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PM é morto ao tentar evitar assalto em Sto.André


Luciana Sereno
Do Diário do Grande ABC

12/07/2005 | 08:14


O policial militar Vanderlei Aparecido Couto, 33 anos, foi morto por dois assaltantes na manhã de domingo em uma tentativa de assalto à sua casa no bairro Capuava, a faixa de Gaza do crime, em Santo André. Além de Couto, os dois ladrões morreram no tiroteio ocorrido na rua Armênia, por volta das 6h, quando o policial chegava em casa. Couto estava à paisana e havia saído para abastecer o veículo para viajar com a família (mulher, uma filha de 6 anos e a mãe) ao interior do Estado.

O irmão da vítima, João Couto, é tenente da Polícia Militar e acredita que o policial tenha reagido ao assalto porque os criminosos não queriam levar apenas o carro, mas provavelmente invadir a casa. "Ele reagiu para proteger a família. Não permitiria que entrassem na casa."

O bairro Capuava fica na área conhecida como faixa de gaza por conta da alta incidência de crimes. Há cerca de um mês, moradores e comerciantes se uniram para protestar contra a falta de segurança. Um adesivo foi confeccionado com verba da população. A comunidade quer que o 5º Distrito Policial, que atende a área, funcione 24 horas, inclusive nos feriados e fins de semana. E pedem mais policiamento preventivo.

De acordo com informações da Polícia Civil, a dupla de assaltantes chegou ao local do crime em um Gol preto. Eles abordaram o policial na frente da casa. "Foi quando começou a troca de tiros. Foram mais de 30 disparos", contou a testemunha E.M., 29 anos, que mora na mesma rua. M., seu pai e irmão socorreram Couto. "Quando saímos no portão, ele estava estirado no chão e os dois assaltantes haviam fugido no Gol."

Como a dupla também havia sido baleada, o ladrão que dirigia o Gol perdeu o controle do carro e bateu contra um muro e portão de uma casa da rua Nepal, no mesmo bairro. A Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência do acidente e minutos depois descobriu que eram os ladrões do tiroteio. Assaltantes e policial foram levados ao Centro Hospitalarde Santo André, mas não resistiram aos ferimentos.

A testemunha que socorreu o PM contou à polícia que reconheceu a dupla de criminosos quando eles chegaram ao hospital acompanhados pela polícia. Por enquanto, apenas um deles foi identificado. É Antônio Carlos Gandolfi, 29 anos, morador do Parque São Rafael, na zona Leste da capital. O segundo criminoso tinha uma tatuagem de estrela no braço direito.

As armas utilizadas no tiroteio foram apreendidas pela polícia para perícia técnica. Com a dupla de criminosos estava um revólver calibre 38. A arma de Couto, uma pistola Taurus 380, estava com o carregador vazio. A pistola tem capacidade para 15 cápsulas. Para a polícia, o fato de o carregador estar vazio comprova que a troca de tiros foi intensa.

O soldado foi enterrado na manhã de segunda-feira, no cemitério do Curuçá. Mais de 500 pessoas acompanharam o cortejo. A PM participou em peso da cerimônia. O caso está registrado no 2º Distrito Policial de Santo André como resistência à prisão seguida de morte. Couto completaria 14 anos na Polícia Militar em novembro. Atualmente fazia tarefas administrativas pela 10ª Cia do 41º Batalhão da Polícia Militar.

Segunda-feira, após o enterro, o clima na rua Armênia era de tristeza e pânico. Os moradores afirmam que roubo de carros é comum. "Hoje é rotina", disse uma vizinha do PM. Domingo, horas depois do tiroteio, outro morador da mesma rua teve o carro roubado na esquina da casa de Couto. A população diz também que não são raros os casos de assaltos a residências. "Nem precisa ter uma casa luxuosa ou grande. Eles entram em qualquer uma. Não dá para bobear ao chegar em casa. A gente não pode fazer nada porque moramos em uma divisa", completou um vizinho.

Criminalidade - Apesar da enxurrada de reclamações dos moradores, que garantem conviver com o aumento da criminalidade, o delegado seccional de Santo André, Luís Alberto Ferreira de Souza, diz que a situação na região "não é alarmante". "Os índices de criminalidade em bairros do 2º subdistrito de Santo André estão dentro do controle da atividade policial. As estatísticas mostram que não houve aumento. Pelo contrário, houve diminuição em todas as modalidades de crime."

O delegado vai além e diz que o termo faixa de gaza não se justifica quando se trata da área do 5º DP. "Em Santo André, temos áreas mais perigosas do que a região. Não estamos dizendo que não há criminalidade, mas não há motivo para tanto alarde naquela região."

Segundo o seccional, nos seis primeiros meses do ano os índices de roubo de veículos caíram 23,5% em relação ao mesmo período de 2004 e o número de furtos diminuiu 34,5%. O delegado ainda afirma que os índices de homicídio despencaram 60% na área do 5º DP. "Isso comprova que a polícia trabalha naquela área, ao contrário do que diz esse grupo de moradores. De janeiro até hoje (segunda-feira), foram registrados só 12 roubos à residência. E não 131 apenas no primeiro bimestre, como foi citado", sustenta.

Como foi o caso

1- O soldado da PM Vanderlei Couto chega em casa, na rua Armênia, bairro Capuava, em Santo André, por volta das 6h após abastecer o carro para viajar com a família.

2- Dois homens, em um Gol preto, abordam o soldado quando ele estacionava o carro na garagem de casa. O policial tenta impedir que a dupla entre na sua casa e começa a troca de tiros.

3- Os disparos atingem os dois criminosos. Eles acertam um tiro em uma artéria do policial militar. Os bandidos entram no carro usado na tentativa de assalto e fogem. Enquanto vizinhos tentam socorrer o soldado, a dupla de criminosos, baleada, perde o controle do carro, que se choca contra o portão de uma residência na rua Nepal, no mesmo bairro.

4- Os assaltantes e o policial são levados para o Centro Hospitalar de Santo André. No hospital, uma testemunha reconhece os dois criminosos. A dupla e o soldado não resistem aos ferimentos e morrem.

Colaborou Illenia Negrin



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