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Penúltimo dia do Festival de Paranapiacaba bate recorde de público


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

25/07/2004 | 19:00


O "efeito sol", conforme pontual definição de uma funcionária da assessoria de imprensa do 4º Festival de Inverno de Paranapiacaba, fez uma diferença danada para a saúde do evento neste sábado, penúltimo dia de atividades e atrações na Vila com 2,5 mil habitantes. Dezoito mil pessoas exploraram a programação cultural e gastronômica do lugar somente neste dia – isso equivale ao número de visitantes presentes ao segundo fim de semana todinho. O público parcial até este sábado era de 44 mil presentes – descontados do cálculo os turistas deste domingo, que amanheceu ingratamente nublado.

O tempo agradável deste sábado encorajou visitantes a recorrerem a sorvetes servidos no generoso "cascão" e a camisetas regata. Os mais prudentes, a maioria, muniram-se de gorros, cachecóis e jaquetas. E foram para as ruas assistir ao que reservava a programação.

E o sábado foi o exemplo mais bem acabado do sortimento etário deste festival, com um público cuja média de idade decrescia à medida que o sol apontava ao oeste. A programação oficial largou do Clube União Lira Serrano, para onde o Opus Camerata, conjunto de violonistas de Mauá, atraiu um público mais velho. A partir dali, entre uma mordiscada nas trufas e pastéis e um gole no espesso chá de amendoim servidos nas barracas distribuídas pela Vila, o público viu (e ouviu) pelas ruas os sons dos músicos Eurídes Macedo e Mimi, onipresentes no Festival.

Surpresa- De volta à programação, neste sábado teve o duo Wagner Tiso e Victor Biglione como atração principal de sua grade cultural. Ambos exibiram no palco do Lira Serrano, para os 600 ouvintes que lotaram as cadeiras do clube, o repertório do disco Tocar. Tiso, ao piano, e Biglione, ao violão, provaram que são capazes de fazer 20 dedos em harmonia e receberam clamorosos aplausos ao fim das execuções de versões instrumentais de Expresso 2222 (Gilberto Gil) e Sonho de um Carnaval (Chico Buarque).

"O fundamental nesse show é que conseguimos a comunicação com o público. Acho que pegamos o fio da meada de mostrar o virtuosismo da música instrumental brasileira, que eu considero de nível internacional, e conquistar a participação do pessoal na platéia", afirmou Biglione nos camarins após a ovação, que de tão intensa forçou os músicos a mudarem o repertório inicialmente previsto. "A recepção foi tão surpreendente, o público comprou a idéia de uma tal maneira, que nós tivemos de estender o show e tocar duas músicas que não pretendíamos tocar", disse Tiso.

Até mesmo quem não pôde entrar se emocionou com o "som lindo" que emanava do Lira Serrano. O casal Ana Júlia Colameo e Orlando Taveira, de São Paulo, se atrasaram para o show de Tiso e Biglione por serem "absolutamente caóticos", e ouviram o finalzinho da performance do lado de fora. Depois, apelaram para um consolo – o par esteve entre os 15 compradores do CD Tocar que era vendido no saguão do clube e conseguiram os autógrafos dos músicos ao fim da apresentação.

Noite - O sol já se escondera quando a platéia deixava o Lira Serrano, embevecida, e uma lua exibicionista e um céu estrelado benziam a programação vindoura, dedicada a quem não acumula mais do que três décadas e é partidário do som eletrônico.

No Virador, bombava o projeto Orgânicos Eletrônicos dentro de uma tenda armada para as apresentações dos DJs Smurf e Tudo, e das bandas Multimídia Epifanika, Liquidus Ambiento, Projeto Nave e Makumbacyber. Essa última, quando assumiu o palco, causou impacto com seus figurinos, que liquidificam referências como Xou da Xuxa, filmes B de sci-fi e a banda Gwar, e seu som que coloca ponto de umbanda para dançar junto com Kraftwerk, África com beat acelerado. O vocalista Charlô, figura miscigenada de Wanderley Cardoso com Michael Jackson na fase Thriller, anunciava, com pose glauberiana, como seria coroada a noite de sábado: "É batucar pra fazer barulho mesmo".

E o ruído permaneceu até as 23h, quando o público diluiu-se pelos barzinhos da Vila.



