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Medo de água fria. E de água quente

Um charuto pode ser um símbolo fálico. Mas às vezes é só um charuto


Carlos Brickmann

10/01/2010 | 00:00


Um charuto pode ser um símbolo fálico. Mas às vezes é só um charuto. Paranoico é quem tem mania de perseguição. Mas às vezes a perseguição é real.

1 - O Plano de Direitos Humanos do governo federal, cujo texto final saiu do Gabinete Civil de Dilma Rousseff, criou problemas com militares; e com um aliado do presidente Lula, o ministro da Defesa, Nelson Jobim. E também com a Igreja Católica, companheira de viagem do PT. Cria uma crise que não existia.

2 - Juntar num mesmo pacote a questão do aborto, do casamento gay, das torturas praticadas durante o regime militar, da desocupação de terras invadidas (que se torna muito mais complexa, envolvendo os invasores e uma série de novas instâncias antes da manifestação da Justiça), da fiscalização das empresas produtoras de tecnologia (que deveriam ser estimuladas, não perseguidas), do agronegócio (que por algum motivo passa a ser contrário aos direitos humanos), de comitês sindicais para punir os meios de comunicação, tudo a nove meses das eleições, só pode criar confusão. Não se vai gerar luz, mas apenas calor.

3 - O presidente é extremamente popular; mas sua candidata continua longe do primeiro colocado nas pesquisas, apesar da ampla exposição pré-eleitoral.

4 - A iminente desautorização do relatório da FAB pelo governo, no caso dos caças - tudo indica que o terceiro colocado da FAB é o favorito do presidente.

Nada disso prenuncia coisa boa. Parece buscar-se no confronto aquilo que não se espera obter nas urnas. É um filme que já vimos. E nós morremos no fim.

A LIÇÃO ARGENTINA
A propósito, antes que se formem comitês da verdade recheados de companheiros necessitados, vale a pena seguir o exemplo argentino: a presidente Cristina Kirchner mandou abrir todos os arquivos da ditadura. Aqui, por algum motivo estranho, o governo não abre seus arquivos (até coisas da Guerra do Paraguai se mantêm em sigilo). Que se abra tudo, sem exceção, sem restrições. A luz do Sol é o melhor remédio para as sombras, o apodrecimento e o mofo.

O CARO SAI CARO
Do chanceler Celso Amorim, comentando o relatório da FAB que sugere a compra dos caças supersônicos suecos Grippen, entre outros motivos pelo preço e manutenção mais baixos: "Muitas vezes, o barato sai caro". Levemos ao limite o raciocínio do chanceler: o Itamaraty, que ele comanda, poderia deixar de lado os carros mais baratos e usar só Rolls-Royces. Sem dúvida, e já que o custo não é problema, ficaria mais bem servido.

A VOLTA DE MARTA
A ex-prefeita paulistana Marta Suplicy, mais poderosa dirigente do PT estadual, deve ser candidata em outubro. Pode sair para o governo; ou, caso o senador Aloizio Mercadante opte por tentar o governo, e não a reeleição, pode disputar o Senado. Marta é uma candidata de porte: tem discurso, tem estrutura, tem voto, tem capacidade para conduzir uma campanha, é boa de debate. Não pode deixar os marqueteiros sem supervisão, como na última campanha, em que eles partiram para uma linha preconceituosa, que pegou mal; mas tem competência para reconhecer o erro, mesmo que em particular, e corrigir-se. São duas disputas difíceis. Mas, se sair para deputada federal, elege-se sem problemas.

AGORA, VAI!
A Comissão de Relações Exteriores do Senado, comandada pelo tucano Eduardo Azeredo, decidiu pedir explicações ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a compra de caças para a FAB. Jobim, que foi ministro do tucano Fernando Henrique, que é ligado ao candidato tucano José Serra, que assistiu ao pífio desempenho dos oposicionistas na CPI da Petrobras, não se assusta com o pedido de explicações. E marcará a data de ir ao Senado assim que parar de rir.

SEM FANTASIA
Pesadas críticas ao presidente Lula por não visitar as áreas de enchente neste início de ano. Bobagem: que é que ele poderia fazer ali que não pudesse ter sido feito em seu gabinete?

AQUECIMENTO GLOBAL
Na Flórida, centro da produção de laranjas dos EUA, a temperatura está próxima de zero, com quebra de safra. A Flórida é um Estado quente: mais ao Norte, a temperatura já caiu a -30ºC, e pode cair ainda mais. Na Inglaterra, o frio atingiu -22ºC. Na Índia, nos últimos dois meses, o frio já matou 200 pessoas.

DELÍCIA DA PAZ
Um grupo de 400 israelenses, formado por judeus, cristãos e muçulmanos, trabalhou em conjunto por seis horas para fazer o maior prato de homus da história, com quatro toneladas. O homus, pasta de grão de bico amassada com azeite, não vai durar muito tempo: é apreciadíssimo em todos os países do Oriente Médio. As quatro toneladas de homus entrarão no Livro Guiness dos Recordes. O recorde anterior, de duas toneladas, foi alcançado por cozinheiros libaneses.



