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Chico Buarque múltiplo e essencial


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

30/06/2008 | 07:05


O observador atento da fauna de boêmios cariocas, o autor perseguido pela truculência de ditadores e o especialista na radiografia do universo feminino. Essas e outras facetas do cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda são apresentadas no box Essencial (SonyBmg, R$ 90 em média), composto por três CDs que reúnem canções marcantes de diversas fases da carreira do ídolo.

O repertório do primeiro disco, Samba e Amor, expõe a cadência bonita e o aspecto político da obra do intérprete. Entre os destaques estão músicas como De Volta ao Samba, Vai Passar e Apesar de Você.
Lançada no período mais tenebroso do regime militar, em 1970, esta última foi censurada, após ter alcançado o topo das paradas.

CRONISTA LÍRICO
O segundo CD, Todo o Sentimento, coloca em primeiro plano o lirismo, matéria-prima de pepitas como Choro Bandido, composição de Chico e Edu Lobo escrita em 1986 e dedicada ao ‘maestro soberano, Tom Jobim. Não faltam outras pérolas como Joana Francesa, Valsa Brasileira, Tatuagem. e Ela é Dançarina.

O álbum Cotidiano enfoca as crônicas produzidas por Chico sobre a realidade nacional. O o uvinte atento perceberá que, mesmo em composições de sua fase inicial como Pedro Pedreiro(1965), Chico já apresentava talento para retratar as mazelas do País sem apelar para um discurso panfletário.

A caixa conta ainda com o CD Entre Amigos, Paratodos, recheado de duetos do artista com medalhões da MPB, como Francis Hime e Nara Leão.

DVD
Outro aperitivo saboroso da caixa é o DVD Chico Buarque ou o País da Delicadeza Perdida. Trata-se de um especial que o cantor estrelou para a TV francesa, em 1990, dirigido por Walter Salles e Nelson Motta.

Filmado em preto-e-branco e narrado pelo ator Paulo José, o programa traz depoimentos de Chico e um show que contou com as participações da cantora Gal Costa e do cantor e ministro da Cultura Gilberto Gil.

O tom da narrativa é essencialmente crítico e o vídeo intercala imagens das belezas naturais do Rio de Janeiro, celebrizadas pela bossa nova no fim dos anos 1950, e cenas de crianças carentes e batidas policiais em favelas.

Destaques

CD 1 - Samba e Amor

Samba do Grande Amor - Em gravação inédita, que foi excluída do repertório do CD As Cidades Ao Vivo (1999).

Chão de Esmeraldas - Inspirada parceria com Hermínio Belo de Carvalho, foi retirada do álbum Chico Buarque de Mangueira (1997), em que o cantor revisita sambas clássicos da agremiação verde-e-rosa.

Vai Passar - Dobradinha com o compositor e pianista Francis Hime, um dos mais constantes parceiros de Chico, a canção foi lançada em 1984, no período de redemocratização do País. Samba-enredo que relata as atrocidades cometidas durante os 20 anos de regime militar de uma maneira, ao mesmo tempo, crítica e esperançosa em relação ao futuro,

CD 2 - Todo o Sentimento

Tatuagem - Parceria com o cineasta moçambicano Ruy Guerra, presente no disco Calabar, o Elogio da Traição (1973). O álbum é homônimo à peça teatral escrita por Chico e Guerra.

Choro Bandido - Escrita a quatro mãos com Edu Lobo, a música presta tributo ao compositor e arranjador Tom Jobim (1927-1994), Além de ter influenciado decisivamente a formação musical da geração posterior à bossa nova, o ‘maestro soberano' foi parceiro constante do autor de A Banda, com quem escreveu clássicos como Sabiá (1968) e Anos Dourados (1986).

"Mesmo que os cantores sejam falsos como eu serão bonitas, não importa, são bonitas as canções", diz um dos trechos de Choro Bandido.
De acordo com o jornalista e pesquisador musical carioca Rodrigo Faour, Chico "quebrou o tabu de que um compositor com pequenos recursos vocais não poderia ser também um bom intérprete."

CD 3 - Cotidiano

Pedro Pedreiro - Lançada em compacto em 1965, apresenta referência marcante da obra de Noel Rosa. Denuncia as desigualdades sociais e os problemas enfrentados pelo trabalhador brasileiro, sem utilizar um discurso ressentido ou panfletário.

Tanto Amar - Regravação inédita que foi extraída do repertório do CD Uma Palavra (1995).

CD 4 - Entre Amigos, Paratodos

Renata Maria - Primeira parceria de Chico com Ivan Lins, a canção foi gravada em 2005.

João e Maria - Gravada em 1977, conta com a participação da cantora Nara Leão, que sublinhou o lirismo da composição com sua voz de timbre suave e marcante.

DVD - Chico ou o País da Delicadeza Perdida.

Brejo da Cruz - Aborda o cotidiano das crianças de rua. "Um país que tem 30 milhões de crianças abandonadas é assustador. É sufocado por um problema econômico absurdo e por uma dívida externa. A questão da educação é sempre relegada ao segundo plano", comenta Chico no DVD.



