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Tem gente que só pensa naquilo

Como dizem os mágicos, as mãos são mais rápidas que os olhos. No Congresso, com aquelas mãos ágeis...


Carlos Brickmann

24/05/2009 | 00:00


Como dizem os mágicos, as mãos são mais rápidas que os olhos. No Congresso, com aquelas mãos ágeis e treinadíssimas, não se pode desviar o olhar um só instante - pois um só instante é suficiente para que o nosso dinheiro desapareça.

Os malabaristas fazem declarações bombásticas, emitem resoluções que proíbem a farra das passagens aéreas, condenam severamente as múltiplas ajudas pagas pelo Tesouro para amenizar os problemas financeiros de suas excelências. É uma nova vida, proclamam. E até aquela multidão de diretores do Senado será reduzida ao mínimo essencial, enxugada, de dar inveja a empresas privadas.

Enquanto isso, as mãos trabalham. Os diretores do Senado mudam de cargo, mas mantêm funções, vantagens e mordomias. As passagens internacionais, que tinham sido proibidas, continuam proibidas, mas o terceiro secretário da Câmara pode autorizá-las, sem limite. As passagens nacionais não podem ser dadas à família dos nobres parlamentares, mas em troca a semana de trabalho encurtou: para ficar mais tempo com a amantíssima esposa e os queridos filhinhos, o pessoal agora chega a Brasília no fim da tarde de terça e volta na quinta de manhã.

As múltiplas ajudas financeiras - auxílio-paletó, verba indenizatória, auxílio-moradia, auxílio-celular, essas coisas - já não mais existem.

Agora existe o "cotão", a grande cota que não apenas engloba todas as mordomias como ainda entrega aos representantes do povo um apetitoso cartão de crédito para as despesas.

É mesmo uma nova vida. O Congresso está trocando seis por duas dúzias.

SAÚDE É COISA...

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, falou bobagem: disse que as dores que teve "não têm nada a ver com ritmo de trabalho". Têm. O presidente Lula falou bobagem: disse que Dilma está "totalmente curada". Mas só se fala em cura do câncer depois de cinco anos sem nenhuma manifestação. Pode levar uma vida normal, pode disputar eleições, pode ser presidente, pode quase tudo. Só não pode se descuidar.

...SÉRIA

E, enquanto não terminar a quimioterapia, Dilma tem de reduzir o ritmo de trabalho, sim. O tratamento reduz a imunidade e não é aconselhável se enfiar no meio de multidões, subir em palanques, participar de reuniões. Não é aconselhável, também, mergulhar no trabalho: quimioterapia provoca mal-estar. O repouso, nesta fase, é absolutamente essencial. Ir à abertura da festa de São João em Caruaru, dia 30, como Lula pretende, é fora de propósito. Não deve.

BRASILEIRO, NÃO

O Brasil insiste em desprezar dois candidatos brasileiros à Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, para apoiar um estrangeiro. Duas agravantes: um dos brasileiros, Márcio Barbosa, tem boas probabilidades de vitória; e o estrangeiro, o egípcio Farouk Hosny, já defendeu a queima de livros em hebraico que porventura existam nas bibliotecas de seu país. Na opinião do chanceler brasileiro Celso Amorim, foi "uma frase infeliz". Caso o diplomático Amorim tenha lido o escritor alemão Heinrich Heine, ele se lembrará da seguinte frase: "Onde queimam livros, acabarão por queimar pessoas".

PROTESTO ERRADO

Amanhã, no Rio, em São Paulo, em Porto Alegre e em Belo Horizonte, alguns postos vão vender gasolina pela metade do preço (R$ 1,27 o litro) para protestar contra os impostos. Mas não se emocione: primeiro, é para poucos, que entrarão na fila às dez da manhã, esperarão até as 11h o início das vendas e poderão comprar 20 litros, pagando em dinheiro vivo. Segundo, o estoque é reduzido: 4 mil litros, no total, e aí acaba a promoção. Terceiro, o alvo do protesto é errado: gasolina e diesel devem mesmo ser tributados, têm de ser caros, para reduzir o consumo e a poluição do ar e estimular o uso de combustíveis alternativos. Já a eletricidade, oneradíssima por impostos, e que é limpa, foi esquecida neste protesto.

AGORA, VAI

Lembra da simpática sigla GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes - que alguns imaginavam ser Gays, Lésbicas e Suspeitos)? Virou uma sopa de letrinhas, como GLSBTT, para incluir travestis, bissexuais e transexuais; e agora mudou de novo, para LGBT. Novidade: lésbicas à frente. Travestis e Transexuais partilham o mesmo "T". E os simpatizantes, os gay friendly, caíram fora.

ILHA DA FANTASIA

Os partidos governistas marcaram reunião para depois de amanhã, em Brasília, para combinar como se comportarão na reforma política. Não vai dar: a Brasília política, na terça, não tem quase ninguém. A reforma política está no telhado e é dificílimo tirá-la de lá sem acidentes. E, finalmente, se a reunião ocorrer mesmo (apesar da terça-feira) e o pessoal decidir discutir alguma reforma, o racha se tornará explícito: PT, PMDB e PCdoB querem voto em lista fechada e financiamento público de campanha, e PP, PR, PTB e PSB são contra (além disso, há cisões internas em cada partido). Será a reforma do crioulo doido.



