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No alto da serra, um cordão sanitário há 155 anos...

O cordão sanitário determinado pelo governo da Província de São Paulo nos idos de 1855 e 1856, por causa da epidemia de cholera morbus


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

13/09/2010 | 00:00


O cordão sanitário determinado pelo governo da Província de São Paulo nos idos de 1855 e 1856, por causa da epidemia de cholera morbus, alcançava a Freguesia de São Bernardo, com vistorias dos transeuntes no alto da Serra de Cubatão - também denominada Serra do Mar ou Serra de Paranapiacaba.

Temia-se a propagação da chamada cólera de verão, termo científico não mais usado na literatura científica e que se referia à gastroenterite aguda caracterizada por diarreia e vômito fortes.

O comércio discutia o acerto do cordão sanitário, que retardava as comunicações entre Santos e a cidade de São Paulo: os passageiros que chegavam do Rio de Janeiro eram retidos num sítio próximo a Bertioga.

Porta-voz dos negócios de então, a Revista Commercial (editada em Santos) questionava a validade do cordão sanitário e pedia ao imperador que reconhecesse os males da quarentena, em especial ao comércio.

De qualquer forma, mostra o noticiário da época, o movimento no Porto de Santos não parou, apenas foi prejudicado. Algo próximo ao que ocorreu há exatos 40 anos, em setembro de 1970, quando a pista ascendente da Via Anchieta parou. O desmoronamento de pedras e terra motivado por fortes chuvas interrompeu o trânsito da rodovia durante quase uma semana. Foi, até então, o maior acidente do gênero desde a inauguração da Via Anchieta, em 1947. Mesmo assim, não houve reflexos maiores no Porto de Santos, que continuou a operar.

ALUGUEL DE ANIMAIS
Claro, em 1855, era um outro Grande ABC, estritamente rural. Um dos negócios era marcado pelo aluguel de animais. No Rio Grande, hoje Distrito de Riacho Grande, em São Bernardo, a meio caminho entre Santos e São Paulo, dona Francisca de Lima Campos administrava o seu negócio. Punha à disposição dos interessados animais de selas e para carga, com custos variáveis, segundo tabela publicada na Revista Commercial.

Além de Santos e São Paulo as outras praças servidas pelos animais de aluguel de São Bernardo eram Campinas, Mogi Mirim, Sorocaba, Itapetininga, Itu, Bragança, Mogi das Cruzes, Jacareí e Taubaté.

NOTAS
1 - Vapor Josephina permaneceu de quarentena no lazareto do Perequê entre janeiro e fevereiro de 1856. Seus passageiros agradeceram de público ao tratamento que receberam do Dr. Saturnino de Souza e seu ajudante, Oliveira.

2 - Farmacêutico Ignácio José Malta preocupava-se com a falsificação do seu medicamento O Salva-Vidas ou Gottas Anti-cholericas para o combate à cholera morbus.

3 - Escravatura: anunciava-se que iriam se apresentar no palácio do governo 33 africanos livres, fugidos do caminho de Santos, a fim de queixar-se ao presidente da Província pelo mau tratamento que recebiam.

4 - Iniciava-se a imigração de mão-de-obra estrangeira. Era o projeto de colonização, com o recebimento de imigrantes alemães destinados ao Interior e a Santo Amaro.

5 - Na economia de 155 anos atrás, escasseava a colheita de café, faltava açúcar e a entrada de sal era menor: o preço nominal do produto variava de 640 a 680 réis por alqueire, segundo a qualidade.

Crônica de Ribeirão Pires
Texto: Aida Arnoni Bressan
Ainda sobre os personagens de Ribeirão Pires de um século atrás: Augusto Cortucci, dono de uma fábrica de macarrão; Diniz Correia, proprietário de uma fábrica de fogos de artifício. Seu apelido era Dionísio Fogueteiro, estabelecido à Estrada da Colônia; Pedro Turco, o mascate, vinha de São Bernardo mascatear por essas bandas.

DIÁRIO HÁ 30 ANOS
Sábado, 13 de setembro de 1980

Manchete - Governo da Turquia é deposto por golpe das Forças Armadas.

Política - Prefeito de Diadema, Lauro Michels, filia-se ao PTB.

Movimento estudantil - Estudantes encerram greve com ato público.

São Caetano - Pavimentada a Avenida Guido Aliberti.

São Bernardo - Balé chileno inaugura CREC de Vila Baeta.

Polícia - Ladrões levam 350 mil e dois reféns em Santo André.

EM 13 DE SETEMBRO DE...
1965 - Giovanni Breda falece em São Bernardo. Hoje é nome da segunda maior praça pública da cidade, no bairro Assunção.

1970 - Casas Bahia inaugura a agência Bahia Automóveis: Rua Manoel Coelho, 533, defronte ao Cine Lido.

TRABALHADORES
Nascem em 13 de setembro:

1909 - Eduardo Pereira Cezar, natural de Bueno Brandão (MG). Sócio nº 95 do Sindicato dos Químicos do ABC. Servente da indústria Fernando Hackradt. Residia à Rua Distrito Federal, 223.

1923 - Francisco André Avelino, natural de Santos. Operário da Rhodia. Residia à Rua Padre Manoel da Nóbrega, 333.
FONTE: 1º livro geral de registro do Sindicato dos Químicos do ABC.

SANTOS DO DIA
Eulógio I, João Crisóstomo, Ligório e Maurílio. Na estampa, Santo Eulógio de Alexandria. Patriarca grego de 580 a 608.

HOJE
Dia do Agrônomo.



