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Do Rudge Ramos para os palcos


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

10/10/2015 | 07:00


Aos 6 anos, a então pequena Gigi Bifulco escreveu, montou e dirigiu sua primeira peça de teatro. O elenco era formado por ela, é claro, e pelos seis primos. Já a plateia, composta pela família e por clientes do salão de cabeleireiros da avó. Passados 19 anos, a moradora do bairro Rudge Ramos, em São Bernardo, continua nos palcos, mas desta vez profissionalmente. Ela está em cartaz há duas temporadas no Espaço Promon, na Vila Olímpia, na Capital, com a peça Grande Circo Científico.

Embora o amor pela arte nunca tenha deixado o coração de Giovanna, a carreira artística não foi sua primeira opção. Ela se formou na faculdade de Química e trabalhava na área de nanotecnologia. “Estava com a vida estável. Tinha um bom salário. Mas faltava alguma coisa. Toda vez que ia ao teatro chorava, não conseguia assistir a novelas porque ficava com a sensação de que eu deveria estar lá no lugar das atrizes”, revela.

Foi aos 21 anos, incentivada por um ex-namorado, que Giovanna resolveu mudar de vida literalmente. Saiu do emprego, voltou a morar com os pais e se matriculou no curso de teatro com enfoque no humor. “Foi um desafio. Tive de cortar os gastos e readequar minha vida”, diz.

Desde 2011, a atriz passou a integrar equipe da Mad Science, franquia canadense que oferece entretenimento com enfoque em arte e educação no País. A empresa tem 12 shows preestabelecidos, sendo que um deles ganhou lugar especial na vida de Gigi. “Sempre gostei de fazer o Circo (Grande Circo Científico). O roteiro precisou ser adaptado, porque ele vem do Canadá, então os diálogos são mais frios e sem interação. Foi uma peça escrita em duas semanas e ensaiada em outras duas semanas. É incrível o que conseguimos fazer em tão pouco tempo”, orgulha-se.

No espetáculo, que tem duração de cerca de 50 minutos, Giovanna dá vida à cientista maluca Genética e divide o palco com o ator Tiago Prates, intérprete do Tonelada. “São dois malucos desvendando mistérios da ciência dentro do circo. Queremos mostrar o por que a bailarina se equilibra, como funciona o arremesso de canhão, como é possível um homem cuspir fogo. Tudo com muito humor e fenômenos científicos”, explica Gigi.

A atriz lembra ainda que a formação em Química é fundamental para lhe dar segurança no momento de aplicar os conhecimentos no palco. “Estamos na segunda temporada e já temos uma terceira garantida para dezembro. É muito bacana ver o reconhecimento”, comemora. Embora tenha o pé no chão, Giovanna almeja bom futuro profissional. “Aos 30 anos gostaria de ter a experiência de fazer uma novela e, é claro, cinema é um sonho”, admite.

A peça está em cartaz todos os domingos, às 15h30, até 25 de outubro. O ingresso custa R$ 50 e R$ 25 meia-entrada.

 

Adega mantém acolhida alegre há 38 anos

A acolhida aos clientes assim que adentram as portas é irresistível. “Deseja degustar algum vinho?”, convida um dos funcionários. Esse é o padrão de atendimento disseminado pelo fundador da tradicional Adega Tonel, Renor Lucin, 88 anos, desde que o espaço foi inaugurado, em 1977. O local é destino certo daqueles que precisam de bebidas, queijos e antepastos e que gostam de ser recebidos com bom humor e atenção.

O que começou como opção de distração após aposentadoria do ex-metalúrgico se tornou o negócio da família. Hoje, a adega é administrada também pelos dois filhos: Antônio Carlos e Rosemeire Lucin. “Aos poucos ele foi envolvendo a família. Trabalhava em uma empresa na área de custos, mas desde 1985 estou aqui todos os dias”, destaca o filho empreendedor.

Em meio aos cerca de 1.000 rótulos de bebidas dos mais variados tipos e nacionalidades, fica difícil resistir à tentação. A saída, confessa Antônio Carlos, foi realizar um trato com o pai, feito já há 30 anos. “Não bebemos em horário de expediente. Quando baixamos as portas, podemos beber até cair”, brinca.

Para não ficar atrasada no tempo, a adega precisou passar por processo que culminou, inclusive, com a mudança do perfil dos clientes há 15 anos. “Antes oferecíamos bebidas para serem consumidas aqui, tínhamos uma cozinha e servíamos bolinhos, coxinhas. Mas percebemos que isso acabava afastando algumas pessoas, principalmente as mulheres. Resolvemos derrubar a cozinha, incorporamos queijos finos, antepastos e bebidas mais sofisticadas. Agora só é feita degustação aqui dentro.” E só com degustação, são consumidos cerca de 1.500 garrafas por mês.