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Medo de água fria. E de água quente

Um charuto pode ser um símbolo fálico. Mas às vezes é só um charuto

Carlos Brickmann

10/01/2010 | 00:00


Um charuto pode ser um símbolo fálico. Mas às vezes é só um charuto. Paranoico é quem tem mania de perseguição. Mas às vezes a perseguição é real.

1 - O Plano de Direitos Humanos do governo federal, cujo texto final saiu do Gabinete Civil de Dilma Rousseff, criou problemas com militares; e com um aliado do presidente Lula, o ministro da Defesa, Nelson Jobim. E também com a Igreja Católica, companheira de viagem do PT. Cria uma crise que não existia.

2 - Juntar num mesmo pacote a questão do aborto, do casamento gay, das torturas praticadas durante o regime militar, da desocupação de terras invadidas (que se torna muito mais complexa, envolvendo os invasores e uma série de novas instâncias antes da manifestação da Justiça), da fiscalização das empresas produtoras de tecnologia (que deveriam ser estimuladas, não perseguidas), do agronegócio (que por algum motivo passa a ser contrário aos direitos humanos), de comitês sindicais para punir os meios de comunicação, tudo a nove meses das eleições, só pode criar confusão. Não se vai gerar luz, mas apenas calor.

3 - O presidente é extremamente popular; mas sua candidata continua longe do primeiro colocado nas pesquisas, apesar da ampla exposição pré-eleitoral.

4 - A iminente desautorização do relatório da FAB pelo governo, no caso dos caças - tudo indica que o terceiro colocado da FAB é o favorito do presidente.

Nada disso prenuncia coisa boa. Parece buscar-se no confronto aquilo que não se espera obter nas urnas. É um filme que já vimos. E nós morremos no fim.

A LIÇÃO ARGENTINA
A propósito, antes que se formem comitês da verdade recheados de companheiros necessitados, vale a pena seguir o exemplo argentino: a presidente Cristina Kirchner mandou abrir todos os arquivos da ditadura. Aqui, por algum motivo estranho, o governo não abre seus arquivos (até coisas da Guerra do Paraguai se mantêm em sigilo). Que se abra tudo, sem exceção, sem restrições. A luz do Sol é o melhor remédio para as sombras, o apodrecimento e o mofo.

O CARO SAI CARO
Do chanceler Celso Amorim, comentando o relatório da FAB que sugere a compra dos caças supersônicos suecos Grippen, entre outros motivos pelo preço e manutenção mais baixos: "Muitas vezes, o barato sai caro". Levemos ao limite o raciocínio do chanceler: o Itamaraty, que ele comanda, poderia deixar de lado os carros mais baratos e usar só Rolls-Royces. Sem dúvida, e já que o custo não é problema, ficaria mais bem servido.

A VOLTA DE MARTA
A ex-prefeita paulistana Marta Suplicy, mais poderosa dirigente do PT estadual, deve ser candidata em outubro. Pode sair para o governo; ou, caso o senador Aloizio Mercadante opte por tentar o governo, e não a reeleição, pode disputar o Senado. Marta é uma candidata de porte: tem discurso, tem estrutura, tem voto, tem capacidade para conduzir uma campanha, é boa de debate. Não pode deixar os marqueteiros sem supervisão, como na última campanha, em que eles partiram para uma linha preconceituosa, que pegou mal; mas tem competência para reconhecer o erro, mesmo que em particular, e corrigir-se. São duas disputas difíceis. Mas, se sair para deputada federal, elege-se sem problemas.

AGORA, VAI!
A Comissão de Relações Exteriores do Senado, comandada pelo tucano Eduardo Azeredo, decidiu pedir explicações ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a compra de caças para a FAB. Jobim, que foi ministro do tucano Fernando Henrique, que é ligado ao candidato tucano José Serra, que assistiu ao pífio desempenho dos oposicionistas na CPI da Petrobras, não se assusta com o pedido de explicações. E marcará a data de ir ao Senado assim que parar de rir.

SEM FANTASIA
Pesadas críticas ao presidente Lula por não visitar as áreas de enchente neste início de ano. Bobagem: que é que ele poderia fazer ali que não pudesse ter sido feito em seu gabinete?

AQUECIMENTO GLOBAL
Na Flórida, centro da produção de laranjas dos EUA, a temperatura está próxima de zero, com quebra de safra. A Flórida é um Estado quente: mais ao Norte, a temperatura já caiu a -30ºC, e pode cair ainda mais. Na Inglaterra, o frio atingiu -22ºC. Na Índia, nos últimos dois meses, o frio já matou 200 pessoas.

DELÍCIA DA PAZ
Um grupo de 400 israelenses, formado por judeus, cristãos e muçulmanos, trabalhou em conjunto por seis horas para fazer o maior prato de homus da história, com quatro toneladas. O homus, pasta de grão de bico amassada com azeite, não vai durar muito tempo: é apreciadíssimo em todos os países do Oriente Médio. As quatro toneladas de homus entrarão no Livro Guiness dos Recordes. O recorde anterior, de duas toneladas, foi alcançado por cozinheiros libaneses.

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