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Tem gente que só pensa naquilo

Como dizem os mágicos, as mãos são mais rápidas que os olhos. No Congresso, com aquelas mãos ágeis...

Carlos Brickmann

24/05/2009 | 00:00


Como dizem os mágicos, as mãos são mais rápidas que os olhos. No Congresso, com aquelas mãos ágeis e treinadíssimas, não se pode desviar o olhar um só instante - pois um só instante é suficiente para que o nosso dinheiro desapareça.

Os malabaristas fazem declarações bombásticas, emitem resoluções que proíbem a farra das passagens aéreas, condenam severamente as múltiplas ajudas pagas pelo Tesouro para amenizar os problemas financeiros de suas excelências. É uma nova vida, proclamam. E até aquela multidão de diretores do Senado será reduzida ao mínimo essencial, enxugada, de dar inveja a empresas privadas.

Enquanto isso, as mãos trabalham. Os diretores do Senado mudam de cargo, mas mantêm funções, vantagens e mordomias. As passagens internacionais, que tinham sido proibidas, continuam proibidas, mas o terceiro secretário da Câmara pode autorizá-las, sem limite. As passagens nacionais não podem ser dadas à família dos nobres parlamentares, mas em troca a semana de trabalho encurtou: para ficar mais tempo com a amantíssima esposa e os queridos filhinhos, o pessoal agora chega a Brasília no fim da tarde de terça e volta na quinta de manhã.

As múltiplas ajudas financeiras - auxílio-paletó, verba indenizatória, auxílio-moradia, auxílio-celular, essas coisas - já não mais existem.

Agora existe o "cotão", a grande cota que não apenas engloba todas as mordomias como ainda entrega aos representantes do povo um apetitoso cartão de crédito para as despesas.

É mesmo uma nova vida. O Congresso está trocando seis por duas dúzias.

SAÚDE É COISA...

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, falou bobagem: disse que as dores que teve "não têm nada a ver com ritmo de trabalho". Têm. O presidente Lula falou bobagem: disse que Dilma está "totalmente curada". Mas só se fala em cura do câncer depois de cinco anos sem nenhuma manifestação. Pode levar uma vida normal, pode disputar eleições, pode ser presidente, pode quase tudo. Só não pode se descuidar.

...SÉRIA

E, enquanto não terminar a quimioterapia, Dilma tem de reduzir o ritmo de trabalho, sim. O tratamento reduz a imunidade e não é aconselhável se enfiar no meio de multidões, subir em palanques, participar de reuniões. Não é aconselhável, também, mergulhar no trabalho: quimioterapia provoca mal-estar. O repouso, nesta fase, é absolutamente essencial. Ir à abertura da festa de São João em Caruaru, dia 30, como Lula pretende, é fora de propósito. Não deve.

BRASILEIRO, NÃO

O Brasil insiste em desprezar dois candidatos brasileiros à Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, para apoiar um estrangeiro. Duas agravantes: um dos brasileiros, Márcio Barbosa, tem boas probabilidades de vitória; e o estrangeiro, o egípcio Farouk Hosny, já defendeu a queima de livros em hebraico que porventura existam nas bibliotecas de seu país. Na opinião do chanceler brasileiro Celso Amorim, foi "uma frase infeliz". Caso o diplomático Amorim tenha lido o escritor alemão Heinrich Heine, ele se lembrará da seguinte frase: "Onde queimam livros, acabarão por queimar pessoas".

PROTESTO ERRADO

Amanhã, no Rio, em São Paulo, em Porto Alegre e em Belo Horizonte, alguns postos vão vender gasolina pela metade do preço (R$ 1,27 o litro) para protestar contra os impostos. Mas não se emocione: primeiro, é para poucos, que entrarão na fila às dez da manhã, esperarão até as 11h o início das vendas e poderão comprar 20 litros, pagando em dinheiro vivo. Segundo, o estoque é reduzido: 4 mil litros, no total, e aí acaba a promoção. Terceiro, o alvo do protesto é errado: gasolina e diesel devem mesmo ser tributados, têm de ser caros, para reduzir o consumo e a poluição do ar e estimular o uso de combustíveis alternativos. Já a eletricidade, oneradíssima por impostos, e que é limpa, foi esquecida neste protesto.

AGORA, VAI

Lembra da simpática sigla GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes - que alguns imaginavam ser Gays, Lésbicas e Suspeitos)? Virou uma sopa de letrinhas, como GLSBTT, para incluir travestis, bissexuais e transexuais; e agora mudou de novo, para LGBT. Novidade: lésbicas à frente. Travestis e Transexuais partilham o mesmo "T". E os simpatizantes, os gay friendly, caíram fora.

ILHA DA FANTASIA

Os partidos governistas marcaram reunião para depois de amanhã, em Brasília, para combinar como se comportarão na reforma política. Não vai dar: a Brasília política, na terça, não tem quase ninguém. A reforma política está no telhado e é dificílimo tirá-la de lá sem acidentes. E, finalmente, se a reunião ocorrer mesmo (apesar da terça-feira) e o pessoal decidir discutir alguma reforma, o racha se tornará explícito: PT, PMDB e PCdoB querem voto em lista fechada e financiamento público de campanha, e PP, PR, PTB e PSB são contra (além disso, há cisões internas em cada partido). Será a reforma do crioulo doido.

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