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Túmulo de Tortorello sofre com depredação


Fabrício Calado Moreira
Do Diário do Grande ABC

20/03/2005 | 12:25


Passados três meses do enterro do prefeito Luiz Tortorello, que parou a cidade e reuniu milhares de pessoas, chama atenção o estado de conservação do túmulo, no Cemitério das Lágrimas, no bairro Mauá, em São Caetano. O mausoléu onde se encontra o corpo do político que comandou a cidades por três gestões, falecido no fim de dezembro de 2004, apresenta marcas de violação e sujeira.

Hoje, o corpo de chefe do Executivo sulsancaetanense repousa em uma travessa da Rua da Paz do Cemitério das Lágrimas, na quadra 14 do setor 4. No jazigo, também descansam outros membros da família Tortorello. O mausoléu está em mau estado de conservação e apresenta rachaduras nos azulejos. Não há sequer lápide com o nome do prefeito ou dos outros familiares que estão no jazigo. Até a estátua de São Jorge colocada em cima do túmulo foi decapitada.

A explicação pode estar em episódio digno de novela. No dia 10 de fevereiro, uma mulher, que não foi identificada, entrou no Cemitério das Lágrimas. Seu objetivo: violar o túmulo de Tortorello. A intenção, segundo fontes que conhecem a história, era “contar a ele tudo o que está acontecendo na prefeitura”, nas palavras da própria mulher.

A tentativa de violação do mausoléu explica porque o azulejo da parte frontal do jazigo está danificado. O caso não foi adiante, pois a família do prefeito não quis registrar boletim de ocorrência.

Alguns membros da família Tortorello duvidam da veracidade da história, como o filho do prefeito morto e secretário de Esportes da capital, Marquinho Tortorello (PPS). “Ouvi essa história, mas não sei se é verdade. É uma moça meio atrapalhada, não é?”, pergunta Marquinho. O atual chefe do Executivo de São Caetano, José Auricchio Júnior (PTB), arrisca explicação para o episódio. “Violação é própria de personalidades. Deve ser alguém com desvio de comportamento que gosta desse tipo de ação”, teoriza.

No Palácio da Cerâmica, sede da Prefeitura, há um envelope do Departamento de Fotografia com imagens do túmulo danificado. É datado de 11 de fevereiro de 2005, e no envelope alaranjado, lê-se “Túmulo violado – Luiz Tortorello”.

Restauração – A reforma do mausoléu fica a cargo dos familiares, segundo a administração do cemitério. “A família é quem deve arrumar”, explica Alfredo Frignani, que durante 12 anos foi coordenador geral do Cemitério das Lágrimas e de outros dois, Santa Paula e da Cerâmica. Na última segunda-feira, Frignani, com 67 anos, aposentou-se.

O administrador do cemitério conta que Luiz Tortorello ainda tem alto índice de popularidade. “Por dia, de 40 a 50 pessoas vêm visitar o túmulo”, calcula Frignani. O irmão do prefeito, Jayme Tortorello, visita o jazigo quase todos os dias, mas não sabe precisar o número de pessoas que vão ao lugar. “Vai muita gente. Francamente, não sei quantas,” diz Jayme. Entre os visitantes, alguns levam flores e muitos deixam bilhetes para Tortorello, conta o irmão do prefeito.

Se estivesse vivo, o chefe do Executivo sulsancaetanense estaria hoje com 67 anos, e faria aniversário em abril. Fonte ligada aos Tortorello revela o desejo da família de reformar o túmulo do prefeito. Oficialmente, familiares do prefeito procurados pelo Diário não confirmam nem desmentem a informação. “Se alguém está cuidando disso, é meu irmão Luiz ou meu tio Antônio de Pádua”, afirma o filho de Tortorello, Marquinho. O irmão do prefeito também não sabe. “Tem de ver isso com a minha cunhada Avelina”, diz Jayme Tortorello.

Capela – No início deste mês, o prefeito José Auricchio Júnior enviou projeto de lei à Câmara de Vereadores que autoriza o Executivo a vender terrenos para a construção de capelas no Cemitério das Lágrimas. A justificativa da proposta, que permitirá à família de Tortorello erigir uma capela na necrópole, é de atender a pedidos de vários munícipes.

“Tinha algumas demandas represadas, inclusive da família do Tortorello”, conta Auricchio. A lei original não permite a construção de jazigos-monumento (capelas) no cemitério. Os vereadores já aprovaram a matéria, em primeira votação, na última terça-feira. A segunda votação está prevista para a sessão da próxima terça-feira.

Pela proposta do Executivo, a concessão do terreno será a título oneroso, ou seja, quem desejar construir uma capela no lugar deverá pagar à prefeitura o valor de R$ 18 mil, corrigidos anualmente pelo IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) da Fundação Getúlio Vargas. As construções terão quatro metros de frente por seis de fundo.

No setor 6, onde ficarão as capelas no cemitério das Lágrimas, há apenas mato. O lugar será demarcado pela DUOH (Diretoria de Urbanismo, Obras e Habitação) de São Caetano. O artigo 5º do projeto de lei enviado por Auricchio à Câmara estabelece que a DUOH cuidará da urbanização e otimização do setor. O lugar fica perto do portão de entrada, na Rua da Eternidade. “Será feito lá porque o solo é propício para este tipo de construção”, explica Auricchio.

Uma fonte ligada à família Tortorello revela desejo da família de enviar a ossada do prefeito para a capela que será erguida para ele no local. “Daqui a uns três anos, o corpo vai para lá.” Este período seria o mínimo exigido pela legislação para que se possa transferir a ossada.