Há cerca de dez anos, o local passou a contar com um vinho de marca própria. A bebida, servida nas versões tinto e branco suave, carrega o nome do fundador: Dom Renor. “Esse vinho é o nosso carro-chefe”, orgulha-se Carlos. Uma garrafa de 750 ml custa R$ 11.

“O brasileiro começou a descobrir que o vinho faz bem para a saúde, embora o consumo ainda seja bem inferior ao de países como Argentina e Chile, onde faz mais frio”, anima-se o empreendedor.

 

Loja de discos incrementa serviços para sobreviver

Difícil acreditar que uma loja de discos sobreviva em plena era digital. O segredo, de acordo com o proprietário do local, Sérgio de Anuncio, 64 anos, é acompanhar a evolução. Por isso, a Merci Disco, que nasceu em 1960 oferecendo as novidades em formato de LP e compactos para os frequentadores da região central do Rudge Ramos, passou a incrementar seus serviços. Hoje, o espaço disponibiliza desde CDs, DVDs e blu-ray dos mais variados tipos de estilos musicais e filmes inclusive no e-commerce.

“É um mercado dificílimo. Além de mantermos o bom atendimento, oferecemos essa praticidade de vender pelo site para todo o Brasil. Temos de brigar pelo cliente”, destaca Anuncio, que herdou o comércio do tio há 35 anos.

Assim como a loja de discos, o Rudge Ramos é exemplo de local que evoluiu sem perder suas características interioranas. “Quem vem para cá não sai mais. Conseguimos fazer tudo a pé. Temos mercado, shopping, uma vasta área comercial”, afirma Anuncio. Outro fator que contribui para esse sentimento de pertencimento ao bairro é o fato de clientes e proprietário se chamarem pelo nome. “Todos se conhecem.”

Uma das especialidades da casa são os catálogos, títulos, sejam de filmes ou músicas, antigos ou raros, ressalta um dos funcionários, Junior Souza, 45. “Principalmente colecionadores ou pessoas que querem presentear vêm em busca dos clássicos e grandes sucessos, tanto em séries e filmes como CDs”. Além de discografias completas de artistas renomados, o local oferece vinis 180 gramas novos de diversas bandas e cantores.

Outro diferencial é a possibilidade de o cliente encomendar o material desejado. “Mesmo que não tenhamos aquilo que ele procura, vamos indicar algo semelhante ou onde pode encontrar o item”, promete Anuncio.  



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Do Rudge Ramos para os palcos

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

10/10/2015 | 07:00


Aos 6 anos, a então pequena Gigi Bifulco escreveu, montou e dirigiu sua primeira peça de teatro. O elenco era formado por ela, é claro, e pelos seis primos. Já a plateia, composta pela família e por clientes do salão de cabeleireiros da avó. Passados 19 anos, a moradora do bairro Rudge Ramos, em São Bernardo, continua nos palcos, mas desta vez profissionalmente. Ela está em cartaz há duas temporadas no Espaço Promon, na Vila Olímpia, na Capital, com a peça Grande Circo Científico.

Embora o amor pela arte nunca tenha deixado o coração de Giovanna, a carreira artística não foi sua primeira opção. Ela se formou na faculdade de Química e trabalhava na área de nanotecnologia. “Estava com a vida estável. Tinha um bom salário. Mas faltava alguma coisa. Toda vez que ia ao teatro chorava, não conseguia assistir a novelas porque ficava com a sensação de que eu deveria estar lá no lugar das atrizes”, revela.

Foi aos 21 anos, incentivada por um ex-namorado, que Giovanna resolveu mudar de vida literalmente. Saiu do emprego, voltou a morar com os pais e se matriculou no curso de teatro com enfoque no humor. “Foi um desafio. Tive de cortar os gastos e readequar minha vida”, diz.

Desde 2011, a atriz passou a integrar equipe da Mad Science, franquia canadense que oferece entretenimento com enfoque em arte e educação no País. A empresa tem 12 shows preestabelecidos, sendo que um deles ganhou lugar especial na vida de Gigi. “Sempre gostei de fazer o Circo (Grande Circo Científico). O roteiro precisou ser adaptado, porque ele vem do Canadá, então os diálogos são mais frios e sem interação. Foi uma peça escrita em duas semanas e ensaiada em outras duas semanas. É incrível o que conseguimos fazer em tão pouco tempo”, orgulha-se.

No espetáculo, que tem duração de cerca de 50 minutos, Giovanna dá vida à cientista maluca Genética e divide o palco com o ator Tiago Prates, intérprete do Tonelada. “São dois malucos desvendando mistérios da ciência dentro do circo. Queremos mostrar o por que a bailarina se equilibra, como funciona o arremesso de canhão, como é possível um homem cuspir fogo. Tudo com muito humor e fenômenos científicos”, explica Gigi.

