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Dona Lia recruta voluntários

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Moradora do bairro Estância Paulista, em Ribeirão Pires, realiza eventos para abastecer bancos de sangue dos hospitais após doença da filha


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

21/02/2015 | 07:00


A dona de casa Lia Terezinha Ribeiro Araújo, 62 anos, mora no bairro Estância Paulista e é conhecida em toda Ribeirão Pires. Há 18 anos ela dedica a vida a recrutar voluntários para doação de sangue.

Dona Lia abraçou a causa após a filha Maytê Ribeiro de Araújo, 30, desenvolver um câncer na hipófise aos 13 anos. A glândula é responsável por controlar todos os hormônios do corpo, de forma que a jovem teve diversos problemas de crescimento.

“Quando fiquei sabendo da doença dela, perdi o chão. Imagina para uma mãe ouvir isso. Foram quatro anos de tratamento até que desse resultado e hoje ela está saudável, com a doença controlada”, disse.

Maytê também se lembra do tratamento, principalmente das duas vezes em que precisou raspar o cabelo. “Foi por causa da radioterapia. Cheguei a fazer em torno de 100 sessões.”

Durante o período em que ficou internada no Hospital das Clínicas, na Capital, a família teve acesso ao sofrimento das pessoas que precisavam do banco de sangue. “Naquela época era ainda mais difícil ter voluntários para doar. A empresa do meu marido levava uma perua de funcionários para ajudar a repor o estoque usado pela Maytê. Esse era o empurrão que eu precisava para fazer algo maior”, disse.

Dona Lia e Maytê realizam três encontros de voluntários durante o ano, sempre promovidos antes ou depois de grandes feriados, período em que os bancos costumam ficar desabastecidos. O primeiro deste ano já tem data marcada: será no dia 18 de março. Os próximos estão programados para junho e novembro.

A cada encontro, realizado na sede do Ribeirão Pires Esporte Clube, (Avenida Prefeito Valdírio Prisco, 330, Centro) são cerca de 300 voluntários. “O povo é solidário. Divulgo muito, a gente coloca cartazes em toda a cidade, distribui panfletos e pede para que as pessoas coloquem no Facebook”, disse Lia.

Durante todo esse tempo, a família Araújo ajudou muitas pessoas. Segundo dona Lia, a maioria ela não conheceu, porém, algumas ficarão marcadas para sempre. “Houve um rapaz de 17 anos que tinha leucemia e eu e a família dele fizemos uma grande campanha. Conseguimos muitas bolsas, mas, infelizmente, ele morreu. Mas os familiares me ajudam nas ações até hoje e viramos amigos.”

A principal dificuldade de dona Lia é cuidar do marido, Rubens Araújo. Ele, que também participava ativamente das ações, hoje vive acamado com mal de Alzheimer. “Desde 2010 ele está nessa situação. No começo cheguei a pensar em parar.”

“O meu pai lutou muito por essa campanha de doação. Lembro até hoje quando perguntaram para ele o que ganhava fazendo isso e ele respondeu que ganhou a minha saúde e só estava pagando”, disse Maytê, emocionada.

Mesmo com as dificuldades, mãe e filha continuam na luta para abastecer os hospitais. A família tem parceria com a Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue) há dez anos, que disponibiliza os panfletos, profissionais e materiais necessários.

Para quem nunca doou sangue, dona Lia deixa um recado. “Todo mundo está sujeito a sofrer um acidente ou fazer uma cirurgia e percebi como é estar do outro lado. Já doei 44 vezes e vou continuar sempre que puder. Tem muita gente que quer e não pode, então você que pode, ajude a salvar uma vida.”

Bar Oréstes foi fundado em 1965

Na esquina da Rua dos Imigrantes com a Santo Bertoldo, o Bar e Mercearia Oréstes é o mais antigo do bairro. Fundado em 1965, ele é administrado pela terceira geração da família França, atualmente Carlos Roberto França, 47 anos, neto do fundador, seu Oréstes.

A família, que veio de Minas Gerais, se estabeleceu no bairro e fundou o primeiro comércio da região. “Meu avô construiu e administrou até 1979. Depois, meu pai e minha mãe assumiram os negócios. Ele morreu em 2005 e, desde então, comprei da minha mãe e administro tudo aqui”, disse.

