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Copa do Mundo no Brasil
privilegia torcedores mais ricos



26/09/2011 | 07:16


Entre as diversas transformações que a Copa de 2014 trará ao Brasil, destaca-se a mudança do perfil e, consequentemente, do comportamento dos torcedores. A expectativa é que ocorra elitização do público frequentador dos estádios, assim como espécie de domesticação desses seguidores - o próprio formato das arenas, que são construídas, foi concebido pensando nessa alteração.

É o que defende Antonio Holzmeister Oswaldo Cruz, doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que desenvolveu pesquisa sobre as transformações das torcidas e dos estádios ao redor do mundo.

"A elitização do público é uma situação de causa e efeito que segue tendência quase que mundial dentro do futebol globalizado da atualidade", explicou Oswaldo Cruz.

Ele cita o exemplo do Maracanã, que chegou a receber mais de 183 mil pessoas e teve capacidade reduzida para 86 mil espectadores após diversas obras de modernização. Para o Mundial de 2014, quando será palco da final, o número diminuirá ainda mais: 76.500.

"Para onde vão esses quase 10 mil lugares que tiraram do estádio? Vão para camarotes e assentos maiores que a Fifa exige. Tudo está sendo feito em nome de um conforto que nem todo mundo vai poder pagar", recordou o pesquisador.

Marcos Alvito, antropólogo, professor da Universidade Federal Fluminense e fundador da Associação Nacional dos Torcedores, destaca que um dos marcos desse processo de elitização do futebol brasileiro foi o fim da geral do Maracanã, em 2005.

Ele também critica a maneira como o dinheiro público é utilizado. A principal queixa é que as camadas mais pobres da sociedade pagam pela construção de estádios que não terão condições de usufruir depois de prontos. "É um processo que chamo de Robin Hood ao contrário. Os estádios se parecerão com shoppings, terão lojas e restaurantes, porque estão em busca de um consumidor com poder aquisitivo possível", diz o professor.

Para tentar amenizar a distorção, a ANT pretende apresentar projeto de criação de ingressos populares para ser implantado em todo o País após 2014.



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