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No alto da serra, um cordão sanitário há 155 anos...

O cordão sanitário determinado pelo governo da Província de São Paulo nos idos de 1855 e 1856, por causa da epidemia de cholera morbus

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

13/09/2010 | 00:00


O cordão sanitário determinado pelo governo da Província de São Paulo nos idos de 1855 e 1856, por causa da epidemia de cholera morbus, alcançava a Freguesia de São Bernardo, com vistorias dos transeuntes no alto da Serra de Cubatão - também denominada Serra do Mar ou Serra de Paranapiacaba.

Temia-se a propagação da chamada cólera de verão, termo científico não mais usado na literatura científica e que se referia à gastroenterite aguda caracterizada por diarreia e vômito fortes.

O comércio discutia o acerto do cordão sanitário, que retardava as comunicações entre Santos e a cidade de São Paulo: os passageiros que chegavam do Rio de Janeiro eram retidos num sítio próximo a Bertioga.

Porta-voz dos negócios de então, a Revista Commercial (editada em Santos) questionava a validade do cordão sanitário e pedia ao imperador que reconhecesse os males da quarentena, em especial ao comércio.

De qualquer forma, mostra o noticiário da época, o movimento no Porto de Santos não parou, apenas foi prejudicado. Algo próximo ao que ocorreu há exatos 40 anos, em setembro de 1970, quando a pista ascendente da Via Anchieta parou. O desmoronamento de pedras e terra motivado por fortes chuvas interrompeu o trânsito da rodovia durante quase uma semana. Foi, até então, o maior acidente do gênero desde a inauguração da Via Anchieta, em 1947. Mesmo assim, não houve reflexos maiores no Porto de Santos, que continuou a operar.

ALUGUEL DE ANIMAIS
Claro, em 1855, era um outro Grande ABC, estritamente rural. Um dos negócios era marcado pelo aluguel de animais. No Rio Grande, hoje Distrito de Riacho Grande, em São Bernardo, a meio caminho entre Santos e São Paulo, dona Francisca de Lima Campos administrava o seu negócio. Punha à disposição dos interessados animais de selas e para carga, com custos variáveis, segundo tabela publicada na Revista Commercial.

Além de Santos e São Paulo as outras praças servidas pelos animais de aluguel de São Bernardo eram Campinas, Mogi Mirim, Sorocaba, Itapetininga, Itu, Bragança, Mogi das Cruzes, Jacareí e Taubaté.

NOTAS
1 - Vapor Josephina permaneceu de quarentena no lazareto do Perequê entre janeiro e fevereiro de 1856. Seus passageiros agradeceram de público ao tratamento que receberam do Dr. Saturnino de Souza e seu ajudante, Oliveira.

2 - Farmacêutico Ignácio José Malta preocupava-se com a falsificação do seu medicamento O Salva-Vidas ou Gottas Anti-cholericas para o combate à cholera morbus.

3 - Escravatura: anunciava-se que iriam se apresentar no palácio do governo 33 africanos livres, fugidos do caminho de Santos, a fim de queixar-se ao presidente da Província pelo mau tratamento que recebiam.

4 - Iniciava-se a imigração de mão-de-obra estrangeira. Era o projeto de colonização, com o recebimento de imigrantes alemães destinados ao Interior e a Santo Amaro.

5 - Na economia de 155 anos atrás, escasseava a colheita de café, faltava açúcar e a entrada de sal era menor: o preço nominal do produto variava de 640 a 680 réis por alqueire, segundo a qualidade.

Crônica de Ribeirão Pires
Texto: Aida Arnoni Bressan
Ainda sobre os personagens de Ribeirão Pires de um século atrás: Augusto Cortucci, dono de uma fábrica de macarrão; Diniz Correia, proprietário de uma fábrica de fogos de artifício. Seu apelido era Dionísio Fogueteiro, estabelecido à Estrada da Colônia; Pedro Turco, o mascate, vinha de São Bernardo mascatear por essas bandas.

DIÁRIO HÁ 30 ANOS
Sábado, 13 de setembro de 1980

Manchete - Governo da Turquia é deposto por golpe das Forças Armadas.

Política - Prefeito de Diadema, Lauro Michels, filia-se ao PTB.

Movimento estudantil - Estudantes encerram greve com ato público.

São Caetano - Pavimentada a Avenida Guido Aliberti.

São Bernardo - Balé chileno inaugura CREC de Vila Baeta.

Polícia - Ladrões levam 350 mil e dois reféns em Santo André.

EM 13 DE SETEMBRO DE...
1965 - Giovanni Breda falece em São Bernardo. Hoje é nome da segunda maior praça pública da cidade, no bairro Assunção.

1970 - Casas Bahia inaugura a agência Bahia Automóveis: Rua Manoel Coelho, 533, defronte ao Cine Lido.

TRABALHADORES
Nascem em 13 de setembro:

1909 - Eduardo Pereira Cezar, natural de Bueno Brandão (MG). Sócio nº 95 do Sindicato dos Químicos do ABC. Servente da indústria Fernando Hackradt. Residia à Rua Distrito Federal, 223.

1923 - Francisco André Avelino, natural de Santos. Operário da Rhodia. Residia à Rua Padre Manoel da Nóbrega, 333.
FONTE: 1º livro geral de registro do Sindicato dos Químicos do ABC.

SANTOS DO DIA
Eulógio I, João Crisóstomo, Ligório e Maurílio. Na estampa, Santo Eulógio de Alexandria. Patriarca grego de 580 a 608.

HOJE
Dia do Agrônomo.

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