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Penúltimo dia do Festival de Paranapiacaba bate recorde de público

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

25/07/2004 | 19:00


O "efeito sol", conforme pontual definição de uma funcionária da assessoria de imprensa do 4º Festival de Inverno de Paranapiacaba, fez uma diferença danada para a saúde do evento neste sábado, penúltimo dia de atividades e atrações na Vila com 2,5 mil habitantes. Dezoito mil pessoas exploraram a programação cultural e gastronômica do lugar somente neste dia – isso equivale ao número de visitantes presentes ao segundo fim de semana todinho. O público parcial até este sábado era de 44 mil presentes – descontados do cálculo os turistas deste domingo, que amanheceu ingratamente nublado.

O tempo agradável deste sábado encorajou visitantes a recorrerem a sorvetes servidos no generoso "cascão" e a camisetas regata. Os mais prudentes, a maioria, muniram-se de gorros, cachecóis e jaquetas. E foram para as ruas assistir ao que reservava a programação.

E o sábado foi o exemplo mais bem acabado do sortimento etário deste festival, com um público cuja média de idade decrescia à medida que o sol apontava ao oeste. A programação oficial largou do Clube União Lira Serrano, para onde o Opus Camerata, conjunto de violonistas de Mauá, atraiu um público mais velho. A partir dali, entre uma mordiscada nas trufas e pastéis e um gole no espesso chá de amendoim servidos nas barracas distribuídas pela Vila, o público viu (e ouviu) pelas ruas os sons dos músicos Eurídes Macedo e Mimi, onipresentes no Festival.

Surpresa- De volta à programação, neste sábado teve o duo Wagner Tiso e Victor Biglione como atração principal de sua grade cultural. Ambos exibiram no palco do Lira Serrano, para os 600 ouvintes que lotaram as cadeiras do clube, o repertório do disco Tocar. Tiso, ao piano, e Biglione, ao violão, provaram que são capazes de fazer 20 dedos em harmonia e receberam clamorosos aplausos ao fim das execuções de versões instrumentais de Expresso 2222 (Gilberto Gil) e Sonho de um Carnaval (Chico Buarque).

"O fundamental nesse show é que conseguimos a comunicação com o público. Acho que pegamos o fio da meada de mostrar o virtuosismo da música instrumental brasileira, que eu considero de nível internacional, e conquistar a participação do pessoal na platéia", afirmou Biglione nos camarins após a ovação, que de tão intensa forçou os músicos a mudarem o repertório inicialmente previsto. "A recepção foi tão surpreendente, o público comprou a idéia de uma tal maneira, que nós tivemos de estender o show e tocar duas músicas que não pretendíamos tocar", disse Tiso.

Até mesmo quem não pôde entrar se emocionou com o "som lindo" que emanava do Lira Serrano. O casal Ana Júlia Colameo e Orlando Taveira, de São Paulo, se atrasaram para o show de Tiso e Biglione por serem "absolutamente caóticos", e ouviram o finalzinho da performance do lado de fora. Depois, apelaram para um consolo – o par esteve entre os 15 compradores do CD Tocar que era vendido no saguão do clube e conseguiram os autógrafos dos músicos ao fim da apresentação.

Noite - O sol já se escondera quando a platéia deixava o Lira Serrano, embevecida, e uma lua exibicionista e um céu estrelado benziam a programação vindoura, dedicada a quem não acumula mais do que três décadas e é partidário do som eletrônico.

No Virador, bombava o projeto Orgânicos Eletrônicos dentro de uma tenda armada para as apresentações dos DJs Smurf e Tudo, e das bandas Multimídia Epifanika, Liquidus Ambiento, Projeto Nave e Makumbacyber. Essa última, quando assumiu o palco, causou impacto com seus figurinos, que liquidificam referências como Xou da Xuxa, filmes B de sci-fi e a banda Gwar, e seu som que coloca ponto de umbanda para dançar junto com Kraftwerk, África com beat acelerado. O vocalista Charlô, figura miscigenada de Wanderley Cardoso com Michael Jackson na fase Thriller, anunciava, com pose glauberiana, como seria coroada a noite de sábado: "É batucar pra fazer barulho mesmo".

E o ruído permaneceu até as 23h, quando o público diluiu-se pelos barzinhos da Vila.

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