Entrar no local proporciona ao visitante uma viagem no tempo. O piso é o mesmo desde a fundação, o freezer onde os sorvetes são guardados é da década de 1970, o ventilador, que não funciona, também.

Já a vitrine de madeira é datada de 1976 e enfrentou diversas enchentes. “Antigamente enchia muito e ela já aguentou demais. Fiquei com dó de jogar fora.”

Os doces também são tradicionais, de abóbora e amendoim. Porém, o que faz mais sucesso são os drinques feitos no local. Um deles leva pinga, limão e açúcar. São quatro garrafas vendidas por dia.

“No outro, amendoim, cachaça e leite condensado. Vendo dois litros. O preparo não conto porque é receita de família”, disse França.

Artesã aprendeu a bordar com a mãe na Paraíba

As mãos de Floriza Pereira da Silva, 66 anos, são ágeis e precisas. A artesã do bairro, que vende toalhas, lençóis e flores artificiais, aprendeu cedo a profissão com a mãe, que era rendeira na cidade de Monteiro, na Paraíba.

Atualmente o trabalho é distração e terapia para Floriza, que cuida do marido após ele precisar amputar uma perna. “Até comprei uma máquina de costura para ajudar a produzir mais rápido. Consigo bordar uma toalha em dois dias. Quando não faço, fico muito nervosa.”

Ela tem um espaço na garagem de casa onde vende todas as suas obras a preços que vão de R$ 20 até R$ 70. “Tenho essa lojinha, mas nem sempre abro, só mesmo quando tenho que trazer alguma coisa aqui na parte de baixo da casa. Estou me dedicando ao meu marido agora”, disse.

A artesã veio para São Paulo jovem, com apenas 14 anos, e depois retornou com a família para a cidade natal. Após o casamento, retornou com o marido e há 12 anos o casal mora no Estância Paulista com dois dos quatro filhos. “Não tenho saudades da minha terra, não. Toda a minha família, meus pais, meus irmãos acabaram vindo para cá. O bairro é muito tranquilo, é um ótimo lugar para se morar”, afirmou. 



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Dona Lia recruta voluntários

Moradora do bairro Estância Paulista, em Ribeirão Pires, realiza eventos para abastecer bancos de sangue dos hospitais após doença da filha

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

21/02/2015 | 07:00


A dona de casa Lia Terezinha Ribeiro Araújo, 62 anos, mora no bairro Estância Paulista e é conhecida em toda Ribeirão Pires. Há 18 anos ela dedica a vida a recrutar voluntários para doação de sangue.

Dona Lia abraçou a causa após a filha Maytê Ribeiro de Araújo, 30, desenvolver um câncer na hipófise aos 13 anos. A glândula é responsável por controlar todos os hormônios do corpo, de forma que a jovem teve diversos problemas de crescimento.

“Quando fiquei sabendo da doença dela, perdi o chão. Imagina para uma mãe ouvir isso. Foram quatro anos de tratamento até que desse resultado e hoje ela está saudável, com a doença controlada”, disse.

Maytê também se lembra do tratamento, principalmente das duas vezes em que precisou raspar o cabelo. “Foi por causa da radioterapia. Cheguei a fazer em torno de 100 sessões.”

Durante o período em que ficou internada no Hospital das Clínicas, na Capital, a família teve acesso ao sofrimento das pessoas que precisavam do banco de sangue. “Naquela época era ainda mais difícil ter voluntários para doar. A empresa do meu marido levava uma perua de funcionários para ajudar a repor o estoque usado pela Maytê. Esse era o empurrão que eu precisava para fazer algo maior”, disse.

Dona Lia e Maytê realizam três encontros de voluntários durante o ano, sempre promovidos antes ou depois de grandes feriados, período em que os bancos costumam ficar desabastecidos. O primeiro deste ano já tem data marcada: será no dia 18 de março. Os próximos estão programados para junho e novembro.

A cada encontro, realizado na sede do Ribeirão Pires Esporte Clube, (Avenida Prefeito Valdírio Prisco, 330, Centro) são cerca de 300 voluntários. “O povo é solidário. Divulgo muito, a gente coloca cartazes em toda a cidade, distribui panfletos e pede para que as pessoas coloquem no Facebook”, disse Lia.