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Túmulo de Tortorello sofre com depredação

Fabrício Calado Moreira
Do Diário do Grande ABC

20/03/2005 | 12:25


Passados três meses do enterro do prefeito Luiz Tortorello, que parou a cidade e reuniu milhares de pessoas, chama atenção o estado de conservação do túmulo, no Cemitério das Lágrimas, no bairro Mauá, em São Caetano. O mausoléu onde se encontra o corpo do político que comandou a cidades por três gestões, falecido no fim de dezembro de 2004, apresenta marcas de violação e sujeira.

Hoje, o corpo de chefe do Executivo sulsancaetanense repousa em uma travessa da Rua da Paz do Cemitério das Lágrimas, na quadra 14 do setor 4. No jazigo, também descansam outros membros da família Tortorello. O mausoléu está em mau estado de conservação e apresenta rachaduras nos azulejos. Não há sequer lápide com o nome do prefeito ou dos outros familiares que estão no jazigo. Até a estátua de São Jorge colocada em cima do túmulo foi decapitada.

A explicação pode estar em episódio digno de novela. No dia 10 de fevereiro, uma mulher, que não foi identificada, entrou no Cemitério das Lágrimas. Seu objetivo: violar o túmulo de Tortorello. A intenção, segundo fontes que conhecem a história, era “contar a ele tudo o que está acontecendo na prefeitura”, nas palavras da própria mulher.

A tentativa de violação do mausoléu explica porque o azulejo da parte frontal do jazigo está danificado. O caso não foi adiante, pois a família do prefeito não quis registrar boletim de ocorrência.

Alguns membros da família Tortorello duvidam da veracidade da história, como o filho do prefeito morto e secretário de Esportes da capital, Marquinho Tortorello (PPS). “Ouvi essa história, mas não sei se é verdade. É uma moça meio atrapalhada, não é?”, pergunta Marquinho. O atual chefe do Executivo de São Caetano, José Auricchio Júnior (PTB), arrisca explicação para o episódio. “Violação é própria de personalidades. Deve ser alguém com desvio de comportamento que gosta desse tipo de ação”, teoriza.

No Palácio da Cerâmica, sede da Prefeitura, há um envelope do Departamento de Fotografia com imagens do túmulo danificado. É datado de 11 de fevereiro de 2005, e no envelope alaranjado, lê-se “Túmulo violado – Luiz Tortorello”.

Restauração – A reforma do mausoléu fica a cargo dos familiares, segundo a administração do cemitério. “A família é quem deve arrumar”, explica Alfredo Frignani, que durante 12 anos foi coordenador geral do Cemitério das Lágrimas e de outros dois, Santa Paula e da Cerâmica. Na última segunda-feira, Frignani, com 67 anos, aposentou-se.

O administrador do cemitério conta que Luiz Tortorello ainda tem alto índice de popularidade. “Por dia, de 40 a 50 pessoas vêm visitar o túmulo”, calcula Frignani. O irmão do prefeito, Jayme Tortorello, visita o jazigo quase todos os dias, mas não sabe precisar o número de pessoas que vão ao lugar. “Vai muita gente. Francamente, não sei quantas,” diz Jayme. Entre os visitantes, alguns levam flores e muitos deixam bilhetes para Tortorello, conta o irmão do prefeito.

Se estivesse vivo, o chefe do Executivo sulsancaetanense estaria hoje com 67 anos, e faria aniversário em abril. Fonte ligada aos Tortorello revela o desejo da família de reformar o túmulo do prefeito. Oficialmente, familiares do prefeito procurados pelo Diário não confirmam nem desmentem a informação. “Se alguém está cuidando disso, é meu irmão Luiz ou meu tio Antônio de Pádua”, afirma o filho de Tortorello, Marquinho. O irmão do prefeito também não sabe. “Tem de ver isso com a minha cunhada Avelina”, diz Jayme Tortorello.

Capela – No início deste mês, o prefeito José Auricchio Júnior enviou projeto de lei à Câmara de Vereadores que autoriza o Executivo a vender terrenos para a construção de capelas no Cemitério das Lágrimas. A justificativa da proposta, que permitirá à família de Tortorello erigir uma capela na necrópole, é de atender a pedidos de vários munícipes.

“Tinha algumas demandas represadas, inclusive da família do Tortorello”, conta Auricchio. A lei original não permite a construção de jazigos-monumento (capelas) no cemitério. Os vereadores já aprovaram a matéria, em primeira votação, na última terça-feira. A segunda votação está prevista para a sessão da próxima terça-feira.

Pela proposta do Executivo, a concessão do terreno será a título oneroso, ou seja, quem desejar construir uma capela no lugar deverá pagar à prefeitura o valor de R$ 18 mil, corrigidos anualmente pelo IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) da Fundação Getúlio Vargas. As construções terão quatro metros de frente por seis de fundo.

No setor 6, onde ficarão as capelas no cemitério das Lágrimas, há apenas mato. O lugar será demarcado pela DUOH (Diretoria de Urbanismo, Obras e Habitação) de São Caetano. O artigo 5º do projeto de lei enviado por Auricchio à Câmara estabelece que a DUOH cuidará da urbanização e otimização do setor. O lugar fica perto do portão de entrada, na Rua da Eternidade. “Será feito lá porque o solo é propício para este tipo de construção”, explica Auricchio.

Uma fonte ligada à família Tortorello revela desejo da família de enviar a ossada do prefeito para a capela que será erguida para ele no local. “Daqui a uns três anos, o corpo vai para lá.” Este período seria o mínimo exigido pela legislação para que se possa transferir a ossada.

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