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Com bolsa-aluguel, família só consegue um barraco


Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

26/01/2011 | 07:18


 

A Prefeitura de Mauá afirma ter concedido mais de 130 bolsas de auxílio-aluguel para famílias prejudicadas pelas chuvas desde o fim de dezembro. Com R$ 300, o valor da bolsa, não é fácil encontrar um bom lugar para morar.

No caso da família de Maria Luzia Pereira Tomaz, 30 anos, a solução foi continuar no morro do Macuco. No dia 5, um deslizamento de terra matou mãe e filho na comunidade. O escorregamento também destruiu parte da casa de Maria. Com o marido desempregado e sem nenhum móvel, eles acharam outro barraco para viver, aproximadamente a 20 metros de onde aconteceu o deslizamento. Foi o que conseguiram com o valor do auxílio-aluguel.

"Aqui eu vivo com medo quando começa a chover. Se o céu escurecer de nuvens, corro com meus filhos para a casa de algum amigo", disse Maria. Na casa com cinco cômodos, ela mora com três filhos, o marido, sogra e sogro, e uma irmã. "É apertado, mas não temos condições de mudar daqui."

Até mesmo no Macuco o aluguel de um barraco simples custa mais que R$ 300. "Estamos aqui porque a dona da casa nos ajudou. Ela deixou até alguns móveis e aceitou que a gente alugasse."

 

PRÓXIMO DO ABISMO

Enquanto isso, o pedreiro Fabrício Aparecido Flor, 25 anos, teme pela segurança da família. Ele mora no alto de um morro do Zaíra 4. A casa foi avariada na semana passada, também por escorregamento de terra. A porta da frente dá acesso à ponta do morro. "Durante o dia, a gente tenta salvar alguma coisa, roupas, documentos. À noite, a gente dorme no porão da casa de uma vizinha", contou.

Ele explica que já foi procurado pela Assistência Social. "Eles prometeram ajudar a alugar algum barraco, mas nunca mais apareceram aqui", falou.

Fabrício está desempregado. Ainda falta receber R$ 700 de salário do último emprego. Com dois filhos para cuidar e cama, roupas e eletrodomésticos para comprar, sobra pouco dinheiro no fim do mês. "Mesmo se eu ganhar os R$ 300 prometidos pela Prefeitura, não vou conseguir achar nada. Não posso arcar com um aluguel mais caro", falou.

Ele se mudou para o morro há quatro anos. Juntou R$ 4.000 para comprar o barraco. "Quando nos mudamos, as paredes de um cômodo da casa já estavam quebradas por causa de um barranco que caiu."

Até mesmo a escadaria que leva ao barraco está avariada. A estudante Érica Costa Macedo, 20, é vizinha de Fabrício e mora com a tia. Ela também teme morar no alto do morro. "O medo é de a casa escorregar e a gente ficar debaixo dos tijolos. Mas para onde vamos sem dinheiro?"



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Com bolsa-aluguel, família só consegue um barraco

Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

26/01/2011 | 07:18


 

A Prefeitura de Mauá afirma ter concedido mais de 130 bolsas de auxílio-aluguel para famílias prejudicadas pelas chuvas desde o fim de dezembro. Com R$ 300, o valor da bolsa, não é fácil encontrar um bom lugar para morar.

No caso da família de Maria Luzia Pereira Tomaz, 30 anos, a solução foi continuar no morro do Macuco. No dia 5, um deslizamento de terra matou mãe e filho na comunidade. O escorregamento também destruiu parte da casa de Maria. Com o marido desempregado e sem nenhum móvel, eles acharam outro barraco para viver, aproximadamente a 20 metros de onde aconteceu o deslizamento. Foi o que conseguiram com o valor do auxílio-aluguel.

"Aqui eu vivo com medo quando começa a chover. Se o céu escurecer de nuvens, corro com meus filhos para a casa de algum amigo", disse Maria. Na casa com cinco cômodos, ela mora com três filhos, o marido, sogra e sogro, e uma irmã. "É apertado, mas não temos condições de mudar daqui."

Até mesmo no Macuco o aluguel de um barraco simples custa mais que R$ 300. "Estamos aqui porque a dona da casa nos ajudou. Ela deixou até alguns móveis e aceitou que a gente alugasse."

 

PRÓXIMO DO ABISMO

Enquanto isso, o pedreiro Fabrício Aparecido Flor, 25 anos, teme pela segurança da família. Ele mora no alto de um morro do Zaíra 4. A casa foi avariada na semana passada, também por escorregamento de terra. A porta da frente dá acesso à ponta do morro. "Durante o dia, a gente tenta salvar alguma coisa, roupas, documentos. À noite, a gente dorme no porão da casa de uma vizinha", contou.

Ele explica que já foi procurado pela Assistência Social. "Eles prometeram ajudar a alugar algum barraco, mas nunca mais apareceram aqui", falou.

Fabrício está desempregado. Ainda falta receber R$ 700 de salário do último emprego. Com dois filhos para cuidar e cama, roupas e eletrodomésticos para comprar, sobra pouco dinheiro no fim do mês. "Mesmo se eu ganhar os R$ 300 prometidos pela Prefeitura, não vou conseguir achar nada. Não posso arcar com um aluguel mais caro", falou.

Ele se mudou para o morro há quatro anos. Juntou R$ 4.000 para comprar o barraco. "Quando nos mudamos, as paredes de um cômodo da casa já estavam quebradas por causa de um barranco que caiu."

Até mesmo a escadaria que leva ao barraco está avariada. A estudante Érica Costa Macedo, 20, é vizinha de Fabrício e mora com a tia. Ela também teme morar no alto do morro. "O medo é de a casa escorregar e a gente ficar debaixo dos tijolos. Mas para onde vamos sem dinheiro?"

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