Durante todo esse tempo, a família Araújo ajudou muitas pessoas. Segundo dona Lia, a maioria ela não conheceu, porém, algumas ficarão marcadas para sempre. “Houve um rapaz de 17 anos que tinha leucemia e eu e a família dele fizemos uma grande campanha. Conseguimos muitas bolsas, mas, infelizmente, ele morreu. Mas os familiares me ajudam nas ações até hoje e viramos amigos.”

A principal dificuldade de dona Lia é cuidar do marido, Rubens Araújo. Ele, que também participava ativamente das ações, hoje vive acamado com mal de Alzheimer. “Desde 2010 ele está nessa situação. No começo cheguei a pensar em parar.”

“O meu pai lutou muito por essa campanha de doação. Lembro até hoje quando perguntaram para ele o que ganhava fazendo isso e ele respondeu que ganhou a minha saúde e só estava pagando”, disse Maytê, emocionada.

Mesmo com as dificuldades, mãe e filha continuam na luta para abastecer os hospitais. A família tem parceria com a Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue) há dez anos, que disponibiliza os panfletos, profissionais e materiais necessários.

Para quem nunca doou sangue, dona Lia deixa um recado. “Todo mundo está sujeito a sofrer um acidente ou fazer uma cirurgia e percebi como é estar do outro lado. Já doei 44 vezes e vou continuar sempre que puder. Tem muita gente que quer e não pode, então você que pode, ajude a salvar uma vida.”

Bar Oréstes foi fundado em 1965

Na esquina da Rua dos Imigrantes com a Santo Bertoldo, o Bar e Mercearia Oréstes é o mais antigo do bairro. Fundado em 1965, ele é administrado pela terceira geração da família França, atualmente Carlos Roberto França, 47 anos, neto do fundador, seu Oréstes.

A família, que veio de Minas Gerais, se estabeleceu no bairro e fundou o primeiro comércio da região. “Meu avô construiu e administrou até 1979. Depois, meu pai e minha mãe assumiram os negócios. Ele morreu em 2005 e, desde então, comprei da minha mãe e administro tudo aqui”, disse.

Entrar no local proporciona ao visitante uma viagem no tempo. O piso é o mesmo desde a fundação, o freezer onde os sorvetes são guardados é da década de 1970, o ventilador, que não funciona, também.

Já a vitrine de madeira é datada de 1976 e enfrentou diversas enchentes. “Antigamente enchia muito e ela já aguentou demais. Fiquei com dó de jogar fora.”

Os doces também são tradicionais, de abóbora e amendoim. Porém, o que faz mais sucesso são os drinques feitos no local. Um deles leva pinga, limão e açúcar. São quatro garrafas vendidas por dia.

“No outro, amendoim, cachaça e leite condensado. Vendo dois litros. O preparo não conto porque é receita de família”, disse França.

Artesã aprendeu a bordar com a mãe na Paraíba

As mãos de Floriza Pereira da Silva, 66 anos, são ágeis e precisas. A artesã do bairro, que vende toalhas, lençóis e flores artificiais, aprendeu cedo a profissão com a mãe, que era rendeira na cidade de Monteiro, na Paraíba.

Atualmente o trabalho é distração e terapia para Floriza, que cuida do marido após ele precisar amputar uma perna. “Até comprei uma máquina de costura para ajudar a produzir mais rápido. Consigo bordar uma toalha em dois dias. Quando não faço, fico muito nervosa.”

Ela tem um espaço na garagem de casa onde vende todas as suas obras a preços que vão de R$ 20 até R$ 70. “Tenho essa lojinha, mas nem sempre abro, só mesmo quando tenho que trazer alguma coisa aqui na parte de baixo da casa. Estou me dedicando ao meu marido agora”, disse.

A artesã veio para São Paulo jovem, com apenas 14 anos, e depois retornou com a família para a cidade natal. Após o casamento, retornou com o marido e há 12 anos o casal mora no Estância Paulista com dois dos quatro filhos. “Não tenho saudades da minha terra, não. Toda a minha família, meus pais, meus irmãos acabaram vindo para cá. O bairro é muito tranquilo, é um ótimo lugar para se morar”, afirmou. 

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