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Discussão sobre a barbárie permeia novo ciclo dos Seminários


Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

08/08/2006 | 08:23


A série Seminários Avançados Sobre a Literatura Moderna Latino-Americana continua no próximo sábado com a discussão de um tema que irá permear todos os encontros deste semestre. É a dicotomia civilização x barbárie, que neste fim de semana toma como ponto de partida o poema Martin Fierro, criado pelo argentino José Hernandez.

A obra de Hernandez é uma espécie de resposta ao Facundo, de Sarmiento, posto que desmonta a idéia de ser o gaúcho a figura bárbara responsável pelo não-desenvolvimento do país.

A realidade tratou de tornar Sarmiento um “vencedor”, na medida em que a Argentina manteve centralizado o poder na Buenos Aires elitista e europeizada.

O gaúcho cujos contornos foram traçados por Hernandez é sujeito forte, o herói bravio do mítico pampa gaúcho. Mas a história também empurrou este homem para o interior e o tornou uma figura praticamente alijada do foco das discussões políticas. Permaneceu no imaginário como o sujeito de hábitos da terra, um ser mais ligado ao folclore e à tradição.

A discussão, ainda hoje, acerca dessa dicotomia é lenha para debates acalorados. “A idéia de que a gente representa um lugar bárbaro mediante as nações desenvolvidas é forte”, afirma o doutor Ricardo Lísias, que comanda a série dos Seminários.

Martin Fierro surge exatamente para recuperar a auto-estima do povo autóctone. E embora o poema épico não seja tão conhecido no Brasil, a discussão cabe perfeitamente em nossa realidade, independentemente de regionalismos

“O poema, em si, não ficou tão conhecido por aqui, mas o debate é muito contemporâneo. Essa questão é decisiva para definir a América Latina”, diz Lísias.

Para os interessados em conhecer o texto, há uma edição em catálogo, lançada pela L&PM, com 98 páginas e preço bem acessível, em torno de R$ 10. Neste livro, publicado originalmente em 1953, Jorge Luis Borges, em colaboração com Margarita Guerrero, analisa Martín Fierro e ilumina a compreensão, o significado e o alcance da epopéia.

Outra opção é recorrer à internet, pois, segundo Lísias, Martin Fierro é de domínio público. Neste caso, vale mais recorrer aos textos originais, em espanhol, e fazer uma leitura com dicionário bilíngüe à mão. se for o caso, “Não é difícil”, sentencia Lísias.

Esta série dedicada à América Latina começou no último sábado e o próximo encontro, no dia 19, terá como foco As Vanguardas Modernistas na América Latina.

Os Seminários Avançados Sobre a Literatura Moderna Latino-Americana são uma iniciativa conjunta da Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer de Santo André, da Escola Livre de Literatura e da Casa da Palavra, com apoio do Diário. Os textos de orientação dos seminários, publicados no jornal impresso, permanecem disponíveis para consulta no site do Diário.

Seminários Avançados Sobre a Literatura Moderna Latino-Americana - Série de seminários. Sábado, das 15h às 18h. Na Casa da Palavra - Praça do Carmo, 171. Tel.: 4992-7218. Entrada franca. Até 18 de novembro.


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Discussão sobre a barbárie permeia novo ciclo dos Seminários

Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

08/08/2006 | 08:23


A série Seminários Avançados Sobre a Literatura Moderna Latino-Americana continua no próximo sábado com a discussão de um tema que irá permear todos os encontros deste semestre. É a dicotomia civilização x barbárie, que neste fim de semana toma como ponto de partida o poema Martin Fierro, criado pelo argentino José Hernandez.

A obra de Hernandez é uma espécie de resposta ao Facundo, de Sarmiento, posto que desmonta a idéia de ser o gaúcho a figura bárbara responsável pelo não-desenvolvimento do país.

A realidade tratou de tornar Sarmiento um “vencedor”, na medida em que a Argentina manteve centralizado o poder na Buenos Aires elitista e europeizada.

O gaúcho cujos contornos foram traçados por Hernandez é sujeito forte, o herói bravio do mítico pampa gaúcho. Mas a história também empurrou este homem para o interior e o tornou uma figura praticamente alijada do foco das discussões políticas. Permaneceu no imaginário como o sujeito de hábitos da terra, um ser mais ligado ao folclore e à tradição.

A discussão, ainda hoje, acerca dessa dicotomia é lenha para debates acalorados. “A idéia de que a gente representa um lugar bárbaro mediante as nações desenvolvidas é forte”, afirma o doutor Ricardo Lísias, que comanda a série dos Seminários.

Martin Fierro surge exatamente para recuperar a auto-estima do povo autóctone. E embora o poema épico não seja tão conhecido no Brasil, a discussão cabe perfeitamente em nossa realidade, independentemente de regionalismos

“O poema, em si, não ficou tão conhecido por aqui, mas o debate é muito contemporâneo. Essa questão é decisiva para definir a América Latina”, diz Lísias.

Para os interessados em conhecer o texto, há uma edição em catálogo, lançada pela L&PM, com 98 páginas e preço bem acessível, em torno de R$ 10. Neste livro, publicado originalmente em 1953, Jorge Luis Borges, em colaboração com Margarita Guerrero, analisa Martín Fierro e ilumina a compreensão, o significado e o alcance da epopéia.

Outra opção é recorrer à internet, pois, segundo Lísias, Martin Fierro é de domínio público. Neste caso, vale mais recorrer aos textos originais, em espanhol, e fazer uma leitura com dicionário bilíngüe à mão. se for o caso, “Não é difícil”, sentencia Lísias.

Esta série dedicada à América Latina começou no último sábado e o próximo encontro, no dia 19, terá como foco As Vanguardas Modernistas na América Latina.

Os Seminários Avançados Sobre a Literatura Moderna Latino-Americana são uma iniciativa conjunta da Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer de Santo André, da Escola Livre de Literatura e da Casa da Palavra, com apoio do Diário. Os textos de orientação dos seminários, publicados no jornal impresso, permanecem disponíveis para consulta no site do Diário.

Seminários Avançados Sobre a Literatura Moderna Latino-Americana - Série de seminários. Sábado, das 15h às 18h. Na Casa da Palavra - Praça do Carmo, 171. Tel.: 4992-7218. Entrada franca. Até 18 de novembro.

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