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Chico Buarque múltiplo e essencial

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

30/06/2008 | 07:05


O observador atento da fauna de boêmios cariocas, o autor perseguido pela truculência de ditadores e o especialista na radiografia do universo feminino. Essas e outras facetas do cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda são apresentadas no box Essencial (SonyBmg, R$ 90 em média), composto por três CDs que reúnem canções marcantes de diversas fases da carreira do ídolo.

O repertório do primeiro disco, Samba e Amor, expõe a cadência bonita e o aspecto político da obra do intérprete. Entre os destaques estão músicas como De Volta ao Samba, Vai Passar e Apesar de Você.
Lançada no período mais tenebroso do regime militar, em 1970, esta última foi censurada, após ter alcançado o topo das paradas.

CRONISTA LÍRICO
O segundo CD, Todo o Sentimento, coloca em primeiro plano o lirismo, matéria-prima de pepitas como Choro Bandido, composição de Chico e Edu Lobo escrita em 1986 e dedicada ao ‘maestro soberano, Tom Jobim. Não faltam outras pérolas como Joana Francesa, Valsa Brasileira, Tatuagem. e Ela é Dançarina.

O álbum Cotidiano enfoca as crônicas produzidas por Chico sobre a realidade nacional. O o uvinte atento perceberá que, mesmo em composições de sua fase inicial como Pedro Pedreiro(1965), Chico já apresentava talento para retratar as mazelas do País sem apelar para um discurso panfletário.

A caixa conta ainda com o CD Entre Amigos, Paratodos, recheado de duetos do artista com medalhões da MPB, como Francis Hime e Nara Leão.

DVD
Outro aperitivo saboroso da caixa é o DVD Chico Buarque ou o País da Delicadeza Perdida. Trata-se de um especial que o cantor estrelou para a TV francesa, em 1990, dirigido por Walter Salles e Nelson Motta.

Filmado em preto-e-branco e narrado pelo ator Paulo José, o programa traz depoimentos de Chico e um show que contou com as participações da cantora Gal Costa e do cantor e ministro da Cultura Gilberto Gil.

O tom da narrativa é essencialmente crítico e o vídeo intercala imagens das belezas naturais do Rio de Janeiro, celebrizadas pela bossa nova no fim dos anos 1950, e cenas de crianças carentes e batidas policiais em favelas.

Destaques

CD 1 - Samba e Amor

Samba do Grande Amor - Em gravação inédita, que foi excluída do repertório do CD As Cidades Ao Vivo (1999).

Chão de Esmeraldas - Inspirada parceria com Hermínio Belo de Carvalho, foi retirada do álbum Chico Buarque de Mangueira (1997), em que o cantor revisita sambas clássicos da agremiação verde-e-rosa.

Vai Passar - Dobradinha com o compositor e pianista Francis Hime, um dos mais constantes parceiros de Chico, a canção foi lançada em 1984, no período de redemocratização do País. Samba-enredo que relata as atrocidades cometidas durante os 20 anos de regime militar de uma maneira, ao mesmo tempo, crítica e esperançosa em relação ao futuro,

CD 2 - Todo o Sentimento

Tatuagem - Parceria com o cineasta moçambicano Ruy Guerra, presente no disco Calabar, o Elogio da Traição (1973). O álbum é homônimo à peça teatral escrita por Chico e Guerra.

Choro Bandido - Escrita a quatro mãos com Edu Lobo, a música presta tributo ao compositor e arranjador Tom Jobim (1927-1994), Além de ter influenciado decisivamente a formação musical da geração posterior à bossa nova, o ‘maestro soberano' foi parceiro constante do autor de A Banda, com quem escreveu clássicos como Sabiá (1968) e Anos Dourados (1986).

"Mesmo que os cantores sejam falsos como eu serão bonitas, não importa, são bonitas as canções", diz um dos trechos de Choro Bandido.
De acordo com o jornalista e pesquisador musical carioca Rodrigo Faour, Chico "quebrou o tabu de que um compositor com pequenos recursos vocais não poderia ser também um bom intérprete."

CD 3 - Cotidiano

Pedro Pedreiro - Lançada em compacto em 1965, apresenta referência marcante da obra de Noel Rosa. Denuncia as desigualdades sociais e os problemas enfrentados pelo trabalhador brasileiro, sem utilizar um discurso ressentido ou panfletário.

Tanto Amar - Regravação inédita que foi extraída do repertório do CD Uma Palavra (1995).

CD 4 - Entre Amigos, Paratodos

Renata Maria - Primeira parceria de Chico com Ivan Lins, a canção foi gravada em 2005.

João e Maria - Gravada em 1977, conta com a participação da cantora Nara Leão, que sublinhou o lirismo da composição com sua voz de timbre suave e marcante.

DVD - Chico ou o País da Delicadeza Perdida.

Brejo da Cruz - Aborda o cotidiano das crianças de rua. "Um país que tem 30 milhões de crianças abandonadas é assustador. É sufocado por um problema econômico absurdo e por uma dívida externa. A questão da educação é sempre relegada ao segundo plano", comenta Chico no DVD.

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