A atriz lembra ainda que a formação em Química é fundamental para lhe dar segurança no momento de aplicar os conhecimentos no palco. “Estamos na segunda temporada e já temos uma terceira garantida para dezembro. É muito bacana ver o reconhecimento”, comemora. Embora tenha o pé no chão, Giovanna almeja bom futuro profissional. “Aos 30 anos gostaria de ter a experiência de fazer uma novela e, é claro, cinema é um sonho”, admite.

A peça está em cartaz todos os domingos, às 15h30, até 25 de outubro. O ingresso custa R$ 50 e R$ 25 meia-entrada.

 

Adega mantém acolhida alegre há 38 anos

A acolhida aos clientes assim que adentram as portas é irresistível. “Deseja degustar algum vinho?”, convida um dos funcionários. Esse é o padrão de atendimento disseminado pelo fundador da tradicional Adega Tonel, Renor Lucin, 88 anos, desde que o espaço foi inaugurado, em 1977. O local é destino certo daqueles que precisam de bebidas, queijos e antepastos e que gostam de ser recebidos com bom humor e atenção.

O que começou como opção de distração após aposentadoria do ex-metalúrgico se tornou o negócio da família. Hoje, a adega é administrada também pelos dois filhos: Antônio Carlos e Rosemeire Lucin. “Aos poucos ele foi envolvendo a família. Trabalhava em uma empresa na área de custos, mas desde 1985 estou aqui todos os dias”, destaca o filho empreendedor.

Em meio aos cerca de 1.000 rótulos de bebidas dos mais variados tipos e nacionalidades, fica difícil resistir à tentação. A saída, confessa Antônio Carlos, foi realizar um trato com o pai, feito já há 30 anos. “Não bebemos em horário de expediente. Quando baixamos as portas, podemos beber até cair”, brinca.

Para não ficar atrasada no tempo, a adega precisou passar por processo que culminou, inclusive, com a mudança do perfil dos clientes há 15 anos. “Antes oferecíamos bebidas para serem consumidas aqui, tínhamos uma cozinha e servíamos bolinhos, coxinhas. Mas percebemos que isso acabava afastando algumas pessoas, principalmente as mulheres. Resolvemos derrubar a cozinha, incorporamos queijos finos, antepastos e bebidas mais sofisticadas. Agora só é feita degustação aqui dentro.” E só com degustação, são consumidos cerca de 1.500 garrafas por mês.

Há cerca de dez anos, o local passou a contar com um vinho de marca própria. A bebida, servida nas versões tinto e branco suave, carrega o nome do fundador: Dom Renor. “Esse vinho é o nosso carro-chefe”, orgulha-se Carlos. Uma garrafa de 750 ml custa R$ 11.

“O brasileiro começou a descobrir que o vinho faz bem para a saúde, embora o consumo ainda seja bem inferior ao de países como Argentina e Chile, onde faz mais frio”, anima-se o empreendedor.

 

Loja de discos incrementa serviços para sobreviver

Difícil acreditar que uma loja de discos sobreviva em plena era digital. O segredo, de acordo com o proprietário do local, Sérgio de Anuncio, 64 anos, é acompanhar a evolução. Por isso, a Merci Disco, que nasceu em 1960 oferecendo as novidades em formato de LP e compactos para os frequentadores da região central do Rudge Ramos, passou a incrementar seus serviços. Hoje, o espaço disponibiliza desde CDs, DVDs e blu-ray dos mais variados tipos de estilos musicais e filmes inclusive no e-commerce.

“É um mercado dificílimo. Além de mantermos o bom atendimento, oferecemos essa praticidade de vender pelo site para todo o Brasil. Temos de brigar pelo cliente”, destaca Anuncio, que herdou o comércio do tio há 35 anos.

Assim como a loja de discos, o Rudge Ramos é exemplo de local que evoluiu sem perder suas características interioranas. “Quem vem para cá não sai mais. Conseguimos fazer tudo a pé. Temos mercado, shopping, uma vasta área comercial”, afirma Anuncio. Outro fator que contribui para esse sentimento de pertencimento ao bairro é o fato de clientes e proprietário se chamarem pelo nome. “Todos se conhecem.”

Uma das especialidades da casa são os catálogos, títulos, sejam de filmes ou músicas, antigos ou raros, ressalta um dos funcionários, Junior Souza, 45. “Principalmente colecionadores ou pessoas que querem presentear vêm em busca dos clássicos e grandes sucessos, tanto em séries e filmes como CDs”. Além de discografias completas de artistas renomados, o local oferece vinis 180 gramas novos de diversas bandas e cantores.

Outro diferencial é a possibilidade de o cliente encomendar o material desejado. “Mesmo que não tenhamos aquilo que ele procura, vamos indicar algo semelhante ou onde pode encontrar o item”, promete Anuncio.  

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