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Pedido de CPI da Gautama não tem assinatura


Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

30/06/2007 | 07:02


Tudo estava dentro do script: o PT reuniu centenas de manifestantes na Câmara de São Bernardo, nas duas últimas sessões, para cobrar explicações sobre o fato de a Construtora Gautama, de Zuleido Veras, ter vencido, junto com duas outras empreiteiras, o lote 3 da licitação do projeto São Bernardo Moderna (conjunto de 25 obras no sistema viário).

O presidente do PT municipal, José Albino, chegou a usar a tribuna para pedir a CPI, afirmando que representava 13 partidos e 12 sindicatos. Ele protocolou o pedido na presidência do Legislativo.

Ele só não avisou a platéia de um pequeno detalhe: o documento protocolado não tinha nenhuma assinatura. Na prática, o requerimento não tem validade. O documento, de três páginas, tem 21 linhas, em branco.

O esquecimento foi um prato cheio para o presidente da Câmara, Amedeo Giusti (PV), que ontem tripudiou os adversários políticos: “Eles quiseram montar um circo na Câmara. Deixei de propósito eles protocolarem o requerimento sem assinatura, para mostrar que não estava querendo barrar nada. Mas esse é um documento apócrifo.”

Ele foi além: “Os petistas fizeram o documento no dia 20 e só protocolaram sete dias depois. Tiveram uma semana para descobrir que estava errado mas, mesmo assim, entregaram sem assinaturas.”

Giusti não poupou críticas a José Albino. “Ele fez um auê e quis envolver a presidência só para tirar foto, mostrando que eu tinha recebido o requerimento. Eu não quis aceitar e não entrei no circo deles.”

O presidente da Câmara foi ainda mais duro com os petistas: “Eles aproveitaram a manifestação da Guarda Municipal para fazer esse barulho todo. Foram até irresponsáveis de querer colocar mais gente do que cabia na galeria.”

O parlamentar voltou a defender a administração e disse que a empresa de Zuleido não chegou a executar obras no município. “A Gautama não é cabeça do lote. E a Prefeitura já comunicou o fato ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que financiou o projeto.”

O vereador Wagner Lino (PT) acusa Giusti de falar “bobagem”. “Como pode ter sido apócrifo se o Albino tentou entregar para ele e pediu para dar início ao processo de CPI? Isso é alegação de quem não quer investigar nada. Mas eles precisam arrumar um argumento para a sociedade.”

Albino fez um desafio a Giusti: “Se o problema é esse nós assinamos. Só quero saber se os governistas vão assinar também.”

Mas o presidente deixa claro que se os petistas quiserem insistir com a CPI terão de atender ao Regimento Interno. “Vão ter de protocolar novo requerimento, porque esse não tem valor nenhum. Só quem pode formular um pedido é vereador”, provocou.

Zuleido é investigado pelo Ministério Público Federal de envolvimento com licitações supostamente fraudulentas. Em Mauá, o empresário é o dono da Ecosama, cuja licitação e contrato foram contestados pelo MP e julgados irregular pelo Tribunal de Contas do Estado. A empresa agora está sob intervenção da Prefeitura.


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Pedido de CPI da Gautama não tem assinatura

Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

30/06/2007 | 07:02


Tudo estava dentro do script: o PT reuniu centenas de manifestantes na Câmara de São Bernardo, nas duas últimas sessões, para cobrar explicações sobre o fato de a Construtora Gautama, de Zuleido Veras, ter vencido, junto com duas outras empreiteiras, o lote 3 da licitação do projeto São Bernardo Moderna (conjunto de 25 obras no sistema viário).

O presidente do PT municipal, José Albino, chegou a usar a tribuna para pedir a CPI, afirmando que representava 13 partidos e 12 sindicatos. Ele protocolou o pedido na presidência do Legislativo.

Ele só não avisou a platéia de um pequeno detalhe: o documento protocolado não tinha nenhuma assinatura. Na prática, o requerimento não tem validade. O documento, de três páginas, tem 21 linhas, em branco.

O esquecimento foi um prato cheio para o presidente da Câmara, Amedeo Giusti (PV), que ontem tripudiou os adversários políticos: “Eles quiseram montar um circo na Câmara. Deixei de propósito eles protocolarem o requerimento sem assinatura, para mostrar que não estava querendo barrar nada. Mas esse é um documento apócrifo.”

Ele foi além: “Os petistas fizeram o documento no dia 20 e só protocolaram sete dias depois. Tiveram uma semana para descobrir que estava errado mas, mesmo assim, entregaram sem assinaturas.”

Giusti não poupou críticas a José Albino. “Ele fez um auê e quis envolver a presidência só para tirar foto, mostrando que eu tinha recebido o requerimento. Eu não quis aceitar e não entrei no circo deles.”

O presidente da Câmara foi ainda mais duro com os petistas: “Eles aproveitaram a manifestação da Guarda Municipal para fazer esse barulho todo. Foram até irresponsáveis de querer colocar mais gente do que cabia na galeria.”

O parlamentar voltou a defender a administração e disse que a empresa de Zuleido não chegou a executar obras no município. “A Gautama não é cabeça do lote. E a Prefeitura já comunicou o fato ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que financiou o projeto.”

O vereador Wagner Lino (PT) acusa Giusti de falar “bobagem”. “Como pode ter sido apócrifo se o Albino tentou entregar para ele e pediu para dar início ao processo de CPI? Isso é alegação de quem não quer investigar nada. Mas eles precisam arrumar um argumento para a sociedade.”

Albino fez um desafio a Giusti: “Se o problema é esse nós assinamos. Só quero saber se os governistas vão assinar também.”

Mas o presidente deixa claro que se os petistas quiserem insistir com a CPI terão de atender ao Regimento Interno. “Vão ter de protocolar novo requerimento, porque esse não tem valor nenhum. Só quem pode formular um pedido é vereador”, provocou.

Zuleido é investigado pelo Ministério Público Federal de envolvimento com licitações supostamente fraudulentas. Em Mauá, o empresário é o dono da Ecosama, cuja licitação e contrato foram contestados pelo MP e julgados irregular pelo Tribunal de Contas do Estado. A empresa agora está sob intervenção da Prefeitura.

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