12 minutos. Para corrigir a distorção, o sindicato pede revisão do valor pago para R$ 80.

"Ao invés de termos uma abertura de vagas, com base no potencial que temos na região para atender essa demanda reprimida, acontece exatamente o contrário. É cada vez menor o número de médicos atendendo, o que os sobrecarrega e dificulta ainda mais o atendimento", conta o presidente do Sindmed ABC (Sindicato dos Médicos do Grande ABC), Ari Wajsfeld.

São cerca de 4.500 profissionais cadastrados em toda região, fora os que estão registrados no sindicato paulista, mas que prestam atendimento no Grande ABC. Entre as especialidades com maior demanda estão ginecologistas, obstetras e cirurgiões especializados no aparelho digestivo.

"Há também grande dificuldade na marcação de consultas com oftalmologistas e pediatras. O valor médio pago por cirurgias também é absurdo. Em muitos locais paga-se apenas R$ 160 pela cesárea", pontua Wajsfeld.

O "engessamento" por parte das operadoras é outro ponto dos mais questionados pela categoria. Segundo o sindicato há muita burocracia na liberação de procedimentos mais complexos, o que acaba dificultando o diagnóstico médico. "A grosso modo, a relação dos planos de saúde com os médicos se deteriora rapidamente e, aqui no Grande ABC, cerca de 50% da população é assistida pela saúde suplementar", completa o diretor-presidente da APM (Associação Paulista de Medicina) de São Bernardo e Diadema, Everaldo Porto Cunha.

Com base nessas reivindicações, grande parte do corpo médico da região acompanhou a marcha feita na Capital durante a manhã de ontem. No total, cerca de 1.000 médicos caminharam da sede da APM (Rua Francisca Miquelina, 67, centro) até a Catedral da Sé. A paralisação dos atendimentos estava programada para durar até as 9h30 de hoje.

Após a manifestação, a FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) justificou, em nota, que "a entidade que congrega 15 grupos de operadoras de planos de saúde, revisou o valor médio das consultas médicas praticado por afiliadas da Federação. Entre 2002 e 2010 o reajuste variou entre 83,33% e 116,30%".

Ainda no comunicado, a entidade atesta que os índices "são significativamente superiores à variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) no mesmo período, que foi de 56,68% - colocando as empresas afiliadas à FenaSaúde entre as que pagam os maiores valores de consultas e honorários aos médicos que optaram por integrar suas redes credenciadas e/ou referenciadas. Estes valores são reajustados anualmente nas datas-bases acordadas nos contratos em vigor."

Durante todo o dia as centrais de atendimento das operadoras ficaram prontas para orientar os beneficiários sobre o cancelamento das consultas, não tendo sido observado comportamento fora da normalidade.

Dentistas do Grande ABC apoiaram manifestação

Os dentistas do Grande ABC também manifestaram seu descontentamento com o atendimento das operadoras de saúde e as atuais condições de trabalho empregadas aos profissionais. Entre as principais reclamações está a metodologia de prestação de serviço do setor, que tem número certo de procedimentos que podem ser efetuados por mês, além do baixo pagamento para reposição de materiais.

"Atualmente, o dentista só pode fazer o tratamento de acordo com o que é pago pelo paciente à operadora. Então, se o pagamento da mensalidade é de R$ 10 ou R$ 12, por exemplo, você tem número certo de procedimentos, como obturações, a serem feitas por mês; normalmente não podem ser mais de duas", explica José Carlos Louzada, diretor-presidente do Sindiodonto (Sindicato dos Odontologistas do Grande ABC).

"Com isso, somos obrigados a agendar pacientes de maneira a não extrapolar o valor que ele paga, o que aumenta o prazo de atendimento e gera insatisfação. Caso o dentista faça qualquer procedimento a mais do que o permitido, ele não recebe por isso."

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