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Ser cego ou não ser, eis o cifrão!

Acordar e dar uma verificada na hora para poder ficar um pouco mais na cama


Carlos Ferrari

10/11/2010 | 00:00


Por Carlos Ferrari

Acordar e dar uma verificada na hora para poder ficar um pouco mais na cama. Finalmente levantar, subir na balança e conferir o peso para uma manhã saudável de prática esportiva. Escolher as roupas da cor preferida de acordo com o humor do dia. Ler o jornal e a revista da semana. Navegar um pouco na internet, tuitar, pesquisar no Google e mandar as novidades bacanas aos amigos por torpedo no celular.

Quantas atividades das acima mencionadas um sujeito cego poderia realizar só, sem qualquer tipo de apoio de outra pessoa? Respondeu certo quem afirmou que todas elas. Relógios e balanças falantes, identificadores de cores, leitores de tela e softwares que tornam o celular totalmente acessível fazem parte do rol de uma infinidade de ajudas técnicas, que vêm tornando relativo o conceito de autonomia. Ser mais ou menos independente não é mais uma situação que pode ser medida apenas observando a deficiência do indivíduo, pois também se deve considerar como seu meio social tem se transformado para recebê-lo.

É claro que o título desta coluna é uma grande brincadeira. É fato, porém, que quando saio de casa com uma bengala dobrável resistente e leve, ou mesmo com um cão-guia bem treinado alimentado e cuidado, já estou pronto para caminhar em qualquer rua de São Paulo, Paris, Santo André ou Xangai.

Se somado a isso tenho ainda condições de ligar meu GPS, programar a rua em que vou pegar o ônibus, e o local exato em que quero descer, continuo tranquilo, com mais autonomia. Chegando ao trabalho, posso ligar meu notebook em um data show e apresentar minhas ideias de forma interativa, garantindo que quem possa ver ou não consiga entender a proposta.

Para que essas possibilidades sejam cada vez mais uma realidade presente na vida das pessoas com deficiência no Brasil, faz-se urgente um movimento por todo o País de estímulo à pesquisa, desenvolvimento e produção de ajudas técnicas em âmbito nacional. Também precisamos desonerar a carga tributária de equipamentos com essa tecnologia, e por que não garantir renúncia fiscal às empresas diretamente proporcional a seus investimentos nesse sentido, que em grande parte dos casos se dá na perspectiva de geração de empregos para os usuários desses recursos?

Um dia, lá pelo ano de 1982, para que eu pudesse estudar com qualidade, meus pais foram até o programa Povo na TV, que passava nas tardes de segunda a sexta-feira no SBT, pedindo a doação de uma máquina braille, visto que para meu pai, mesmo sendo metalúrgico de uma grande multinacional, os recursos ainda não eram suficientes para importar a tal maravilha. Felizmente dei sorte, e acabei ganhando a máquina que, com certeza, facilitou minha vida no antigo ginásio, depois também no falecido colegial, no cursinho, e no primeiro ano de faculdade. Precisamos, no entanto, ter acesso a ajudas técnicas e serviços de habilitação e reabilitação que não dependa da sorte do usuário ou do coração de quem oferta, mas sim de políticas públicas voltadas à garantia de direitos e à equiparação de oportunidades!

Carlos Ferrari é presidente do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) e vice-presidente da Fenavape (Federação Nacional das Avapes).



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